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Londrina

Transmidia 5m de leitura Atualizado em 05/11/2019, 17:28

O dia no Parque

PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de abril de 2018

Patricia Maria Alves - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Um dia no parque

O rural invade a cidade

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A Expo desperta Londrina

A FOLHA Especial Transmídia traz a experiência de um dia na ExpoLondrina

Walkíria Vieira

Do amanhecer da cavalgada e das visitas escolares, passando pela tarde de diversão e comida e fechando a noite com música “sofrência”.

O evento, que mostra a força do agronegócio, tem o seu lado festivo, educativo e saboroso.

É uma festa para todos os estilos e bolsos.

A CAVALGADA

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Planejamento e organização são fundamentais para toda ação que se preze. Evento consagrado, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, do alto de suas 58 edições, tem um cronograma com planejamento de ações que incluem o antes, o durante e o depois para que tudo esteja perfeito.

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Como uma espécie de contagem regressiva, a Cavalgada da Expo e a Missa de Ação de Graças chamam a atenção para o que está por vir. Realizada há 11 anos, algumas semanas antes da abertura da feira, a Cavalgada reuniu, em 2018, entre amazonas e cavaleiros, 2.500 participantes.

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De perto e de longe, vieram 165 comitivas, de 30 localidades, no melhor estilo dos antigos tropeiros e que fazem desta uma das maiores do gênero no Sul do País. Com direito a pernoite no Parque de Exposições Governador Ney Braga, o encontro, que começou em 2007 com 100 integrantes, multiplicou e criou raiz. Nova Santa Bárbara, Santa Maria, Cornélio Procópio e Itaguajé - só para citar, todos representados.

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Do Autódromo ao Parque, na zona oeste de Londrina, foram percorridos oito quilômetros em cerca de duas horas e no clima que a festa pede. A bordo da Catita, primeiro ônibus da Viação Garcia, princesas e rainhas convidam para a festividade com data para cerca de um mês. Marcante, ninguém esquece.

Quem vê, se encanta: com o porte dos animais, os trajes e todo o paramento que adorna a tropa. O coletivo de chapéus, selas, botas e calças de couro faz da passagem pelas ruas, desfile. No melhor estilo, ao ar livre, o trote da cavalaria soa feito anúncio. É como se o berrante avisasse: “Falta pouco”. E mais pertinho da data da feira, uma Missa de Ação de Graças reúne mais uma porção de simpatizantes. Novamente, em conjunto, para agradecer pela terra, seus frutos e que Deus abençoe a Expo e seus visitantes.

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O ESTILO COUNTRY DOMA AS VITRINES

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Aberta oficialmente a exposição, depois da catraca, um novo universo. Transpor a porteira é conhecer o campo, suas peculiaridades e quão simples é o fluir da natureza. Um galo canta, um novo dia começa. Do nascer ao pôr do sol, há tempo para tudo e, ano a ano, os olhares se voltam para o Parque Governador Ney Braga, em Londrina - para ver e viver a Exposição Agropecuária e Industrial e sua grandeza.

Em cada ExpoLondrina, as expectativas se renovam - seja no que tange os avanços da tecnologia em nome da produtividade e os maquinários em exposição, seja contemplando as vitrines urbanas que dão pistas do código de vestimenta - sobre o feno, as bolsas ganham franjas, os cintos fivelas mais largas, as botas ditam os passos e o couro, fake ou não, marca presença. Os chapéus, cerejas do bolo, são como passaporte. Protegem e enfeitam. Para quem tem mais de um, são 11 dias para desfilar os modelos e se divertir nas atrações.

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FESTA DEMOCRÁTICA

Em sua 58ª edição, a ExpoLondrina se consolida como uma festa democrática, onde é possível se atualizar e aprender. O urbano se aproxima do rural e este conecta os convidados às suas raízes.

É fato que a atração é uma oportunidade e tanto para a formação. Não por acaso, o agendamento de escolas é feito com antecedência. Sábios, professores entendem que seus educandos vão a campo e se deparam com situações práticas de aprendizado.

