Combate à acne


Érika GonçalvesReportagem Local
Érika GonçalvesReportagem Local

Acne não é só coisa de adolescente. É certo que na idade em que os hormônios estão em ebulição ela acaba aparecendo em maior quantidade, mas mesmo as mulheres maduras estão sujeitas ao problema.

Segundo Denise Steiner, coordenadora científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), além dos adolescentes, as mulheres com maior sensibilidade aos hormônios são as mais afetadas pela acne. "A grande novidade é que hoje há trabalhos mostrando que a inflamação é a causa principal. A pele da pessoa com acne reage muito facilmente à irritação ou danos da barreira cutânea, desencadeando o restante da cascata inflamatória, passando pelo excesso da produção sebácea e hiperqueratinização e ação excessiva das bactérias. A novidade é que podemos tratar a inflamação com alguns tipos de luz (LED) e lasers, diminuindo a inflamação", destaca.

Denise também aponta que o uso da isotretinoína sistêmica, no caso da acne na puberdade, é clássico, por ser o mais efetivo e mais conhecido tratamento, mas também com várias contraindicações, como a gravidez durante o uso da substância. Nesses casos a recomendação é a terapia fotodinâmica.

"Trata-se do uso de um creme que é espalhado na região da acne, por exemplo, o ácido aminolevulínico que tem atração pelas glândulas sebáceas da região onde ficam a inflamação e as bactérias. Essa substância deixa o local sensibilizado e após cerca de duas horas é aplicada uma luz que vai diretamente para o local afetado, promovendo a destruição de algumas glândulas. São feitas, em geral, de quatro a cinco sessões com intervalo de um mês", explica Denise.

A dermatologista diz que no caso de mulheres adultas, o tratamento também pode ser realizado com pílulas anticoncepcionais com progestágenos antiandrogênicos, ou seja, uma parte da composição da pílula neutraliza os hormônios masculinos. Também pode ser usada a metformina nas mulheres que têm ovário policístico associado.

Outro ponto bastante estudado em relação à acne e que também aponta novidades está relacionado à alimentação. Se há alguns anos o chocolate era apontado como o grande vilão, hoje a ciência já sabe que os alimentos com alto índice glicêmico e o leite e derivados devem ser controlados e evitados, pois pioram a acne.

"Isso acontece pois eles estimulam a produção e a ação do hormônio de crescimento (insulina-like), que é um dos principais hormônios estimuladores da acne", explica Denise. Evitar carboidrato, leite, queijo, iogurte e principalmente os suplementos de academia com proteínas do leite é a recomendação da especialista.
Também em relação à acne, a genética tem um papel fundamental em conjunto com o ambiente. "O modo de reagir pode ser diferente de indivíduo para indivíduo. Aqueles que têm pai e mãe com acne vão ter uma resposta inata mais exagerada, fazendo com que a inflamação e também a ação hormonal e a resposta da pele sejam intensas", explica.
"O fenômeno da epigenética (influência do meio ambiente no comportamento genético) também afeta os pacientes com acne. Isso quer dizer que o ambiente pode influenciar e fazer com que os genes se expressem de forma mais intensa. Significa que o calor e a umidade excessiva, assim como dieta com leite e derivados do leite, alimentos que tenham muito carboidrato, assim como alguns antidepressivos e complexo B, devem ser evitados. Alguns medicamentos como lítio, anticonvulsionantes, rifampicina, cloro, entre outros, podem piorar a acne e estimular a maior inflamação", completa a dermatologista.

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