O diretor de Ensino Superior da Seti (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná), Osmar Ambrosio, informou que o atual percentual de evasão nas instituições do Estado chega a 52%. Esse número, no entanto, varia de curso para curso e de universidade para universidade, mas, em geral, os cursos que contam com maior perda de alunos, com até 60% de desistentes, são as licenciaturas, em especial Matemática, Geografia, Química e Filosofia. Cursos como Medicina, por outro lado, contam com uma taxa de abandono de cerca de 1%.

Os dados foram divulgados durante a Semana Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Paraná Faz Ciência 2023, realizada neste mês na UEL (Universidade Estadual de Londrina). “Evasão no Ensino Superior – O que muda no cenário pós-pandêmico? foi o tema de encerramento do Ensino Superior do Futuro, que compõe o Eixo 1 do evento.

Participaram do debate o professor Paulo Azevedo, do Departamento de Ciências Sociais da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), Campus Toledo, que atua principalmente na área de metodologia quantitativa e avaliação de políticas e impacto sociais, e Osmar Ambrosio.

RAZÕES

Paulo Azevedo enumerou algumas das razões pelas quais a evasão da universidade alcança números tão altos. Alunos egressos de escola pública, com renda familiar baixa, e matriculados no período noturno que trabalham, não fazem curso pré-vestibular ou são negros, tendem a evadir mais.

Nesse sentido, estudantes com poucas condições econômicas são, muitas vezes, filhos de pais com baixa escolaridade. Isso limita o estudante já no momento da escolha do curso, considerando que o aluno ‘’não faz o curso que quer, mas, sim, o curso que pode’’, devido à sua vivência, qualidade de formação e condição financeira.

ESTRATÉGIAS

Durante o evento, foram apresentadas estratégias para diminuir a evasão. Segundo Azevedo, para resolver o problema a curto prazo, a solução seria a oferta de bolsas para dar suporte financeiro aos alunos que, muitas vezes, abandonam a universidade para poder trabalhar.

Porém, a médio prazo, ele defende que devem ser desenvolvidas pesquisas de dados para mapear os estudantes que estão à beira da evasão. “Pesquisa de dados, atualização de dados online e pesquisa de fatores de correlação. Esses os levantamentos para identificar o aluno em situação de risco. Se estou alimentado de dados, se descobri os fatores associados à evasão e consigo acompanhar as ausências de um aluno, o coordenador de curso pode receber uma mensagem através de um sistema automatizado, alertando que um estudante está chegando em risco de abandonar a universidade.”

ESTUDO SOBRE O TEMA

Já o diretor de Ensino Superior da Seti destacou que o Governo do Paraná tem como objetivo resgatar os alunos que evadiram das universidades e que prepara um estudo sobre o tema. “Nós estamos lançando uma encomenda governamental que vai sistematizar um estudo em rede, unindo os dados de todas as universidades para quantificar e dar um norte do que causa a evasão. A grande preocupação é aumentar o número de graduados formados. Para isso, nós temos que resgatar os alunos que evadem, e a preocupação é muito mais com os estudantes do que com os números", explica.

"Para nós, transformar o percentual de formados de 47% para 50% é número. Mas esse percentual convertido em pessoas gera uma quantidade enorme de novos profissionais no mercado de trabalho”, ressaltou. Outro dado alarmante apresentado no evento foi de que 79% das vagas disponíveis nas universidades públicas do Paraná são ocupadas. As razões para isso são semelhantes às que geram a evasão.

BOLSAS PARA 2024

Em entrevista à Rádio UEL FM, o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, informou que a instituição pretende ampliar a oferta de bolsas em 2024. Segundo ele, os números ainda não estão sendo divulgados porque o planejamento para o próximo ano será apresentado somente daqui a duas semanas.

Segundo ele, atualmente, a Fundação Araucária oferece 5 mil bolsas para graduação e pós-graduação, o que corresponde a um investimento de 65% do orçamento do órgão de fomento.

Spinosa explicou, ainda, de onde vieram os recursos que custearam a edição 2023 do Paraná Faz Ciência. Ao todo, foram R$ 2 milhões em investimentos para a estrutura montada na UEL, oriundos da própria Fundação Araucária (por meio do Fundo Paraná) e também da Seti. “Consideramos esse valor um investimento e não um gasto”, justificou Spinosa.

BALANÇO

O Paraná Faz Ciência reuniu, durante cinco dias de evento, a comunidade interna e externa, numa verdadeira demonstração do fazer científico da academia paranaense. De acordo com a reitora da UEL, Marta Favaro, foram mais de 1.800 horas de programação. Entre visitantes agendados e inscritos nas atrações, congressos, oficinas e visitas, 18.500 visitantes vieram até o Campus. Ela informou ainda que os eventos acadêmicos como o Por Extenso, Encontro Anual de Iniciação Científica, de Iniciação Científica Jr e o Pró-Ensino tiveram 2.225 trabalhos apresentados.

“Foi um evento maravilhoso, com um saldo positivo de levar a ciência e tecnologia que estão sendo produzidas nas universidades à sociedade, às crianças e aos adolescentes que vieram até aqui. Sabemos do momento que vivemos e o quanto é importante juntar forças e dizer: ‘estamos vivos e somos imprescindíveis’”, ressaltou Fávaro.

UEM 2024

A UEM (Universidade Estadual de Maringá) sediará o Paraná Faz Ciência em 2024. A UEL desenvolveu com brilhantismo e recebi o ‘bastão simbólico’ da reitora Marta Favaro. Para nós, é motivo de orgulho e também de grande responsabilidade. A gente diz que, no mínimo, quer fazer bonito igual”, afirmou a vice-reitora da UEM, Gisele Mendes. (Com informações da Agência UEL)