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Avenida Paraná
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.
Fale com Paulo Briguet
07/12/2017
AVENIDA PARANÁ

Vamos pegar um cemitério?

Alguns colecionam selos, latinhas de cerveja, miniaturas, escândalos — eu coleciono epitáfios


Shuterstock
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Sempre que eu chegava à casa de meu pai, ele dizia:

— E aí, Paulão, vamos pegar um cemitério?

Sim: um de nossos programas favoritos era visitar os túmulos. Ao contrário do que muitos podem achar, não era uma preferência mórbida. Os passeios ao Cemitério da Saudade eram momentos especiais, em que falávamos sobre nossas lembranças e esperanças. Na cidade dos mortos, nosso tema principal era a vida.

Até hoje gosto de visitar cemitérios. Um de meus sonhos é conhecer o antigo cemitério judeu de Praga, que me parece ser um dos lugares mais fascinantes do mundo. Há 15 anos, visitei o Père Lachaise, em Paris, e foi uma experiência inesquecível.

Alguns colecionam selos, papéis de carta, latinhas de cerveja, carros em miniatura, escândalos — eu coleciono epitáfios. Hoje vou mostrar a vocês sete alguns itens da minha coleção particular:

"Não tente." (Charles Bukowski)

"Desculpe a poeira." (Dorothy Parker)

"Contra ti me arremessarei, invencível e persistente, ó Morte." (Virginia Woolf)

"174517" (Primo Levi)

"Chamada de volta." (Emily Dickinson)

"Aqui jaz alguém cujo nome foi escrito sobre a água." (John Keats)

"That’s all folks." (Mel Blanc)

"O melhor está por vir." (Frank Sinatra)

"O tempo não para." (Cazuza)

"Desculpe por não me levantar." (Groucho Marx)

"Eu disse que esse médico não era bom." (Miguel Mihura)

"Sou um escritor, mas ninguém é perfeito." (Billy Wilder)

"Jack Lemmon em..." (Jack Lemmon)

"Eu disse a vocês que estava doente." (William H. Hahn Jr.)

"Enfim, livre." (Martin Luther King)

"Henry." (Henry David Thoreau)

Há epitáfios para todos os gostos: engraçados, dramáticos, enigmáticos, cerimoniosos, pungentes. Os epitáfios de Keats e Martin Luther King são maravilhosos pela síntese poética. O que mais comove, porém, talvez seja o de Primo Levi, autor da obra-prima "É isto um homem?" e sobrevivente de Auschwitz. 174517 era o seu número de prisioneiro no campo de concentração, tatuado pelos nazistas.

Encerro com o epitáfio do nosso maior escritor, Machado de Assis. É o soneto que ele escreveu na morte de sua amada Carolina:

"Querida! Ao pé do leito derradeiro,
em que descansas desta longa vida,
aqui venho e virei, pobre querida,
trazer-te o coração de companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
que, a despeito de toda a humana lida,
fez a nossa existência apetecida
e num recanto pôs um mundo inteiro...

Trago-te flores — restos arrancados
da terra que nos viu passar unidos
e ora mortos nos deixa e separados;

que eu, se tenho, nos olhos mal feridos,
pensamentos de vida formulados,
são pensamentos idos e vividos."

E o meu epitáfio, qual será? Ainda não me decidi. Mas estou pensando em algo assim: "Aqui jaz um relógio parado, que acertava duas vezes por dia".
por Paulo Briguet
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