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Geral
14/03/2017
FEMINICÍDIO

TJ determina mudança de local e júri do caso Estela Pacheco é adiado

Vítima foi jogada do 12º andar de prédio no centro de Londrina em outubro de 2000

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O desembargador Clayton Camargo, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), determinou, em liminar, nesta segunda-feira (13), o desaforamento do júri popular do caso Estela Pacheco, no qual o agropecuarista Mauro Janene Costa é réu. Com a decisão, o júri popular marcado, que estava marcado para quinta-feira (16), foi adiado pela sexta vez.

De acordo com o advogado auxiliar do Ministério Público, Marcos Ticianelli, a defesa de Janene pediu para mudar o julgamento para outra cidade com o argumento de que o júri em Londrina estaria influenciado pela campanha "Justiça para Estela".

No entanto, segundo Ticianelli, o argumento não se sustenta, pois a filha de Estela, a jornalista Laila Pacheco Menechino, só pede que o caso seja julgado. "É muito diferente de um clamor público. Mas respeitamos o pedido e aguardamos a decisão", afirmou o advogado. A reportagem tentou entrar em contato com a advogada de defesa de Janene, Gabriela Roberta Silva, mas não obteve sucesso.

Estela Pacheco foi lançada do apartamento do réu Mauro Janene, no 12º andar do Edifício Diplomata, no centro de Londrina, no dia 14 de outubro de 2000. O processo é marcado por várias suspensões de audiências e julgamentos. O último adiamento do júri havia ocorrido em dezembro de 2014, devido a um habeas corpus impetrado pela defesa do réu no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido da defesa só foi julgado em abril do ano passado, cerca de um mês depois de Laila Menechino encaminhar uma carta manuscrita ao então presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, na tentativa de sensibilizar a corte sobre a demora no julgamento.

"Estava tudo suspenso no STF. Tinha tudo para julgar [o HC] e eles não julgavam. E era um período em que a política do País estava pegando fogo. Então, no Dia da Mulher do ano passado, fiz um apelo, de próprio punho e, em abril, o processo voltou a andar", contou Laila. Ela admite que não tem como saber se a carta teve alguma influência, mas ela prefere crer que sim.

Caso o crime tivesse ocorrido a partir de 10 de março de 2015, Janene seria acusado de homicídio qualificado, uma vez que seria enquadrado na nova lei de feminicídio, nome dado para o assassinato de uma mulher envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição feminina.

Desde 8 de março, Dia Internacional da Mulher, internautas que apoiam o movimento "Justiça para Estela" trocaram suas fotos de perfil nas redes sociais por uma foto da vítima, como forma de pressão para o que o réu fosse finalmente julgado.

A filha de Estela tinha apenas 14 anos quando foi informada da morte da mãe. "Era semana do saco cheio e eu estava visitando parentes em outra cidade. Quando aconteceu, ninguém conseguia me explicar direito o que tinha ocorrido", relatou.
Fernanda Circhia
Grupo Folha
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