ENTREVISTA | Caso da naja e o tráfico de animais no Brasil


O que a princípio parecia mais um acidente doméstico com animal peçonhento passou a ser um dos assuntos mais comentados neste mês e jogou luz sobre o tráfico de animais silvestres e exóticos no Brasil, uma atividade que possivelmente movimenta cerca de US$ 3 bilhões anualmente, em todo o País.  No dia 7 de julho, um estudante de medicina veterinária de 22 anos, de Brasília (DF), ficou em coma ao ser picado por uma cobra naja, uma das mais venenosas do mundo e que vive em regiões da África e sudoeste asiático. Depois do acidente, outros animais mantidos em criadouros clandestinos vêm sendo revelados. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) divulgou que desde 8 de julho 32 serpentes foram resgatadas pelo órgão por meio de ações integradas entre policiais equipes ambientais. Também foram descobertos tubarões e lagartos, e houve entregas voluntárias de duas serpentes.

O jovem picado pela naja poderá responder por outras 16 cobras encontradas em um haras, em Planaltina, se confirmada sua participação. Segundo Ibama, o estudante será multado em mais de R$ 61 mil, por maus-tratos e por manter serpentes nativas e exóticos em cativeiro sem autorização. Traficar e manter animais silvestres presos são crimes ambientais, com pena de detenção (de seis meses a um ano), multa e assinatura de TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência). Já em situações de maus-tratos, a multa pode chegar a R$ 5 mil. 



O episódio colocou em alerta entidades como a ONG Renctas, que há 20 anos trabalha para proteger e conservar a biodiversidade brasileira através do combate ao tráfico de animais silvestres. A ONG fica em Brasília e o coordenador-geral, o jornalista Dener Giovanini, atua em causas ambientais há quase 40 anos. Ele explica que o tráfico se caracteriza pela retirada ilegal de um animal da natureza, independente da finalidade. E observa que de cada dez animais nove morrem durante a captura ou no transporte. “É um mercado muito cruel”, afirma.



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