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O cheiro do esterco, a textura do couro do boi e o grito dos carneiros representam experiências enriquecedoras. Ver a ordenha de uma vaca surpreende os pequenos que acreditavam, alguns, que o leite vinha da caixinha. Aprendem também com a estudante do 4º ano de Agronomia, Ludmyla Martins Tomaszwski que do leite vem o queijo, o iogurte que adoram, assim como o doce de leite e o leite condensado.

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A Fazendinha, Copel, Sanepar integram o passeio monitorado. Em 2018, de acordo com a assessoria de comunicação da Expo, foram credenciadas 277 instituições, entre escolas públicas das redes estadual, municipal e particular; grupos de idosos, Apaes e entidades de atendimento a crianças carentes das cidades de Londrina, Assai, Cambé, Ibiporã, Apucarana, Itapuã, Uraí, Tamarana, Lupianópolis, Rolândia, Leópolis, Alvorada do Sul, Primeiro de Maio, Bela Vista do Paraíso, Flórida do Ivaí, Centenário do Sul, Paraguaçu Paulista, Congoinhas, Pedrinhas Paulista, Sertaneja e Sertanópolis.

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A inocência é convite ao conhecimento e com roteiros voltados para esclarecer e promover o senso de respeito ao ambiente, as atividades, mais do que lúdicas, cumprem relevante papel. No colo da pai, Maria Eduarda, 3 anos, observa tudo. Do ponto de vista do padeiro Claudinei Martins, 38 anos, é uma oportunidade para aprender. De Florestópolis, a família acompanha o trabalho de um tratador de gado com atenção. “Mesmo morando em uma cidade pequena, perdemos esse contato. Isso preocupa porque a Maria Eduarda já quer muito tablet. Quero que goste de natureza e assim vamos dosando”, reflete.

PEQUENOS VISITANTES

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Diretora da Escola Municipal Irene Aparecida da Silva, localizada no conjunto Jamile Dequech, região sul de Londrina, Marcia Francisco diz que o encantamento é geral. Tanto para os que visitaram a feira em anos anteriores, como para aqueles que são estreantes. “Só por ver os brinquedos já ficam felizes. Para muitos esse é um contato fora do comum e os pais raramente têm essa chance de trazê-los dada à rotina. O aquário gigante, as informações da Itaipu e o porte dos animais impressionam os alunos mesmo”, ratifica. Evelen Votória tem 10 anos e dispara: “Eu chego em casa contando para os meus irmãos tudo o que eu vejo”.

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A aula fora de uma sala propriamente dita é motivo de euforia e a ansiedade positiva é compartilhada pelos professores: “Ficam eufóricos”, resume a professora da Sala de Recursos da mesma escola, Cleusa Geraldo dos Santos Cardoso. “Eu acompanho turmas há mais de 15 anos e cada ano é um ano diferente. Aprendem muito e expõem suas cariosidades para o mundo”, destaca. Por meio de produção de textos, rodas de conversas e teatro, a visita ganha desdobramentos e é muito valorizada. “Cada um divide a sua experiência e animais são um caso à parte. Querem tocar nos bichos, ter esse contato com a área rural, da qual estão cada vez mais distantes e acredito que a visita amplie as expectativas dos alunos porque muitos não saem nem do próprio bairro. É da casa para escola diariamente”.

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Estudante do Colégio Vista Bela, na região norte de Londrina, Marcos Vinícius Martins tem 11 anos e está no 6º ano do Ensino Fundamental. Diante de um trenzinho parado, não hesita. Assume a direção e seus colegas fazem as vezes de passageiros. A brincadeira no parque contagia os meninos que dizem gostar de tudo. Dão vida ao trem, imaginam a fumaça, apitam e partem para outra atração, não menos inusitada. Pedem licença e tocam o boi. O olhar de surpresa é seguido de alegria: “Ele gostou de mim”. E relaciona: “O que vemos na Expo tem tudo a ver com o que estudamos. Com Ciências, Geografia, História...”.

