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Reportagem

Paraná deixa de contratar 47 mil jovens aprendizes

Exigência de mais qualificação e falta de conhecimento são alguns dos principais motivos; situação deve mudar com obrigatoriedade do eSocial

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Mesmo entre os estados que mais admitiram aprendizes, o Paraná deixou de contratar 47 mil jovens no primeiro semestre de 2017. Os dados são do Ministério do Trabalho. O número é calculado a partir do contingente potencial de aprendizes (60.024) e da quantidade de jovens efetivamente empregados (12.155) no Estado. Ou seja, o Paraná tinha, nos primeiros seis meses do ano, apenas 20,25% do seu potencial de aprendizes. Apenas São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul contrataram mais aprendizes que o Estado na primeira metade de 2017.
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Na visão do procurador do MPT (Ministério Público do Trabalho) no Paraná, Marcelo Adriano da Silva, o deficit se deve às exigências das empresas, que têm preferência por funcionários mais experientes. "As empresas normalmente querem pessoas com experiência, focam no aspecto da produção que o empregado vai agregar. Mas sabe-se que com a aprendizagem o foco não é a produção, e sim a formação profissional", ressalta Silva.
O procurador lembra que a Lei da Aprendizagem é uma oportunidade de as empresas formarem profissionais com o seu perfil. "Hoje o principal gargalo é a formação profissional." Mesmo assim, as empresas não cumprem a lei. "Como muitas leis que não são cumpridas espontaneamente e dependem de fiscalização."
A partir de janeiro do ano que vem, a expectativa é que a contratação de aprendizes aumente. Isso porque, entrará em vigor a obrigatoriedade do uso do eSocial para empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões anuais. A partir de 1° de julho de 2018, a obrigatoriedade é ampliada para todos os demais empregadores do País.
Por meio do eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas), instituído pelo decreto 8.373/2014, os empregadores passarão a comunicar ao governo, de forma unificada, informações relativas aos trabalhadores, como vínculos, contribuições previdenciárias, folha de pagamento, comunicações de acidente de trabalho, aviso prévio, escriturações fiscais e informações sobre o FGTS. O objetivo é simplificar a prestação das informações referentes às obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas pelas empresas.
Segundo Fábio Fernandes, gerente de Recursos Humanos da Roit Consultoria e Contabilidade, o eSocial fará o cruzamento dos dados das empresas e dos registros em carteira dos jovens, e a companhia que não tiver a quantidade necessária de aprendizes, será multada automaticamente. A multa, alerta, é de R$ 402 por aprendiz não contratado, valor que dobra em caso de reincidências. "Esse número (de aprendizes contratados) vai dobrar", enfatiza Fernandes.
A Lei da Aprendizagem obriga que estabelecimentos de qualquer natureza empreguem e matriculem nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem, escolas técnicas ou entidades qualificadas, aprendizes em quantidade equivalente a no mínimo 5% e no máximo 15% do quadro de funcionários cujas funções dependem de formação profissional. "Mas não são todas as empresas que são obrigadas (a contratar aprendizes)", ressalva o gerente de RH. "As de micro e pequeno porte estão desobrigadas."

Saulo Ohara
Saulo Ohara - Daniela Bandeira André: humildade, interesse e compromisso
Daniela Bandeira André: humildade, interesse e compromisso


"Hoje sou realizada"
O objetivo da Lei da Aprendizagem é proporcionar formação técnico-profissional a adolescentes e jovens de 14 a 24 anos, muitos em situação de vulnerabilidade social. Esse era o caso de Daniela Bandeira André. Aos 17 anos, ela ingressou no curso de auxiliar administrativo da Guarda Mirim e na empresa Indrel como jovem aprendiz. Hoje, aos 19, foi efetivada e está no segundo ano do curso de Ciências Sociais da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Ela atribui as conquistas ao programa de aprendizagem. "Se não fosse por isso, não estaria em uma universidade, não teria um emprego, não estaria bem comigo mesma."
Com o salário que começou a ganhar como jovem aprendiz, ela conta que pôde fazer sua inscrição no vestibular, ajudar nas finanças de casa e fazer viagens. "Uma pessoa pobre, negra e de periferia não tem visão de que o mundo pode te oferecer coisa melhor. Hoje sou uma pessoa realizada, consegui chegar onde cheguei com humildade, interesse e compromisso."
Guilherme Ullrich, de 20 anos, ingressou na Guarda Mirim quando ainda tinha 14 anos. Fez dois cursos da instituição e trabalhou como jovem aprendiz na Santa Casa, local que lhe oportunizou o contato com profissionais, inclusive uma arquiteta. Esse contato fez com que ele optasse pelo curso de arquitetura. Ele está no terceiro ano. "No mercado de trabalho você começa a se sentir membro da sociedade, começa a ter contato com outras profissões. Entrei com 14 anos, então minha visão ainda era de adolescente. Mas no meio de profissionais você começa a traçar seu plano de futuro", conta.

DESAFIO
A Indrel entrou na faixa de obrigatoriedade de contratação de aprendizes no ano passado, quando Daniela ingressou na empresa como jovem aprendiz. Agora, está com vagas abertas para mais três aprendizes nas áreas de almoxerifado, produção e no escritório. Eliane Pernia, coordenadora de recursos humanos da empresa, comenta que o grande desafio é fazer o acolhimento dos aprendizes, já que muitos deles vêm de uma situação de vulnerabilidade social. "Como os jovens vêm de uma convivência social, familiar cheia de conflitos, a empresa tem que fazer o acolhimento para ter êxito."
Por outro lado, a organização obtém ganhos com o jovem aprendiz, que após o período de vivência na empresa, se torna um bom funcionário. "Daniela era extremamente tímida, tinha dificuldade de comunicação, mas tem no perfil dela a habilidade de concentração e de dedicação. Ela abraça a oportunidade e não deixa passar."(M.F.C.)

Gina Mardones
Gina Mardones - A empresária Kimiko Yoshii, presidente da Guarda Mirim: formando bons cidadãos
A empresária Kimiko Yoshii, presidente da Guarda Mirim: formando bons cidadãos


Compromisso das empresas com a sociedade
Segundo Elisângela Cardoso, coordenadora de aprendizagem profissional da Guarda Mirim, entidade filantrópica que oferece formação profissional a aprendizes em Londrina, o índice de efetivação dos aprendizes da instituição é de cerca de 40%. No primeiro semestre de 2017, 120 jovens se formaram na Guarda Mirim, e a previsão é que mais 150 se formem no segundo semestre. Há parceria com mais de 180 empresas da região.
Para Cláudio Melo, gerente geral da Guarda, o programa de aprendizagem proporciona não apenas formação profissional aos jovens, mas também formação cidadã. "A Guarda forma, sim, para o trabalho, mas antes precisa dar uma base de cidadania para que o aprendiz consiga permanecer (na empresa). Não é só executar a função, é preciso se relacionar bem, trabalhar em grupo, saber se portar, aceitar o que outro está dizendo, ou não concordar, porém respeitar."
A empresária Kimiko Yoshii, presidente da Guarda Mirim, reitera que o programa de aprendizagem é um compromisso que as empresas, assim como todos os cidadãos, têm com a sociedade. "Não há mais como fugir da obrigação e deixar de devolver à sociedade. Muitos podem reclamar, mas na verdade (a aprendizagem) é um benefício que se está trazendo para a sociedade. Se cuidarmos dos nossos jovens hoje, amanhã teremos bons cidadãos."(M.F.C.)
Mie Francine Chiba
Reportagem Local
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