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Mundo

EUA reconhecem Jerusalém como capital de Israel

Sob críticas e advertências de líderes mundiais, Donald Trump cumpre promessa de campanha e determina transferência da embaixada em Tel Aviv para a Cidade Santa

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Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP - Donald Trump fez anúncio na Casa Branca:
Donald Trump fez anúncio na Casa Branca: "Isso não é nada mais nada menos do que o reconhecimento da realidade"


São Paulo - Revertendo quase sete décadas de política externa americana, o presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (6) que os Estados Unidos passam a reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e determinou o início dos preparativos para a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a "cidade sagrada".
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"Determinei que este é o momento de reconhecer oficialmente Jerusalém como a capital de Israel", disse Trump em pronunciamento na Casa Branca. "Isso não é nada mais nada menos do que o reconhecimento da realidade."
Trump descreveu a ação como um "passo há muito devido" para avançar um processo de paz no Oriente Médio que seja duradouro. As negociações entre israelenses e palestinos estão atualmente congeladas.
Nesse sentido, Trump falou que a medida não equivale a uma tomada de posição sobre a fronteiras contestadas entre palestinos e israelenses e que isso passa pelas negociações em torno da solução de dois Estados - pela primeira vez endossada pessoalmente pelo presidente americano.
"Não estamos demarcando as futuras fronteiras de uma Jerusalém de soberania israelense ou a resolução de fronteiras contestadas", afirmou. "Essas questões cabem às partes envolvidas."
Ele disse, ainda, que "os EUA permanecem comprometidos a ajudar a facilitar um acordo de paz que seja aceitável para ambos os lados". "Sem dúvida, Jerusalém é um dos temas mais delicados nessas conversas. Os EUA apoiariam uma solução de dois Estados caso isso seja acordado por ambas as partes."
"Jerusalém não é só o coração de três grandes religiões, mas o coração de uma das democracias mais bem sucedidas do mundo", continuou o presidente americano. "Jerusalém é e deve continuar aberta à fé de três religiões, onde os judeus rezam no Muro das Lamentações, cristãos caminham pela Via Crucis e muçulmanos rezam na mesquita de Al Aqsa."

HISTÓRICO
A ação isola os EUA em um dos assuntos mais polêmicos da diplomacia. Líderes mundiais de diversos países - aliados e rivais dos EUA - criticaram a decisão nesta quarta (6). Muitos temem que ela leve a um aumento da violência no Oriente Médio.
Israel conquistou a porção Oriental de Jerusalém em 1967, anexando-a em seguida e declarando toda a cidade como sua capital. A medida não foi reconhecida nem pelos EUA nem pela comunidade internacional, e maior parte dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv. Os palestinos, por sua vez, reivindicam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado.
A mudança da embaixada para Jerusalém foi uma promessa de Trump na campanha presidencial de 2016, para atender não apenas o lobby judaico mas também o evangélico.
Ele está amparado em um lei aprovada pelo Congresso americano em 1995, no governo do democrata Bill Clinton, que estabeleceu que a Embaixada dos EUA em Israel deveria ser transferida de Tel Aviv para Jerusalém. Mas a mesma lei, para evitar mergulhar a região novamente em instabilidade, permita ao presidente, a cada seis meses, adiar a mudança por mais um semestre alegando questões de segurança.
Desde Clinton, todos os presidentes dos EUA sempre emitiram a ordem impedindo a mudança, incluindo Trump em junho. O prazo para ele dar a ordem adiando a transferência por mais seis meses havia vencido no último dia 4.
Os preparativos para a transferência da embaixada terão início daqui a seis meses, e estima-se que o processo leve anos para ser concluído. "A nova embaixada, quando concluída, será um magnífico tributo à paz", afirmou Trump.
Das Agências
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