VOLTAR PARA HOME
Continue tendo acesso ao conteúdo da Folha
   ou   
para ter acesso ao melhor conteúdo do Paraná
VOLTAR PARA HOME
Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante
Domingo, 28 de Maio de 2017
Folha Mais
18/03/2017

Mais perto da natureza

Conceito que prega maior equilíbrio entre homem e meio ambiente, permacultura ganha adeptos no Norte do Paraná

QR Code
Enviar por Email
Compartilhar
Twettar
Linkedin
Fonte
Comunicar erro
Ler depois

Fotos: Anderson Coelho
Fotos: Anderson Coelho -
"O objetivo é sempre aproveitar os recursos do local e respeitar o biorregionalismo", diz Adriana Galbiati, engenheira florestal e permacultora, que ministra cursos sobre o assunto


O curso é sobre agricultura sustentável, mas o programa tem início às seis da manhã com aulas de yoga. Antes mesmo do primeiro dia de atividades, os responsáveis pela organização já estão trabalhando em medidas para reduzir os impactos ambientais do evento.

Ali, toda a alimentação é saudável e se você pensa que sustentabilidade combina apenas com tranquilidade ficará surpreso em saber que a programação prossegue até às dez horas da noite. No total, são 11 dias de atividades intensas e uma verdadeira imersão em permacultura, um conceito ainda desconhecido para a maior parte da população.

A primeira coisa a se saber sobre permacultura é a própria dificuldade em defini-la. Trata-se de uma nova forma de encarar a vida, uma abordagem mais harmônica e próxima da natureza.

A permacultura surgiu nos anos de 1960 e 1970, na Austrália, como um conjunto de técnicas mais sustentáveis para produção de alimentos. Nas décadas seguintes ganhou adeptos em todo o mundo e ampliou sua dimensão filosófica. Hoje, é vista como uma abordagem que se preocupa com a qualidade de vida do homem e do planeta.

"Trabalhamos com nossa responsabilidade pela estadia na Terra, transformando impactos negativos em positivos, fechando ciclos e promovendo sistemas autorregulados", explica Adriana Galbiati, engenheira florestal e permacultora e responsável técnica pelo curso Plano Design em Permacultura (PDC), realizado há duas semanas, na Chácara Marabú, em Rolândia.

Ela conta que, quando teve os primeiros contatos com permacultura, há mais de 20 anos, sentiu grande identificação pelas ideias de aproveitamento e integração. "Desde criança tinha essa curiosidade pelas relações entre as coisas, por ligar os pontos. Quando conheci a permacultura, percebi a existência de uma concepção filosófica que dá suporte a essa ideia de integração e aproveitamento dos elemento", explica.



Na produção de alimentos, por exemplo, esta concepção significa o uso de diversas técnicas de agricultura sustentável, como agricultura orgânica, sintropia e agroflorestas, para criar sistemas autossuficientes e autorregulados. O trabalho parte do mapeamento da área, estudo das potencialidades locais e dos desejos do produtor. A partir daí, vem a fase de planejamento, que visa criar círculos produtivos virtuosos.

"A proposta serve para qualquer tipo de cultura, como arroz, feijão, frutas, legumes ou madeira, por exemplo. Mas, o objetivo é sempre aproveitar os recursos do local e respeitar o biorregionalismo. Se precisamos de adubo, não vamos trazer de fora, mas ver uma forma de fazer adubo no próprio local", explica Adriana.



Londrinenses criam grupo para difundir proposta
Entusiasmados com a integração entre homem e natureza presente na permacultura, alguns londrinenses de diferentes formações fundaram, em 2016, o Clã Pé Vermelho, que definem como um grupo de estudos e ações em permacultura.

Em um ano de existência, o Clã já promoveu três cursos – ministrados pela engenheira ambiental e permacultora Adriana Galbiati – e duas vivências, que são trocas de experiências entre pessoas que estão se iniciando na área.

O grupo foi fundado por dois amigos, a musicista Meire Valim e o jovem Elias Cesar de Freitas, que chegou a cursar alguns anos de Filosofia em Curitiba antes de retornar para Londrina.
Eles tomaram conhecimento da permacultura pela internet e, de lá para cá, literalmente mergulharam na proposta de desenvolver um contato mais próximo com a natureza, produzir os próprios alimentos e se responsabilizar pelo destino correto de seu próprio lixo.

"As pessoas se modificam quando tomam contato com a permacultura. A questão do respeito ao próximo, a reciprocidade, tudo isso gera uma mudança física, pessoal e espiritual", explica Elias Cesar. Segundo ele, a proposta também aproxima o permacultor da simplicidade da vida.

A bioconstrução é outra vertente importante da permacultura, ao lado da produção de alimentos. Filho de um mestre de obras que chegou a atuar na área por algum tempo, Elias viu na construção sustentável outra forma de alcançar qualidade de vida com baixo impacto ambiental. O grupo conta também com a participação de arquitetos, biólogos e agrônomos e vem desenvolvendo algumas experiências na área de bioconstrução em Londrina e região.

