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Folha Mais
09/09/2017

Pais têm papel fundamental na boa relação entre os irmãos

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Nossos irmãos são nossos primeiros amigos e também nossos primeiros adversários. É através deles que descobrimos nossas emoções e amadurecemos. Relações entre irmãos podem ser marcadas por amor e ódio, principalmente na infância, e o modo como os pais lidam com os filhos pode fazer toda a diferença. Há poucos dias fez sucesso na internet um vídeo mostrando a reação das crianças ao descobrir o sexo do irmãozinho ou irmãzinha que iria chegar. Enquanto alguns comemoravam, muitos choravam, principalmente se o bebê fosse do sexo oposto.
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"Em grande parte o conflito é por conta do espaço psíquico junto do pai e da mãe. Até os seis anos de idade esse espaço é mais disputado. Em geral o primeiro filho tem um espaço 'garantido', já o segundo precisa lutar por esse espaço. Às vezes o conflito surge já na gravidez, porque o irmão mais velho pode se sentir perdendo espaço para o mais novo", explica a terapeuta familiar Rute Gois, de Londrina.

A especialista conta que é normal o filho mais velho mudar o comportamento após a chegada do irmão, por isso é importante que os pais conversem sobre isso desde a gravidez, para ir preparando a criança. Na tentativa de protegê-la, muitos adiam o assunto e depois não sabem como lidar com as crianças. "Muitos optam por dar mais atenção ao filho mais velho e a mãe pode ficar estressada porque precisa dar atenção ao bebê. Dependendo da atitude dos pais isso pode piorar com o passar do tempo", alerta.

Com o crescimento dos filhos os pais também podem se deparar com crianças muito diferentes deles em termos de personalidade e ao dar mais espaço a um filho do que a outro, pode começar uma rivalidade entre eles. A psicóloga recomenda que os pais reservem um tempo para cada um dos filhos e também respeitem sua personalidade. "Se essa personalidade for muito diferente da deles, podem não saber como lidar e não aceitar muito a criança, o que pode acarretar em traumas emocionais."

Não é raro os pais ficarem em dúvida sobre a diferença de idade entre as crianças. Se por um lado aqueles de idade próxima poderão crescer juntos, uma diferença maior talvez traga menos conflito, pois o mais velho assumiria um papel mais protetor.

"O que devemos levar em consideração são as diferentes etapas de desenvolvimento. Se os irmãos estão na mesma fase o conflito é maior, porque os interesses são os mesmos. E irmãos do mesmo sexo tendem a ter mais problemas, porque disputam exatamente o mesmo espaço. Outra fase de conflito é quando o mais velho entra na adolescência e o mais novo tem por volta de 7 ou 8 anos. Os mais velhos querem se autoafirmar e tendem a ser hostis com o mais novo. A partir dos 14 anos isso melhora. Já quando ambos estão na adolescência, o mais novo pode sofrer novamente, por não ser aceito pelo irmão mais velho, que já possui outros amigos", diz Gois.

Ela alerta, entretanto, que apesar de toda a convivência durante a infância, não podemos tomar como verdade absoluta que os irmãos podem brigar e sempre voltarão a se falar. De acordo com ela, apenas nos casos em que existe cumplicidade acima de tudo. Se a família não tiver uma boa estrutura, eles podem não voltar a se falar. "Os laços afetivos não são só por questões biológicas, há pessoas que não sabem o que é amor fraterno. Elas até podem voltar a se reunir por questões extremas, por não terem outras pessoas e se voltam para os irmãos. As situações de vida em comum criam intimidade emocional e é isso que pode ligá-los novamente."

Cabe aos pais, portanto, preparar os filhos para que sejam unidos. Falar sobre o bebê que irá chegar, dispensar um tempo a sós com cada um dos filhos e não dar tudo igual para todos o tempo todo, respeitando a individualidade de cada um, são algumas das dicas da terapeuta. "Se o aniversário é de um, não há porque todos ganharem presente. A criança precisa aprender a lidar com a frustração", ensina.

A geração dos filhos únicos

Não é novidade que a taxa de natalidade vem caindo no Brasil e o número de filhos por casal, também. Ser filho único está cada vez mais comum e a dúvida é se ser criado sem irmãos pode ser algo negativo para a criança.

De acordo com a terapeuta familiar Rute Gois, de Londrina, o importante é a forma como os pais irão criar o filho. "Eles têm que saber frustrar essa criança, não podem dar tudo ao mesmo tempo e nem superprotegê-la. Caso contrário teremos uma criança com características muito imaturas, superprotegida e que não cresce", atesta.

Conviver com outras crianças – primos, vizinhos ou amigos da escola - é uma boa alternativa para que o pequeno não seja criado apenas entre adultos. A especialista recomenda que a criança vá para a escola assim que possível, pois embora a companhia dos pais seja fundamental, ter contato com amigos da mesma idade é importante para que aprendam a brincar e dividir as coisas.

"Quanto mais tarde ela for para a escola e quanto mais superprotegida, maior a chance de ter dificuldades de adaptação. Os pais precisam jogar a criança para o mundo, não podem colocar em uma redoma de vidro. É claro que hoje a violência preocupa muito os pais, eles tendem a cuidar mais dos filhos. Mas por outro lado eles também estão mais abertos a pedir ajuda e a buscar o auxílio de um profissional. Essa superproteção pode ser ainda mais sofrida para os adolescentes, que crescem sem o traquejo social e podem se isolar", explica.

Saulo Ohara
Saulo Ohara -
"Sem ninguém para dividir a atenção dos pais, também sou um pouco mais cobrada", diz a filha única Beatriz Pinheiro Fernandes, 17. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada


Mais mimos, mais responsabilidades
Hoje acostumada a ser filha única, a estudante Beatriz Pinheiro Fernandes, 17, conta que na infância cobrava a mãe para ganhar um irmão ou irmã. "Quando eu ficava entediada por estar sozinha pedia um irmão, mas aí ela me dizia que eu teria que dividir meus brinquedos e eu desistia. Como meus pais se divorciaram quando eu era muito nova, não existia um marido para minha mãe, então ela nunca precisou justificar porque não teve mais filhos. Hoje eu não sinto mais falta, acho que por ser filha única eu tenho mais atenção, não preciso dividir nada e também tenho mais liberdade. Além disso, se eu quero ou preciso de alguma coisa é mais fácil minha mãe me dar, porque não tem que pagar algo para mais de um filho", contextualiza.
Com primos e outros familiares morando longe, ela conta que cresceu brincando com os vizinhos de apartamento. Com muitos amigos, Fernandes afirma que também não tem medo de se sentir solitária quando mais velha, ou sem ninguém para dividir os problemas. A estudante, entretanto, não foge de outro mito comum em relação aos filhos únicos: ser mimada.

"Algumas pessoas me dizem isso sim, e na verdade acho que sou um pouco mimada mesmo. Por outro lado, sem ninguém para dividir a atenção dos pais, também sou um pouco mais cobrada e quando era mais nova acabava sendo mais superprotegida, agora nem tanto. Outro ponto é que nunca tive ninguém para botar a culpa das coisas que eu fazia, sempre tive que assumir quando fazia algo errado", afirma.
Érika Gonçalves Reportagem Local
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