O que aprendi com Roger Scruton

Filósofo britânico, morto aos 75 anos, é uma das principais referências do conservadorismo em nosso tempo

Foi com imensa tristeza que recebi, neste domingo (12), a notícia da morte do filósofo britânico Roger Scruton. A luta contra o câncer, nos últimos seis meses, foi apenas a última de suas batalhas — e possivelmente a única da qual ele não saiu vitorioso.

O que aprendi com Roger Scruton
Divulgação-Princeton University
 



Em 75 anos de vida, Sir Roger Scruton fez grandes realizações no campo da alta cultura e tornou-se uma das mais importantes referências do pensamento conservador em nosso tempo. Autor de mais de 50 livros, escreveu sobre filosofia, estética, política, moral, arquitetura, religião, música, ecologia e até vinhos.




Scruton era um perfeito desconhecido no Brasil até que o filósofo Olavo de Carvalho o citasse em seu livro “A Nova Era e a Revolução Cultural”, de 1993. Mas os leitores brasileiros ainda teriam que esperar mais de 15 anos até que as obras de Scruton começassem a ser editadas no país.


A obra de Scruton que primeiramente me chamou a atenção foi “Pensadores da Nova Esquerda”, escrito em 1985. O livro é composto por ensaios devastadores sobre ícones da esquerda ocidental como Antonio Gramsci, Gyorgy Lukács, Eric Hobsbawm, Louis Althusser, Michel Foucault, Jürgen Habermas e Jean-Paul Sartre. A cada capítulo, ele desconstrói um medalhão esquerdista com a habilidade de um mestre dialético. A obra foi republicada pelo autor em 2014 com o título de “Tolos, Fraudes e Militantes”, agora incluindo novos ídolos da esquerda, como Edward Said, Alain Badiou e Slavoj Zizek.


A concepção de “Pensadores da Nova Esquerda” tem raízes experiência pessoal de Scruton. Nos anos 80, ele integrou uma rede clandestina de cursos e publicações nos países da Cortina de Ferro. Seus alunos eram dissidentes banidos do sistema universitário comunista na Hungria, Polônia e Tchecoslováquia. Conhecendo de perto os horrores do socialismo no Leste Europeu, Scruton lutou com vigor para que tais horrores não se reproduzissem no Ocidente.


Se você pretende conhecer o pensamento de Roger Scruton, indico o livro “Como Ser um Conservador”, com tradução do meu amigo Bruno Garschagen. Nesta obra essencial, Scruton percorre as principais correntes políticas do mundo atual, separando os elementos de verdade e mentira contidos no nacionalismo, socialismo, capitalismo, liberalismo, multiculturalismo, ambientalismo, internacionalismo e conservadorismo. Trata-se de um exercício intelectual com a rara qualidade de combinar erudição, rigor e clareza, agradando a iniciantes e iniciados.


Recomendo fortemente também o documentário “Why Beauty Matters?”, em que o filósofo faz uma reflexão sobre o papel da beleza, da arte e da alta cultura na sobrevivência da humanidade. Há uma versão disponível gratuitamente na internet.




Encerro esta pequena homenagem com uma pequena definição de Scruton numa entrevista concedida a meu amigo  Taiguara Fernandes de Sousa: “Conservadorismo significa encontrar o que você ama e agir para proteger isso. A alternativa é encontrar o que você odeia e tentar destruir. Certamente a primeira alternativa é um modo melhor de viver do que a segunda”.

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