3ª GUERRA MUNDIAL?

Conflito entre EUA e Irã cria tensão mundial e gera incertezas nas relações internacionais

Marco Ferreto / Especial para a FOLHA
Marco Ferreto / Especial para a FOLHA

3ª GUERRA MUNDIAL?
 


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Um ataque de drones dos Estados Unidos ao aeroporto de Bagdá, no Iraque, matou no dia 2 de janeiro o general Qasem Soleimani, considerado o segundo homem mais poderoso do Irã e que liderava as operações militares iranianas no Oriente Médio. O bombardeio foi ordenado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O Irã prometeu resposta, atacou bases no Iraque que abrigam forças americanas e anunciou que o trabalho de enriquecimento de urânio não respeitará mais o acordo nuclear de 2015, que fixava o processo de enriquecimento em 3,6%, e que sua produção não terá mais limites. Isso pode significar a fabricação de armas nucleares no futuro.  

 

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Na internet, o assunto "Terceira Guerra Mundial" foi logo parar entre os mais comentados do Twitter. Foram mais de 400 mil menções em menos de 24 horas. Mas será que o mundo corre mesmo o risco de um grande conflito, como os ocorridos entre 1914 e 1918 e 1939 e 1945?  



 

 

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"Sem contexto, irmão!"


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Especialistas acreditam que a guerra imaginada nas redes sociais não deve acontecer. Como justificativa, o Irã é apontado como uma força regional e sem peso para envolver potências globais no conflito. Sem Rússia, China ou a União Europeia medindo forças com os Estados Unidos, não há contexto para uma guerra com dimensões globais. 

 

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"A Primeira e a Segunda Guerras ocorreram na Europa, onde estavam as principais potências, com participação da então União Soviética, Estados Unidos, China e Japão. Não vai ter guerra agora porque um conflito com o Irã não possui uma dimensão internacional", avalia o professor de Relações Internacionais das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Manuel da Furriela. “Precisaria ser um confronto entre várias correntes do mundo, e o Irã não representa uma corrente, mas a si próprio e a alguns grupos religiosos de países como o Iraque. Então não vai haver um conflito desse tamanho, não há como se construir algo desse gênero”, complementa. “A possibilidade é remotíssima devido ao atual xadrez político internacional. Uma guerra assim afetaria o comércio internacional, a economia e outros países importantes e influentes, que não têm interesse em deixar que a crise chegue a esse nível”, avalia o professor de Relações Internacionais do Ibmec, Ricardo Caichiolo. Líderes de França, Inglaterra e Alemanha já se manifestaram pedindo calma e diálogo. 

 

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A professora de Política Internacional da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Danielle Ayres, concorda. "Os EUA são a maior potência militar mundial. Não é fácil declarar uma guerra contra eles, especialmente sendo o Irã. E a guerra atual não é mais a do passado. O mundo ocidental tem medo, mas a guerra talvez não seja a que a gente está imaginando na nossa consciência. Se realmente chegar ao ponto de uma guerra, será de atentados terroristas, embaixadas como alvos e ataques cibernéticos, que são baratos e podem causar um problema na vida cotidiana das pessoas. O Irã já passou por isso quando foi atacado por um vírus de computador nas suas usinas nucleares”, aponta, relembrando o ataque do vírus Stuxnet, em 2010. 


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Então qual o motivo de tanta agitação na internet?  


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A resposta talvez esteja na antropologia. “As redes sociais viraram um grande palco e quanto maior a força de um assunto, mais ele repercute, mais as pessoas querem participar, fazer parte. O medo de uma guerra, de um conflito, é algo grande, que mexe com o medo da morte, é um imaginário que assusta. Então desperta esse tipo de reação, mesmo que, quando analisada racionalmente, a possibilidade de acontecer uma guerra seja pequena”, avalia a antropóloga Maria Cristina Neves. A sombra de um conflito com armas nucleares, como as que devastaram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial, ronda o mundo há décadas.  


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Atualmente, nove países - Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel - possuem as cerca de 14 mil armas nucleares do planeta. O número fica abaixo do pico de 70 mil, alcançado em 1986, segundo a Federação de Cientistas Americanos. Estudos mostram, no entanto, que o uso de apenas 2 mil armas nucleares emitiria 150 milhões de toneladas de fumaça na atmosfera, o suficiente para a extinção dos seres humanos.  


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Batalha de Memes: Humor 7 X Tensão Bélica 1

 

Apesar do assunto tenso e sério, os brasileiros responderam, obviamente, com memes nas redes sociais. Tem garota olhando pro céu e sorrindo ao lado de frases como “vendo o foguete e fazendo pedido achando que é estrela cadente”, Homer Simpson escondido atrás de um arbusto com a frase “verás que um filho teu não foge à luta”, Ronaldinho Gaúcho criança driblando soldados, diversas frases no Google Translator e, claro, Gretchen.  

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A enxurrada de montagens chamou até a atenção de um jornalista do Irã, Pooya Jahandar. Ele traduziu o material em uma reportagem na TV, mostrando as reações bem-humoradas dos brasileiros, que avisam que o Brasil não está pronto para a Terceira Guerra Mundial. E, via Twitter, mandou um recado, em português. "Meus queridos amigos do Brasil, não se preocupem porque o Irã só tem problemas com os Estados Unidos, obrigado pelos vossos comentários e humor, vou ao Brasil para o Carnaval", escreveu Jahandar. Dois dias depois, ele voltou ao assunto. “Obrigado querido povo do Brasil, graças ao vosso carinho e amor, o meu tweet quebrou um recorde no Irã, mas o que eu gostaria de quebrar era um recorde de paz e amor no mundo, todos juntos e em união podemos sonhar com esse dia”, complementou. 

 



A antropóloga Maria Cristina Neves diz que não esperava outra coisa. “É essa, digamos, bagunça. Tem o pânico de um conflito, tem discussões acaloradas, tem a piada que vira meme e se espalha. A internet e as redes sociais vão continuar a dar vazão a esse tipo de coisa, não acredito que o comportamento seria diferente nem mesmo com uma guerra realmente acontecendo. Como disse anteriormente, é um palco, cada um utiliza de um modo”, analisa. 

 


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