"Além da dor, as queimaduras podem resultar em infecções deixar sequelas estéticas e funcionais para o resto da vida", ressalta a enfermeira chefe do CTQ, Elza Anami
"Além da dor, as queimaduras podem resultar em infecções deixar sequelas estéticas e funcionais para o resto da vida", ressalta a enfermeira chefe do CTQ, Elza Anami | Foto: Gina Mardones



O ambiente doméstico é onde mais ocorrem acidentes com queimaduras que – quando não são fatais – causam dor e deixam sequelas estéticas e funcionais. Por isso, no Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, celebrado em 6 de junho, a equipe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina se mobilizou para levar à população as informações para evitar os acidentes.

Conforme dados do próprio CTQ, os acidentes domésticos responderam, em 2016, por 63% dos acidentes envolvendo crianças e 69% dos adultos atendidos pelo serviço. Fogo e queimaduras provocadas por líquidos quentes são as principais causas, o que indica a necessidade de redobrar o cuidado com churrasqueiras e líquidos e alimentos quentes mantidos no fogão.

Em 2016, o centro realizou 1.145 atendimentos ambulatoriais e 1.556 cirurgias reparadoras, contra 1.217 e 1.220 procedimentos, respectivamente, em 2015. "Com tantas campanhas, a gente esperava que houvesse queda nos atendimentos, mas o número continua estável, o que não é uma boa notícia", lamenta Reinaldo Kuwahara, chefe médico do CTQ.

Ele revela que ainda ocorrem muitos acidentes com crianças pequenas que se queimam no forno ou puxam o cabo de panelas sobre o fogão. Já entre os adultos, a tentativa de reacender churrasqueiras com combustíveis como etanol ou gasolina provoca tragédias. "Isso é muito perigoso. O governo reduziu o teor de explosão do álcool que é vendido nos supermercados e farmácias, mas as pessoas não se conscientizam sobre os riscos e continuam comprando produtos inflamáveis no posto de combustíveis", diz.

O ideal, segundo ele, é usar acendedores elétricos ou óleo para acender churrasqueiras, pois evita o risco de explosões. "Quando os adultos usam álcool que está em galões, a explosão atinge inclusive crianças que estão por perto", afirma. Acidentes de trabalho ocorrem principalmente por contato com fios de alta tensão. Em casa, outros riscos comuns são ferros elétricos e as queimaduras inalatórias causadas por aspirar fumaça ou ácido.

Diante da facilidade com que os acidentes ocorrem, a enfermeira chefe do CTQ, Elza Tokushima Anami, destaca que prevenir é sempre o melhor caminho. "Ninguém deve usar combustível para fazer fogo e as crianças devem estar sempre afastadas do fogão", reforça. Segundo ela, a pele das crianças e dos idosos é mais frágil, por isso, mesmo queimaduras como as causadas pelo forno nas pequenas mãos podem exigir enxertos.

"Além da dor, as queimaduras podem resultar em infecções deixar sequelas estéticas e funcionais para o resto da vida. É preciso tomar muito cuidado", avisa.

Imagem ilustrativa da imagem Maior parte das queimaduras acontece em casa



ACIDENTES
Em caso de queimaduras, se houve fogo, o primeiro passo é abafar com um tecido não inflamável para cessar o fogo. Em seguida, a dica é procurar um serviço de saúde como as Unidades Básicas de Saúde ou as Unidades de Pronto Atendimento para que a vítima seja avaliada e encaminhada para outros serviços. "É recomendável cobrir com um pano limpo e deixar a pessoa em jejum até mesmo de água, pois pode ser necessário aplicar anestesia", explica o médico.

No caso de queimaduras superficiais, é importante esfriar o local com água em temperatura ambiente, cobrir com pano limpo e procurar os serviços de saúde, pois mesmo queimaduras mais leves podem provocar infecções. "Não é necessário passar nada no local", reforça.

"É assustador e dói muito", relata Daniel Sobrinho, que se queimou ao tentar reacender a churrasqueira
"É assustador e dói muito", relata Daniel Sobrinho, que se queimou ao tentar reacender a churrasqueira



'Sabia que era perigoso'
Há oito dias internado no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do HU de Londrina, onde se recupera de um acidente provocado pela tentativa de reacender a churrasqueira com etanol, o produtor rural Daniel Campaner Sobrinho, 46, de Paraíso do Norte (Noroeste), lamenta o momento em que teve a ideia de usar o combustível. "Eu sabia que era perigoso, mas usei mesmo assim. Cuidei dos outros, mas não cuidei de mim", lembra.

Muita dor e o susto com a explosão são as principais lembranças do acidente. "Fui levado para o hospital e me encaminharam para o CTQ. É assustador e dói muito", relata ele, que passou por implantes e continua em recuperação, sem previsão de alta. "Por muito tempo, acho que só vou a churrascos se for convidado", brinca.

A equipe do CTQ também foi fundamental para a recuperação de Pedro Ivo, 12, que se queimou quando o pai tentava reacender uma churrasqueira portátil com o combustível etanol. Os pais, Cléber Douglas Oliveira e Franciele Candea Duarte, que são comerciantes em Maringá (Noroeste), contam que não sabiam do risco da explosão. "Não imaginava que isso pudesse acontecer", lamenta Oliveira. O menino passou por enxertos no pescoço e na face e agora se recupera em casa, com atendimento apenas ambulatorial no centro.

Depois de passar muitos dias acompanhando o filho no CTQ, a mãe pede que as campanhas continuem acontecendo. "Aqui em Londrina tem um serviço especializado, por isso, as pessoas são mais conscientes, mas em outras cidades muita gente não sabe sobre os riscos", acredita. (C.A.)

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