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Mundo
13/08/2017
ECOLOGIA E ESPORTE

Forest Green Rovers, o primeiro clube de futebol vegano

Clube da quarta divisão da Inglaterra adotou essa política em 2010

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Geoff Caddick/AFP
Geoff Caddick/AFP


Nailsworth - Bem-vindos ao Forest Green Rovers, que se tornou o primeiro clube de futebol profissional ecologista e vegano, depois de 128 anos de história e de um presidente nômade transformado em empresário. Em Nailsworth, uma pequena cidade de 6.000 habitantes localizada nas colinas de Costwolds (oeste da Inglaterra), Dale Vince e seus "Rovers" tentam transmitir uma mensagem através do futebol: um mundo diferente é possível.
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Como em qualquer canto da Inglaterra, no New Lawn o pequeno estádio do Forest Green, que recentemente ascendeu à quarta divisão, pode-se encontrar batatas fritas, tortas e cerveja, mas não "hotdogs", porque a carne é proibida. As tortas são veganas, a água para regar é reciclada, a pintura tem uma origem natural e a energia procede dos painéis solares colocados no teto das arquibancadas.

Há também estações para recarregar as baterias dos carros elétricos, e as camisetas do time exibem o logo da ONG Sea Shepherd, que trabalha com a proteção dos oceanos.

Apesar de sempre ter se chamado Forest Green (Floresta Verde), o clube só adotou esta política em 2010, com a chegada de Dale Vince, quando a entidade fundada em 1889 perto da fonte do Tâmisa estava afundada em um abismo financeiro. "Nos servimos do clube para nos dirigirmos a um público com o qual se fala pouco sobre os problemas ambientais: os fãs de futebol. Não damos sermão aos convencidos", explica Vince, que fundou a Ecotricity, "um híbrido entre uma ONG e uma empresa" especializado em energias renováveis.

"Não me vejo como um empresário; sou um 'ambientalista', assegura este antigo viajante de 53 anos, que construiu seu primeiro aerogerador em 1990, quando vivia em sua caminhonete "como um hippie" sobre uma colina atrás do estádio.

Mensagem e sucesso esportivo são "indivisíveis". "A mensagem tem mais peso se temos sucesso no campo. Temos um gramado biológico, mas isto não serve de nada se não formos excelentes. Seria inclusive negativo", acrescenta Vince, que sonha levar o modesto clube ao Championship (2ª divisão).

Ele pretende, ainda, trasladar o time "em três ou quatro anos" ao primeiro estádio completamente construído em madeira, já projetado pelo escritório de Zaha Hadid, e que abrigará um ecoparque com uma incubadora de 'start-ups' verdes.

"Não temos que nos contentar com ser 'bio', temos que ser veganos. Não utilizamos derivados de animais", diz o jardineiro Adam Witchell, mostrando as algas que utiliza para fertilizar a grama, "cheias de nutrientes" e que procedem das Ilhas Hébridas (Escócia). "Removo as ervas daninhas com a mão. É mais saudável para mim, para os jogadores e para as abelhas".

O que vale para o gramado, perfeito após a passagem de um robô cortador, vale para a comida servida aos jogadores e aos espectadores. "Eu era muito entusiasta com o desafio de tornar a comida vegana acessível a todos", afirma a chefe de cozinha Em Franklin. "Venham e provem: é bom, é saudável para seu corpo e para o meio ambiente! (...) Me disseram que as vendas aumentaram. A confiança se constrói".

"Não é difícil fornecer aos atletas os nutrientes que necessitam, e especialmente as proteínas", acrescenta a chef, após preparar o prato da partida: um curry com ervilhas.

E no campo, tudo funciona bem. "Os jogadores estão muito em forma, como vimos na prorrogação", diz o técnico Mark Cooper, após sua derrota contra o Milton Keynes (de terceira divisão) na Copa da Liga (1-0) na quarta-feira (9). "Sergio Agüero diz que durante a temporada é só vegano. Se isto funciona com um dos melhores jogadores do mundo, também deveria servir para nós".

"Me tornei vegetariano há seis meses. Não pensava nisso antes e realmente gostava do meu sanduíche de bacon no domingo de manhã", brinca o técnico. "Mas aqui, isso começa a te impregnar. (...) Aliás, tenho uma mensagem para a prefeitura: Façam as lixeiras maiores e as pessoas vão reciclar mais!".

PAPELÃO COM MOLHO
E os torcedores, o que dizem de tudo isso? No bar-restaurante, Paul não gostou do hambúrguer vegetal. "É papelão com molho picante. Não me oponho, mas gostaria de poder escolher".Do seu lado, Martin, mecânico, afirma: "Gostei do que pedi. Não é o que eu mais gosto, mas se tem uma cara boa, eu provo".

Os clientes sentem fata do popular "fish and chips" e concordam em uma coisa: "Com leite de soja, o chá é nojento. Somos obrigados a beber cerveja", diz um dos torcedores.
France Presse
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