A musicista Meire Valim diz que a permacultura significa também um aprofundamento espiritual para seus adeptos. Segundo ela, trata-se de uma forma de viver que respeita as pessoas como elas são verdadeiramente.

Vanessa de Morais, Elias de Freitas e Meire Valim: Clã Pé Vermelho já organizou  três cursos na região
Vanessa de Morais, Elias de Freitas e Meire Valim: Clã Pé Vermelho já organizou três cursos na região


"Para mim, é uma regra do jogo estar aqui com meus amigos, cuidar da terra, fazer o bem. Não é isto que Cristo apregoou? A permacultura é o paraíso possível neste momento", conta.
O Clã Pé Vermelho reúne-se periodicamente nas casas de seus membros e é aberto a todos os interessados. Uma delas é a ecóloga Vanessa Rodrigues de Morais, que entrou para o grupo no segundo encontro de vivência. Ela faz parte de um coletivo criado pelo Clã que presta serviços na área de jardinagem, especialmente direcionados à produção de hortaliças e outros alimentos.
"A permacultura tem muito a ver com nossos hábitos e costumes. É um movimento que integra muitos pensamentos e que faz grande sentido para mim", explica. (F.C.)

'Só ter área verde não adianta'

O curso Plano Design em Permacultura reuniu aproximadamente 20 pessoas do Norte do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A escolha da Chácara Marabú para sediar o evento não ocorreu por acaso. O produtor Adrian Saegesser, que já pratica técnicas sustentáveis de agricultura, quer avançar com os conceitos de permacultura na propriedade.

A Marabú tem três alqueires de extensão, com um terço de mata nativa, e foi aberta pelo avô de Adrian, um imigrante suíço que chegou ao Brasil na década de 1930. Atualmente, trabalha com a produção de geleias e patês artesanais, pousada e visitações. Ao observar a retirada de algumas bananeiras já sem produção em meio à mata, realizada pelos alunos do curso, ele comenta:

"Só ter área verde não adianta. Se a gente quer sobreviver disso, tem que produzir também. Minha intenção é aumentar a produção de matérias-primas para nos tornarmos autossuficientes na produção dos patês, geleias e para receber as pessoas que vêm para cá", explica. Mas isso, segundo ele, sempre adotando técnicas sustentáveis e a preservação ambiental. (F.C.)

Serviço
Conheça mais sobre o Clã Pé-Vermelho pela internet
https://www.facebook.com/clapevermelho/
http://pevermelhopermacul.wixsite.com/clapevermelho

Por dentro da permacultura
É um sistema de planejamento e desenvolvimento de ambientes sustentáveis e produtivos que promovem equilíbrio e harmonia entre homem e natureza.

- Surgiu da expressão em inglês "Permanent Agriculture", criada por Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970.

- Hoje propõe uma "cultura permanente", ou seja, uma cultura que visa transformar os impactos negativos do ser humano sobre a natureza em impactos positivos.

- Atua em três áreas principais: produção sustentável de alimentos, bioconstrução, melhoria dos hábitos pessoais.

- Prega que toda ação humana deve respeitar a biorregionalidade e os potenciais de cada bioma.

- Responsabiliza o ser humano pelo cuidado com os resíduos gerados por sua própria existência.

- Do ponto de vista da construção, prioriza o uso de materiais e técnicas ecológicas e sustentáveis.

Princípios éticos
- Cuidar da Terra
- Cuidar das Pessoas
- Compartilhar Excedentes

Saiba mais
http://permacultura.ufsc.br/o-que-e-permacultura/
http://www.permacultura.org.br/
http://www.setelombas.com.br/permacultura/o-que-e-permacultura/
Fábio Cavazotti
Especial para a FOLHA
Continue lendo
6
Continue Lendo
2-1-150-1153-20170318
2-1-150-1167-20170318
2-1-150-1072-20170318
2-1-150-1171-20170318
2-1-150-1185-20170318
2-1-150-1401-20170318
Assine a Folha de Londrina
EDITORIAS
PolíticaGeralMundoCidadesEconomiaEsporteFolha 2OpiniãoFolha MaisEleições 2016Índice de Notícias
SEÇÕES
ChargeColunistasIndicadoresTempoHoróscopoEdição DigitalGaleria de FotosClassificadosCadernos EspeciaisPromoçõesLoterias
SEMANAIS
Folha GenteCarro & CiaImobiliária & CiaSaúdeEmpregos & ConcursosFolha CidadaniaNorte PioneiroMercado DigitalFolha RuralReportagemCozinha & Sabor
CLASSIFICADOS
VrumLugar CertoFolha ClassificadosDiversos
SERVIÇOS
ComercialArquivoCapa do ImpressoExpedienteClube do AssinanteFale ConoscoAviso LegalPolítica de PrivacidadeTrabalhe ConoscoQuem SomosGuia GastronômicoAssine Já!
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Folha de Londrina - Todos os direitos reservados