CABELOS -

Nem liso, nem cacho perfeito. Contra ditaduras do cabelo


Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

Em um salão especializado em cabelo afro em Londrina, diversidade é voz de comando. Claros, lisos, enrolados, longos e curtos para todos os gostos e bolsos. Neyde Jordão, proprietária do salão aponta que sempre preservou pelo direito da liberdade de escolha e por isso oferece às clientes alternativas para mudança quando desejar.  


Nem liso, nem cacho perfeito. Contra ditaduras do cabelo
 



“Eu acredito que as pessoas têm que ser livres. Eu não vou viver ditadura do cabelo, já usei cabelo laranja, azul, vários tamanhos e formatos”, comenta. Ela é de São Tomé e Príncipe e veio ao Brasil como estudante do curso de psicologia na UEL (Universidade Estadual de Londrina) há 16 anos.  




Na época, suas tranças chamavam atenção. “As pessoas me paravam na rua, perguntavam muito. A primeira curiosidade era sobre a África e depois sobre meu cabelo”, recorda. E passou a fazer as tranças nas casas das primeiras clientes até sentir a necessidade de um ponto comercial. Foi assim que surgiu seu salão especializado em cabelo afro. 


Nos últimos anos, com a tendência de tornar os fios mais naturais, mais mulheres que alisaram o cabelo procuram o salão para transição capilar. O processo, que consiste em esperar o cabelo crescer naturalmente até que a parte lisa (química) do cabelo seja cortada, costuma demorar e muitas procuram alternativas para se sentirem melhor durante. “Trançado, costurado, mega hair, coque abacaxi, boxeadora ou cortar tudo para esperar crescer. Tem mil e uma opções”, aponta.  


Há também quem agrida tanto os fios que sofre o corte químico. Apesar de ser comum receber clientes nessa situação, a proprietária não é contra o alisamento. “Hoje em dia as químicas estão muito bem desenvolvidas. Existem processos orgânicos, mais naturais também, mas nosso mercado ainda é muito limitado”, argumenta.  


Jordão critica o uso de químicas já proibidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), avisando que além da perda do cabelo, há risco de intoxicação, por isso toma precauções mesmo quando o cliente afirma que nunca tenha passado por um processo. “A gente faz teste de mecha, porque ele pode dizer que não fez, mas a gente aplica e verifica que tem química”, afirma. O cuidado é para evitar que a química antiga reaja negativamente ao novo processo. 




Apesar das técnicas e materiais novos que traz do continente africano, a proposta é não se limitar. Jordão defende que a mulher deve se sentir bem, sim, com o cabelo crespo, mas se o liso lhe agradar, ela também pode. “Eu acredito que as pessoas querem criar uma ditadura da transição, mas eu acho que o processo tem que considerar o critério de a pessoa se sentir bem”, afirma. 

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