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O mundo cabe em um parque

Peões e outros trabalhadores de várias partes do Brasil e do exterior acordam cedo para garantir o festival de sabores, cores, cheiros e diversão que toma conta da feira à tarde

Laís Taine

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O meio da tarde começa a convidar as famílias ao parque. Elas aproveitam a trégua do sol para reiniciar o ritual do ano: botas, camisas, xadrez e o reencontro. A união quase íntima de quem reconhece e chega procurando as diferenças. O olhar crítico do avô e de encantamento do neto. Misturam-se ali, tradição e a inovação.

A oportunidade de apresentar o gado pela primeira vez a uma criança cosmopolita.

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Mugidos, risos e sustos para quem nunca viu um boi de perto. No fundo desse cenário, o trabalho dos peões. Até que essas famílias da tarde chegassem, muito trabalho já tinha sido feito.

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Anderson Coelho
Anderson Coelho

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“A gente acorda bem cedo, antes de o parque abrir, umas 5h30. Faz um café quente para esquentar o peito e ir tratar deles, lavar, dar banho para quando o pessoal chegar já estar tudo limpinho, arrumadinho para apresentar”, explica Giovani Souza Amorim, 32, trabalhador de fazenda em Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina).Tratar, limpar, lavar, trocar água, cuidar, observar. O gado Nelore que ele cuida tem cuidados específicos. Já Amorim, dorme em barraca, faz o próprio café, almoça no parque, faz tudo de maneira invisível em meio ao gado e visitantes. “Quem trabalha com isso aqui é porque gosta. Quem não gostar, não trabalha não, é difícil”, afirma.

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Próximo dali, um grupo descansa sentado em torno da fumaça. Cerveja na mão, chapéu na cabeça e música sertaneja para celebrar o carneiro assado no gramado ao lado das barracas. O grupo recebe a equipe de reportagem com simpatia, oferece o churrasco.

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Marcondes de Queiroz Silva, 42, conta sobre seu trabalho. “Este ano eu já passei por Uberaba (MG), Umuarama, vim para Londrina, depois vou para Maringá, Campo Mourão e aí só viajo em setembro de novo para Uberaba. No começo era só empolgação, hoje eu gosto de estar com meus colegas, já enjoei. A gente gosta de estar perto da família. Mas a paixão ainda é grande, pretendo trabalhar com gado até Deus permitir”, revela.

Há 24 anos na lida do gado nelore, o encarregado dá detalhes da relação entre o trabalho e a paixão, apesar do cansaço. “Meu animal preferido é o Belugo. Para mim, é um dos melhores animais que eu tenho, nunca ganhou nada em pista grande, mas eu acredito naquele garrote”, sorri. “Isso se torna um filho, você pega novinho, tem um afeto muito grande, nós vivemos mais com eles que com a família”, observa. Família de quatro filhos que o peão deixou uma parte no interior de São Paulo e outra no interior do Paraná. O mais velho trabalha com o pai, os outros mais novos não o acompanharam. “Não posso reclamar do meu trabalho, nunca reclamei, mas eu estou ficando velho. Meus filhos cresceram todos sustentados de gado, tenho uma casa comprada com dinheiro do gado. Tenho muito orgulho da minha profissão, sou apaixonado por isso”, finaliza.

Os bois do pavilhão que Silva coordena recebiam os mais curiosos olhares. De lá, as famílias circulavam para outros recintos. Da fumaça do churrasco dos peões para a fumaça dos espetinhos na via das barracas de comida, o cheiro transita, invoca, desperta.

FOME NA FEIRA

Um sino toca. “Vai um aí, minha patroa?”, pergunta um vendedor de espetinhos entusiasmado enquanto coordena o fogo e a atenção dos clientes. Ao lado, uma jovem se impressiona com o algodão doce gigante. Outros preferem seguir o costume.

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“Já é tradição o sanduíche de pernil com bacon”, afirma Claudio Roberto de Oliveira, 47, proprietário da lanchonete Kaitu, que veio de Maringá oferecer lanches, carnes, petiscos e bebidas. Esta é a 17ª vez da barraca na feira e Oliveira estava animado com a movimentação. “Começou melhor que o ano passado. Cada vez melhorando mais”, confia.

