Especialista defende a melhoria do transporte coletivo


Janaína Ávila - Especial para a Folha
Janaína Ávila - Especial para a Folha

 

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. | Gustavo Carneiro/Grupo Folha
 


Soluções mirabolantes para melhorar a mobilidade em Londrina, como metrô, monotrilho ou maglev, nem devem ser levadas em consideração. O importante mesmo é melhorar o transporte coletivo, tornando-o atraente para a população a partir da combinação de custo da passagem, conforto nos veículos, frequência e mais oferta de linhas.  


A avaliação é de Thiago Meira, gerente de mobilidade da LOGIT Engenharia, empresa responsável pelo Plano de Mobilidade de Londrina. Segundo ele, se deslocar em Londrina é muito difícil principalmente para quem não tem carro. E o envelhecimento da população é outro ponto de atenção. “Nossas calçadas, em todo o Brasil, são ruins e isso dificulta a caminhada ou o uso de cadeira de rodas”, afirma. Se a cidade tivesse crescido orientada a privilegiar a mobilidade, muitos dos problemas poderiam ter sido evitados. Para o especialista, em Londrina é importante promover a melhoria do transporte público, uma vez que só com menos carros nas ruas o trânsito vai melhorar.   

  

Num panorama geral das características da mobilidade urbana no Brasil, em qual nível Londrina se encontra?   

A mobilidade em Londrina é menor do que em outras cidades brasileiras de mesmo porte, como Cuiabá ou Niterói. Isto ocorre porque se deslocar no município é difícil, especialmente para quem não tem carro. O transporte coletivo foi pouco priorizado em Londrina e a forma como a cidade se desenvolveu o torna pouco atrativo e muito custoso. Isso é muito prejudicial para parcela da população que depende desse tipo de transporte.  

  

Como o sr. analisa o assunto em termos de Brasil e como estamos em relação a outros países?  

O planejamento no Brasil ainda tem a mentalidade de país jovem, mas nossa pirâmide etária está mudando e não estamos preparados para isso. As cidades, em geral, se espalharam muito e o uso do transporte público fica cada vez mais difícil. Nossas calçadas, em todo o Brasil, são ruins e isso dificulta a caminhada ou o uso de cadeira de rodas.  

  

Qual seria o cenário perfeito? Como seria possível se aproximar de um plano perfeito diante da realidade londrinense?  

O cenário perfeito seria possível se a cidade tivesse crescido de forma orientada à mobilidade. Dessa maneira o adensamento teria acontecido onde há uma rede de transporte coletivo e se evitaria a expansão horizontal. Isso reduz o custo de cada cidadão para se locomover. Hoje, a cidade já está estruturada e fica muito mais difícil aumentar capacidade das vias públicas e melhorar a fluidez. O Plano de Mobilidade não atua sozinho e precisa se integrar a outros planos do município.  

  

Em Londrina, poderíamos ter um metrô, por exemplo? O planejamento de cidade 80 anos atrás impede algumas soluções? Esse é um problema para muitas cidades brasileiras?  

Um transporte de alta capacidade não faz sentido em Londrina e, provavelmente, vai continuar não fazendo sentido nem no longo prazo, pois a cidade é pouco densa. Um metrô em Londrina operaria com intervalo muito longo, tipo um trem por hora ou teria que operar praticamente vazio, o que é muito custoso. Este raciocínio se estende para qualquer outro meio de transporte de altíssima capacidade, como monotrilho ou o maglev, o comboio de levitação magnética.  

  

Como melhorar o transporte público e torná-lo mais atrativo?  

O transporte público é mais eficiente conforme tem mais passageiros. É dessa maneira que conseguimos colocar mais linhas em operação, reduzir intervalos, melhorar a cobertura, aumentar o conforto nos veículos. O transporte coletivo precisa ter novas fontes de recurso para melhorar a qualidade, aumentar o número de passageiros e entrar em um círculo virtuoso. Hoje, a tarifa também acaba sendo muito elevada, pois o subsídio a estudantes e idosos é pago pelos demais usuários, quando na verdade deveria ser pago pela população em geral. No mais, temos que nos preparar para encaixar o transporte sob demanda - com os ônibus num sistema ainda novo chamado de maas mobility as servisse (MaaS) e os carros por aplicativos - como complemento ao transporte público e não como concorrência. As pessoas buscam usar o transporte mais rápido, mais seguro, mais confortável e dentro do seu orçamento. Hoje, o transporte coletivo e o transporte não motorizado não conseguem atender a todas essas necessidades. Mas se a cidade não pensar em como melhorar o transporte coletivo, só teremos mais carros e motos nas ruas e o trânsito só vai piorar para todos.


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