Agricultor fecha minizôo em Umuarama
Vânia Moreira
De Umuarama
Sem recursos para manter os animais, o agricultor Eugênio Veridiano, 54 anos, fechou no final de semana o minizoológico que mantinha em sua propriedade, a Chácara Recanto da Natureza, em Umuarama. A chácara, de seis alqueires, abrigava mais de 100 espécies de aves nativas e exóticas. Veridiano gasta cerca de R$ 500 por mês com alimentação e medicamentos. Há mais de um ano, ele esperava a liberação de uma verba mensal prometida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O dinheiro não saiu e o agricultor decidiu se desfazer dos pássaros.
Boa parte dos pássaros já foi solta numa mata próxima da chácara. Ele ainda mantém na propriedade uma ema, um tucano, um mutum, quatro araras, três saguis e outras espécies menores de papagaios e pássaros silvestres. Veridiano não sabe o que fazer com os pássaros que não podem ser liberados, porque não conseguirão sobreviver fora do cativeiro, mas pretende se desfazer de todos. Vou ficar apenas com a arara azul, a Rita, informou.
Desde os anos 80, a chácara de Veridiano era utilizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) como centro de reintegração da fauna. Até o início do ano passado, ele recebia uma verba mensal, mas o repasse foi cortado por ser irregular. Quando o IAP anunciou que os animais seriam transferidos para o Parque Nacional do Iguaçu, a comunidade de Umuarama se mobilizou para ajudar. Durante 10 meses, a prefeitura forneceu a alimentação, enquanto aguardava a regulamentação de um convênio do IAP para manutenção do viveiro.
O município suspendeu a ajuda em junho do ano passado. No final do ano, Veridiano chegou a vender seis cabeças de gado para comprar ração para os animais. A renda da chácara, onde cria 15 vacas de leite, é suficiente apenas para o sustento da família. O agricultor também tentou fazer campanha de arrecadação na comunidade, mas não conseguiu ajuda suficiente. A chácara era um dos pontos turísticos de Umuarama e recebia cerca de 80 visitantes todo final de semana.
A prefeitura de Umuarama informou ontem que tem intenção de transferir os animais para o Bosque Uirapuru, no centro da cidade, onde já existem alguns viveiros de pássaros. Segundo o chefe de gabinete Valdir Miranda, a proposta de transferir os animais para o bosque e assumir a manutenção foi feita semana passada, mas Veridiano não deu resposta. Segundo o chefe de gabinete, no Bosque Uirapuru os animais poderiam ser visitados por um número maior de pessoas.Proprietário de chácara abrigava mais de 100 espécies de aves nativas e exóticas que custavam R$ 500 por mês
Arquivo FolhaCUSTO ALTOEugênio Veridiano tentou convênios com o Instituto Ambiental do Paraná e chegou a vender algumas cabeças de gado para manter os animais em sua chácara; prefeitura quer levá-los para bosque público