Com a experiência, observa as mudanças junto dos 30 funcionários. “Muita coisa foi sendo eliminada, bebida alcoólica, linguiça... O cachorro quente deu uma diminuída, porque na cidade já têm várias opções. Vêm aparecendo novidades também, a pizza de cone, o algodão doce gigante, shawarma”, enumera unindo os velhos costumes às novas propostas.

O casal Maria José de Souza, 52, e Narciso Costa de Oliveira, 58, de Porecatu (Região Metropolitana de Londrina), aguardavam o crepe suíço. “Gosto muito e é tradicional do parque. Todo ano a gente vem e sempre tem alguma coisinha diferente para olhar”, respondem. Já com o crepe em mãos, planejavam provar a costela no carvão, o que dizem nunca perder. Os dois despediram-se lembrando de que no final da feira levariam a cocada para casa.

Narciso Costa de Oliveira e Maria José de Souza
Narciso Costa de Oliveira e Maria José de Souza

Cocada é cocada, mas na Feira dos Sabores existe uma receita diferente. Mohamed Elhawwary, 27, nasceu no Egito, morou no Marrocos e atualmente vive no Rio de Janeiro. Com sotaque denunciando o estrangeirismo oferece seus produtos. “É um doce de cocada fabricado no Brasil com receita e maneira marroquina. São cozidos a vapor, em tachos de cobre e prata, tudo com menos 50% de açúcar. A gente utiliza mais fruta, mais leite e menos açúcar”, explica. Sem entender o porquê, conta que em Londrina as pessoas gostam mais do sabor nata com café.

Deste pavilhão ninguém sai ileso. Há degustação de queijos, doces, geleias, conservas de 80 produtores do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Uma ponta-grossense caracterizada de holandesa oferece uma bolachinha quente produzida na hora, o stroopwafel. Em outra barraca, os queijos veganos, os produtos orgânicos, as compotas produzidas pela agricultura familiar.

Seja pela tradição ou pela inovação, sair do parque sem degustar um produto sequer é tarefa para os fortes. E se estes ainda resistirem, a catraca que leva para fora deixa o visitante de encontro com uma chuva de promoções de maçã-do-amor. Sacolinhas e barrigas cheias. A família sai satisfeita levando um pacote cheio de histórias para contar e saborear.

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DOU-LHE UMA, DOU-LHE DUAS, DOU-LHE TRÊS

Há famílias que também chegam para negociar. Sérgio Fonseca, 59, proprietário do sítio Nossa Senhora Aparecida, em Londrina, levou um lote com 20 cabeças de gado do Leilão Gado de Corte Moeda Forte, organizado pelas parceiras Connect Leilões e MS Leilões, no recinto Abdelkarin Janene, o mais antigo do parque.

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Os interessados chegam ao espaço, recolhem uma ficha com a ordem e dados de todas as apresentações. No centro, uma mini arena recebe os bois como uma vitrine para os negociantes atentos às oportunidades. Nos fundos, 850 cabeças aguardavam o momento de entrada. “Eles (compradores) passam aqui, marcam os lotes que interessam para depois arrematar”, explica Fonseca.

O proprietário estava animado. Atrás do recinto há corredores instalados para que os interessados circulem acima dos currais e visualizem melhor cada lote, já separados em pequenos espaços. Fonseca levou a equipe de reportagem até os seus. “Estão colocando valor de R$ 1,8 mil em um garrote de 12 arrobas”, orgulha-se. Ao lado, um lote menos vistoso. “Aquele ali já é mais misturado, está vendo como é diferente?”, aponta.

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Ensina o que deve ser avaliado na hora da compra: raça, qualidade e desenvolvimento, considerando tempo para o abate. “Já leiloei um bezerro mamando por R$ 1,5 mil”, recorda-se do feito. Os diferentes manejos de cada fazenda também interferem. “O que enche o ‘zóio’ do comprador é a ‘boniteza’ do animal”, brinca.

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O lote de Fonseca foi o 9º a se apresentar. O locutor fala muito rápido, os corretores gritam, sinalizando um novo lance e o texto muda. “Mil setecentos, vocês sabem que valem mais! Mil setecentos e dez. Um mil setecentos e vinte!”, aumenta a adrenalina. “E trinta! Mil setecentos e trinta! Vai quarenta, vai?”, depois de muito insistir: “dou-lhe uma, dou-lhe duas... Agradeço”. Fonseca assistiu seu lote ser arrematado ao lado da família.

