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Terça-feira, 23 de Maio de 2017
Saúde
20/03/2017

O mau sono de todo dia

A rotina atribulada e o uso de mídias digitais têm sido os maiores inimigos do sono de qualidade; "estamos enganando nossos relógios biológicos", diz especialista

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Gustavo Carneiro
Gustavo Carneiro - O analista de sistemas Luiz Alberto de Paula Junior, de 36 anos,  costuma dormir três horas por noite:
O analista de sistemas Luiz Alberto de Paula Junior, de 36 anos, costuma dormir três horas por noite: "Isso acontece desde a adolescência"


Na sexta-feira (17) foi comemorado o Dia Mundial do Sono, uma data para refletir se estamos realmente dormindo bem. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 30% a 45% da população mundial sofrem com algum distúrbio do sono.

Estatística que representa o analista de sistemas Luiz Alberto de Paula Junior, de 36 anos. Por dia, ele costuma dormir cerca de três horas, quando não passa a madrugada inteira acordado.
"Isso acontece desde a adolescência, mas com 22 anos, depois de ficar 48 horas sem dormir, procurei um psicólogo que me disse que tudo isso era por conta da minha ansiedade", revela. Nesse período, ele chegou a engordar 20 quilos. "Eu ficava acordado e, quando batia a fome, pedia uma pizza", diz.

Hoje, quando De Paula Junior percebe que o sono não vem e o relógio já aponta altas horas, muitas vezes ele recorre ao relaxante muscular. "Sei que daqui um tempo isso terá um reflexo ainda maior. Minha imunidade já é uma montanha-russa", comenta.

Assim como o analista de sistemas, todos sabem que o sono de qualidade é vital para a saúde, mas o que os cientistas estão avaliando agora são os agentes que estão acabando com ele. A entidade norte-americana National Sleep Foundation publicou um artigo, por exemplo, que relaciona o uso de mídias eletrônicas e o sono.



O estudo teve a participação de alunos das oitava e nona séries. Os adolescentes com hábito de mídia excessiva relataram ter experimentado problemas diurnos relacionados ao sono. Mas não é preciso ir longe para constatar isso.

O neurocientista coordenador do Laboratório de Cronobiologia Humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fernando Mazzilli Louzada, tem investigado há três décadas como o organismo controla os ritmos biológicos (sistema de temporização), chamados popularmente de relógio biológico. O que se sabe, segundo ele, é que as mídias eletrônicas reduzem a duração do sono por dois motivos. O primeiro é o estímulo luminoso que faz com que o organismo permaneça "acordado", e em segundo, porque ativam o cérebro, principalmente quando envolve a interação social.

"O aparelho celular é pior que a televisão porque a interação social cria uma ideia de continuidade", cita o neurocientista. Quem pode afirmar isso é o De Paula Junior, que aproveita a noite para trabalhar ainda mais, assistir televisão e navegar pelo celular. "Também gosto de cozinhar, que acaba sendo meu descanso mental. Mas acho que tudo isso também tem relação com minha área de atuação, pois é uma nova informação a cada segundo. São muitos estímulos", completa ele, que é proprietário de uma agência de desenvolvimento.

CRONOBIOLOGIA
A ciência que estuda os ritmos biológicos é chamada de cronobiologia, que, apesar de consolidada há muito anos, não é amplamente divulgada. Na prática, Louzada busca entender melhor o que ele chama de ciclo sono/vigília humano. "Os ritmos mais estudados são esses que têm o período de 24 horas, acompanhando o claro e o escuro ambiental. O nosso relógio biológico controla, por exemplo, o sono e a hora de acordar", comenta. Sendo assim, ele explica que, apesar de parecer simples, mudar radicalmente os horários de dormir ou se privar do sono traz limites e consequências.

Além da memória e aprendizagem, uma boa noite de sono também é fundamental para o controle do metabolismo do organismo. Quando não dormimos bem, em curto prazo as consequências vão desde o aumento da sonolência, alteração de humor e apetite.

Já a longo prazo, pode haver aumento de peso, surgimento de doenças metabólicas como o diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, entre outros. "A gente começa a sentir os efeitos crônicos dessa desorganização do relógio biológico", aponta.

