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Segunda-feira, 22 de Maio de 2017
Folha Mais
13/05/2017

Quando a vida se rende à arte

É quase impossível dissociar nosso dia a dia do cinema. Conheça algumas pessoas que mantêm uma íntima relação com a sétima arte

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Ricardo Chicarelli
Ricardo Chicarelli -
"Encontramos Deus no cinema, os filmes nos ajudam a compreender a nós, aos outros e a Deus também", diz o padre Antônio Fiori, que usa a sétima arte nas suas homilias


O mundo do cinema é infinitamente rico e é quase impossível alguém que não tenha uma história relacionada a esse universo. Filmes preferidos, aquele que queremos ver inúmeras vezes, aquele que conta a sua história de vida, o que te faz chorar todas as vezes, o que você foi assistir com o seu primeiro amor.

Foi na infância que o padre Antônio Fiori aprendeu a gostar de cinema. Ele conta que na paróquia em que fazia o catecismo havia um cinema, então as crianças iam por causa da matinê. Se mudando de Ibiporã para Santo Inácio, ele competia com outros garotos para levar a placa de propaganda dos filmes de volta para o cinema, para ganhar um ingresso.

"Isso me ensinou a amar o cinema. Não sou cinéfilo, apenas gosto. E gostaria que as pessoas gostassem do cinema também. Devemos buscar a Deus em todas as coisas e encontramos Deus no cinema, os filmes nos ajudam a compreender a nós, aos outros e a Deus também", diz.

O padre acredita que todos os filmes formam como que um teclado de piano, onde todas as teclas já foram tocadas. "Em todos os gêneros eu consigo ver o ser humano, o cinema move o meu coração. Antigamente eu gostava de ir ao cinema com os amigos, depois conversar, tomar refrigerante. Agora assisto mais no meu quarto mesmo, na internet ou nos DVDs, não vou tanto ao cinema porque ficou mais longe para mim", justifica.

Padre Fiori também fez três cursos sobre cinema aplicados à Educação e por isso aprendeu a usar os filmes em suas homilias e trabalhos com famílias e jovens. Ele confessa que em algumas ocasiões também indica filmes para serem assistidos como forma de penitência, principalmente para os jovens. "Nós assistíamos, discutíamos os filmes. Se souber usar o cinema é um ótimo instrumento para padres e professores. Nunca vi o cinema como puro entretenimento, é algo ativo, você se pergunta o porquê daquela cena, ele (cinema) te responde e te faz outra pergunta. Você pega gosto pelo cinema, fica exigente, não quer mais assistir qualquer coisa", afirma.



O religioso tem vários cadernos onde anota trechos de filmes que posteriormente podem servir de material para suas homilias. "Com o cinema podemos também conhecer outras culturas, outros países. Tem filmes belíssimos de outros países, como o cinema alemão, iraniano, japonês e russo."

Padre Fiori tem mais de dois mil filmes em DVD e entre os seus preferidos estão "Era uma vez no oeste", com o qual ele sempre se emociona, e "Doutor Jivago". Audrey Hepburn é uma de suas atrizes favoritas e para as trilhas sonoras o mestre Enio Morricone é o eleito. "Só não gosto de filme de pancadaria, não assisto a um filme apenas por ver, então leio as críticas, me informo para selecionar. Lamento que atualmente se perdeu um pouco a qualidade das produções."
Érika Gonçalves
Reportagem Local
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