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O negócio é a oportunidade. “Aqui há vários interessados, é isso que vai fazer subir o preço. Leilão é a disputa de quem paga mais para levar qualidade para casa”, explica Milton Simões, diretor da MS Leilões. Com 850 cabeças de gado de corte somente naquela apresentação, os parceiros fizeram outro evento com 71 reprodutores, touros PO (pura origem) registrados. “Do cruzamento com as matrizes é que sai uma bezerrada de qualidade, que é precoce, que ganha peso rápido”, defende Silvestre Marinho do Carmo, diretor da Connect Leilões.

Fora os negociadores, há os curiosos em aprender como funciona. Famílias entram e saem, prestando atenção no que ocorre em volta. Nas vias externas ao recinto, entretenimento para todos os gostos. As crianças parecem ser as mais interessadas no que surge ao redor: um animal diferente, um trenzinho, um pônei colorido e o parque de diversões.

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DÁ PARA VER O PAÍS INTEIRO!'

Alguém atira contra um painel, acerta uma caixinha que diz “vale um ursinho”. Na companhia dos avós, a garota sorridente escolhe o seu preferido. Difícil não sorrir, encantar-se pelas luzes que cegam as crianças. O mais puro encantamento! Lá, tudo chama a atenção. Cores, formas, movimentos e sons.

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Era a primeira vez de Guilherme dos Santos, 3, no tromba-tromba. O pai, Leandro Henrique dos Santos, 31, fez as vezes do motorista e a mãe, Aline Guilhem, 33, ficou encostada do lado de fora gravando tudo. Assim que o sinal libera o andar dos carros, os dois vêm em direção à mãe sorrindo e batendo. Aos trancos e barrancos chegam perto e acenam com graça para mostrar que estavam, os dois, se divertindo.

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O clima de momento em família é compartilhado do outro lado do parque. Entre pais e filhos, casais, crianças e adultos, o clima é ameno. Há gritos saindo dos atrativos mais radicais, mas há as músicas delicadas dos brinquedos infantis. E há uma roda-gigante. Essa é um complexo à parte. Não é à toa que possui uma das maiores filas. Ninguém quer perder a vista que ela possibilita.

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“É um passeio que vai todo mundo da família, não tem aquela tensão e dá para ver o parque inteiro”, defende Jacqueline Francelise, 30, mãe de Beatriz, 7, e Bernardo, 1. A família toda aguardava ansiosa. “A gente registra, tira foto, é um momento diferente com a família”, conta o pai, Joilson Batista, 30.

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Quando entram no brinquedo e a máquina começa a girar, Beatriz fica impressionada. “Uau! Dá para ver todos os carros”, solta. Bastou subir mais um pouco e ela corrige o discurso. “Dá para ver o País inteiro!”, conclui. A mãe brinca com o bebê no colo, o pai registra tudo com o celular. Eles fazem pose e admiram a vista.

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Uma, duas, três voltas, o circuito começa a ficar silencioso. É quando a adrenalina abaixa e parece que todos atingem um nível de contemplação. Não era preciso dizer, nem fotografar, era o momento de sentir. Com os olhos para baixo, cada um guarda suas questões. “Como somos tão pequenos”, “como a cidade é linda daqui”, “podia não acabar” ou um simples “qual o próximo brinquedo vou escolher?”

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Nada de choro

ExpoLondrina também é sinônimo de festa e arrasta multidões quando o sol se põe

Pedro Marconi

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Bastou o “chora não, coleguinha” para que o recinto de shows João Milanez se transformasse na apoteose da alegria que a ExpoLondrina pode propiciar. Diante de um público de mais de 22 mil pessoas, as irmãs Simone e Simaria animaram a noite do quinto dia de shows do evento.

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Do agronegócio, a exposição também é da celebração. Prova disso é a intensa movimentação no parque em dias de apresentações musicais. Se durante o dia os caminhos de passeio são variados, quando o sol vai embora é o trajeto para o lado esquerdo do Ney Braga que recebe os pés apressados dos animados visitantes.

