A indesejável herança do colesterol alto


Micaela Orikasa Reportagem Local
Micaela Orikasa Reportagem Local

A saúde parece estar em dia. Imagine um indivíduo magro, que se alimenta bem e ainda pratica exercícios físicos. Quais as chances dessa pessoa ter altos níveis de colesterol ruim (LDL)? É possível que muitos tenham como resposta um número consideravelmente baixo. E aí é que entra a hipercolesterolemia familiar (HF), ainda desconhecida por boa parte da população.
A doença é uma herança genética – a chance de uma criança ter HF é de 50% quando um dos pais é portador. Ela é caracterizada por altos níveis de colesterol LDL, de modo que somente a adoção de hábitos saudáveis não é suficiente para baixá-los. Ou seja, não tem relação com idade e estilo de vida.
Nestes casos, os pacientes têm que ingerir medicamentos regularmente e serem monitorados com frequência, uma vez que a probabilidade de terem um evento cardiovascular também é alta. Nos homens, o risco de ter um infarto até os 50 anos é de 50% e, nas mulheres, é de 30% até os 60 anos.
A falta de conhecimento sobre a doença não condiz com o número de pessoas que ela atinge. Em todo o mundo, a World Health Organization estima que são 10 milhões de pessoas. Em uma projeção nacional, a estimativa chega a 800 mil portadores.
E o grande desafio é o diagnóstico. "A minoria, ou seja, cerca de 10% são diagnosticados. As pessoas não perseguem metas de colesterol como fazem com o diabetes e hipertensão. Por isso, temos uma tarefa grande pela frente em termos de conscientização", comenta a cardiologista Luciana Giangrande.
Um fato relevante é que a HF é assintomática, com exceção de indivíduos que podem apresentar bolsas de gordura nas articulações (xantomas) ou arco corneal. "Mas são casos raros e gravíssimos, em pacientes que não se trataram ao longo da vida", acrescenta ela, ao revelar que muitas vezes, o primeiro sintoma acaba sendo o infarto.

CHECK-UP

Cardiologista em Londrina, Fabrício Parra Garcia conta que no dia a dia do consultório são frequentes os casos de HF, que são descobertos por meio de exames de rotina, gerando uma grande surpresa entre os pacientes.
Revelação, que o agente técnico de operações Elson José de Oliveira não esquece. Ele foi diagnosticado com hipercolesterolemia familiar há cerca de dez anos, em uma consulta de rotina. "Foi um susto porque nunca tinha ouvido falar e não sentia nada, mas conversando com o médico muita coisa foi ganhando sentido. Meu pai tinha colesterol alto e faleceu após uma parada cardíaca aos 69 anos", comenta.
Hoje, Oliveira toma remédio diariamente e faz exames a cada seis meses. "Em 2009, cheguei à beira de um infarto e fiz uma angioplastia. Hoje, sei que não posso perder o controle do colesterol e diabetes", diz ele que faz caminhadas perto de casa para se exercitar e procura manter um cardápio reduzido em gorduras.
Segundo Garcia, todos devem fazer um check-up anualmente, especialmente homens e mulheres acima de 40 anos e aqueles que têm histórico familiar de doenças, entre elas, a HF. Vale lembrar que as grandes metas preconizadas de LDL são de até 100 mg/dL para todos os indivíduos que não têm risco cardiovascular.
Nos indivíduos com alto risco, como diabéticos ou que tiveram um evento cardíaco ou cerebral prévio, a recomendação é abaixo de 70 mg/dL. Para se ter uma ideia, nos casos de HF, os níveis de colesterol chegam a 300 mg/dL ou mais, sendo o principal indicativo para os médicos. "Nesse quadro, o tratamento deverá ser iniciado de maneira muito mais agressiva", completa Luciana.

■ A repórter viajou a convite da Sanofi

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