Segundo o neurocientista, a luz é o sinal mais importante para nosso sistema nervoso saber se é dia ou noite; e assim ele procura se ajustar fazendo com que a gente se mantenha ativo de manhã e repouse à noite. "Basta lembrar que antes do advento do relógio, da energia elétrica, o sinal que nosso corpo tinha era o claro e o escuro. Com a invenção da luz artificial, passamos a enganar nosso cérebro. Ficamos acordados até tarde da noite e ele (cérebro) entende que é de dia, que não anoiteceu. Então, estamos enganando nossos relógios biológicos. A espécie humana é diurna, ela foi construída ao longo da evolução para concentrar a atividade durante o dia e o repouso durante a noite. O sono bom é o da noite", sustenta ele, que é secretário geral da Associação Brasileira do Sono regional do Paraná.

Tentativa de pagar o débito
Quem nunca pensou em dormir umas horas a mais para ficar acordado até mais tarde? Ou então, usou a expressão de que está com "sono acumulado"? O neurocientista especialista em cronobiologia, Fernando Louzada, explica que o débito de sono existe, mas o crédito não. "Não adianta você dormir a mais nas férias para ir gastando como um banco de horas. Agora, cada vez que você dorme menos, o seu organismo pede para você dormir mais cedo. Além disso, há uma mudança na qualidade sono, pois você o aprofunda mais cedo para tentar recompensar. É o que a gente chama de rebote", explica.

Um bom exemplo disso é a pessoa dormir seis horas durante a semana e no sábado e domingo dormir 10, 12 horas seguidas. "É uma tentativa de pagar o débito", afirma. Entretanto, Louzada salienta que está conta não é matemática. "Até porque quando se passa muito tempo na cama, a qualidade de sono diminui", acrescenta.

Em relação ao hábito noturno, o especialista diz que há pessoas com maior ou menor tolerância, mas reforça que não há possibilidade de ajuste. "O que se estuda é o que pode ser feito para atenuar o sofrimento, o que envolve por exemplo, hábitos saudáveis. A sesta é útil e benéfica, mas não substitui plenamente o sono noturno", aponta.

Quem sabe muito bem disso é Andresa Bego, de 40 anos. Ela trabalha há nove anos em bares e boates atendendo mesas. Ela entra no trabalho às 20 horas e não tem hora para ir embora. "Em casa, não consigo chegar e dormir. Vou comer alguma coisa, assistir TV e olhar o celular", conta.

No dia seguinte, às 10 horas ela está de pé para buscar a filha na mãe, voltar para casa, preparar o almoço e já sair de novo para levá-la à escola. "Tem dias que tiro uma soneca à tarde, mas acordo cansada e frequentemente tenho enxaqueca. Eu queria muito trabalhar durante o dia, mas o salário não é o mesmo", lamenta.

No início, Andresa demorou cerca de três meses para se acostumar com a nova rotina. "Sentia sono o tempo todo, mas agora é mais tranquilo. Sei que isso não é qualidade de vida, mas eu preciso deste trabalho", desabafa. (M.O.)

‘É uma mudança de comportamento’
A psicóloga Séphora Cordeiro, de Londrina, observa que a forma com que estamos levando a vida, com muitos objetivos, está nos privando do sono de qualidade. "As pessoas estabelecem um objetivo e vai atrás dele independente do que vai ser levado nesse meio do caminho. Então, elas acabam tirando o tempo da hora de comer, da hora de dormir e do lazer. É como viver em função do trabalho", completa.

Nesta avaliação dos principais fatores que provocam alterações no sono, a psicóloga também cita as redes sociais. "São os chamados ladrões de tempo. As mídias nos consomem atualmente e interferem fisiologicamente no sono. Tudo isso vai virando um ciclo no dia a dia", ressalta.
Sob esta realidade, Séphora explica que a Psicologia pode trabalhar em torno do problema, como por exemplo, na diminuição da ansiedade. Nesse sentido, ela cita técnicas de higiene do sono. "É você criar uma rotina para seu corpo saber que você está se preparando para dormir. Você começa a desacelerar, faz uma refeição adequada para aquele horário, diminui a intensidade de luz e elimina toda mídia que possa estar presente no quarto. É uma mudança de comportamento mesmo", aponta a especialista do Núcleo Evoluir. (M.O.)
Micaela Orikasa
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