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Uma das principais duplas sertanejas da atualidade no Brasil, as baianas de origem humilde e com as canções mais tocadas do momento reafirmaram a veia sertaneja – hoje com estilos musicais agregados - desta terra vermelha. Entre os celulares apontados para fotos e vídeos ao ritmo da sofrência com nuances de eletrônico e funk, crianças, adultos e idosos mostraram que apesar do bordão cômico das cantoras, o choro, se existisse, seria apenas de alegria.

Em um espaço logo em frente ao palco onde estavam as cantoras, a família Salomão era pura diversão e emoção. Com as mãos no alto e batendo palmas, eles permaneceram dançantes do começo ao fim do festejo. O motivo, além do show, era o encantamento das filhas Maria Antonia, 9, e Ana Luisa, 4. Com paralisia e necessitando de uma cadeira de rodas para se locomover, a mais velha mostrou superação e inclusão. Tudo por meio do sorriso. “É a terceira vez da Maria (em show da exposição) e a primeira da Ana. Fazemos isso por elas. Trabalhamos o dia todo e estamos aqui. Cansados, mas valeu a pena”, destacaram os pais Gisele e Alex Salomão.

Os shows também são para os solteiros, casados e enamorados. No “time dos solteiros”, como se autodeclara, a jovem estudante Beatriz Portela, 20, não perde as festas da ExpoLondrina. “Todo o ano venho nos shows. É uma época que esperamos para aproveitar os momentos que os cantores nos propiciam. Em 2018 vim na Simone e Simaria e no Henrique e Juliano. Ainda pretendo vir na balada daqui”, projetou ela, se referindo a festança que também acontece no parque e que remete ao mesmo clima de uma casa noturna.

Enquanto as reluzentes cantoras entoavam um dos seus sucesso, que conta a história de uma mulher que quer viver aprisionada junto de seu amado em um sistema de “regime fechado”, o casal de noivos Gustavo Silva, 24, e Franciele Nogueira, 23, aproveitaram para trocar juras de amor. “Escolhemos essa música para ser nosso ‘hino’ de namoro. Adoramos o clima da exposição e ver o recinto cheio e as pessoas se divertindo é muito legal.”

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Em vários grupos de amigos presentes, se faltava um amor sobrava empolgação aliada à bebida alcoólica. “Vamos buscar mais”, sentenciaram depois de outra performance das expoentes do “feminejo”. A boemia da Expo se manifesta de diversas formas à luz da lua.

MULTICULTURAL

Quem acha que a exposição de Londrina é sinônimo apenas do sertanejo e tudo que o envolve está enganado. Ela é democrática e aberta para outros estilos e formas de manifestação. Acontecendo pelo sexto ano, a Expocultura propicia o contato do público com a arte. Na edição de 2018, a mostra saiu do ambiente fechado e foi para o ar livre, ao lado da pista central, promovendo um contato mais direto e proveitoso entre público, peça e artista.

“A pessoa que passa por aqui conversa com o autor e não apenas vê. São artistas de Londrina e região expondo seus trabalhos. Temos os quadros ‘Flores Sangrentas’, que retratam como é difícil ser mulher no mundo de hoje. Também tem uma proposta em que o visitante pode desatar nós, e pensar em nós de suas vidas, e amarrar novamente, desta vez trazendo a mente reflexões positivas”, explicou Alexs Tcho, artista visual e coordenador da Expocultura.

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Alexs Tcho
Alexs Tcho

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Ao lado das variadas técnicas de kirigami, esculturas, pinturas em tela, nanquim e grafites, um palco com cantora de voz rouca e suave canta MPB (Música Popular Brasileira). “Temos shows variados de rock e blues, por exemplo. Em uma apresentação de punk rock ouvi dois amigos dizendo que haviam entrado no lugar errado, mas que estavam gratos por encontrar isso na exposição”, relatou. “Nada é marginalizado”, acrescentou. As exibições são diárias e começam às 16 horas.

Na integração da diversidade, a dança do ventre trouxe o Oriente Médio ao interior. No redor de tapetes com desenhos persas, dezenas de pessoas rapidamente se aglomeraram para visualizar a exibição. Entre os bois, ovelhas e porcos espalhados pelos pavilhões, um outro animal tomou a atenção no parque. Com nome de estrela de Hollywood, Brad Piton, uma cobra de 2,40 metros, integrou a dança junto de sua dona, Zharroe Raysel. “Ele faz sucesso por onde vai e na exposição não está sendo diferente. Veio fazer amizade com os outros animais”, brincou.

Descendente de alemães, a aposentada Leonilda Tunte viajou seis horas, de Maripá (Oeste) a Londrina, para visitar a festa. “É a primeira vez que venho na exposição de Londrina e achei tudo bonito. Em Santa Catarina, onde morava antes, tinha um lugar com umas cobras assim. Não tenho medo não”, destacou. Aos 69 anos, ela disse não ter cansado com o longo tempo na estrada.

LUZ DA DIVERSÃO

Quando a noite cai, a visual do Parque Ney Braga ganha o reforço de luzes coloridas e esparsas, que ajudam a dar o clima que só a Exposição de Londrina tem. No meio do colorido, uma luminosidade piscante próxima ao recinto de shows não passa despercebida pelas crianças. Um letreiro identificando o local como “Estação Cantoni” tem estacionado em sua porta duas mini Maria Fumaças. Do maior ao menor, eles sentam nos bancos em busca de um passeio com sentimento de infância.

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A caixa Marinalva Duarte Kimura levou a sobrinha Livia, de um ano e dez meses, para dar uma volta ao trenzinho. “É uma diversão a mais e para a criança tudo é válido. Acabo me divertindo, porque volto ao tempo da infância, quando não tinha oportunidade de andar na Maria da Fumaça. No geral, é tanta coisa que não conseguimos ver tudo em dia só”, mencionou. A ExpoLondrina traz saudosismo.

A poucos metros dali, as luzes não são de letreiros, mas estão nos olhos das crianças. Nove mini-horses, que são revezados em três para levar os pequenos em um circuito nas ruas do parque, são a atração. Trabalhando há 27 anos na feira com os pequenos cavalos, Erineu Ribeiro, que é de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) se diz satisfeito com os momentos que acaba propiciando para as famílias. “Tem gente que vinha quando era criança e hoje traz o filho. Fico contente em ver esta troca de geração.”

Para o casal de padeiros Aziel e Mirian Fogaça, deixar os filhos Nicole, 8, e Gabriel, 9, passear montados nos animais faz parte da rotina quando estão na exposição. “É uma brincadeira para nós (pais) também”, afirmou a mãe. Animada após andar no mini-horse, Nicole Fogaça já estava fazendo as contas de quando poderá fazer o passeio novamente.

“Adorei. Pena que vai demorar muito”, analisou, já a espera da 59ª edição da Expo. Faltam 12 meses para tudo recomeçar e se renovar por mais 11 dias.

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UM DIA NO PARQUE: O rural invade a cidade

DATA DE PUBLICAÇÃO 14 de Abril de 2018

TEXTOS
Walkíria Vieira, Laís Taine, Pedro Marconi

IMAGENS
Gina Mardones, Gustavo Carneiro, Marcos Zanutto, Anderson Coelho, Ricardo Chicarelli, Roberto Custódio e Patrícia Maria Alves

INFOGRAFIA
Folha Arte

PROJETO GRÁFICO E DESIGN (IMPRESSO)
Anderson Mazeo e Gustavo Andrade

(WEB)
Patrícia Maria Alves

EDIÇÃO DE TEXTOS
Adriana De Cunto e Célia Guerra

EDIÇÃO SITE
Erick Rodrigues

PRODUÇÃO/EDIÇÃO MULTIMÍDIA
Patrícia Maria Alves

SUPERVISÃO DE PROJETO
Adriana De Cunto (Chefe de Redação)

AGRADECIMENTOSA dupla Teodoro e Sampaio pela sessão das músicas Vestido de Seda e Mulher Chorona como trilha sonora desta reportagem.

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