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09/09/2017

Iguais, mas muito diferentes

Acostumados a atraírem olhares pela semelhança física, gêmeos lutam por sua individualidade

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Anderson Coelho
Anderson Coelho - Os irmãos gêmeos Hugo e Higor Vargas, 21, atuam no Ballet de Londrina:
Os irmãos gêmeos Hugo e Higor Vargas, 21, atuam no Ballet de Londrina: "Não somos iguais!". Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada


Ao olhar para os bailarinos e irmãos Higor e Hugo Vargas, 21, é impossível não notar que são gêmeos. Mas mesmo muito semelhantes, as diferenças logo aparecem. Um é ligeiramente mais alto do que o outro, o formato do rosto difere um pouco e o corte de cabelo também já não é o mesmo. Inevitável, a comparação entre eles – ou com o irmão mais velho que segue a mesma profissão -, os incomoda.
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A pergunta "quando foi que vocês se deram conta de que eram iguais?" recebe imediatamente como resposta: "mas nós não somos iguais!". Trocado "iguais" por "muito parecidos", eles contam que foi apenas na adolescência que isso aconteceu. Até então eles estavam acostumados a chamarem a atenção e serem chamados de "gêmeos", mas nunca viram nada de mais. "Eu sou uma pessoa, ele é outra. Não somos iguais no modo de agir, de falar, só a aparência que é igual", conta Hugo.

Apesar da mesma profissão, os irmãos dizem que as semelhanças param por aí. Se na infância eles usavam o mesmo corte de cabelo e também roupas iguais, hoje buscam se diferenciar. "Nossa mãe diz que nos vestia iguais para não dar briga, porque um sempre queria usar a roupa que ela comprava para o outro. E era ela quem cortava nosso cabelo, porque já foi cabeleireira. Quando começamos a trabalhar passamos a comprar roupas diferentes e também a usar o cabelo diferente. Mas de vez em quando pegamos as roupas um do outro", diz Hugo, que agora tem os fios um pouco mais longos que os do irmão.

Fora do Ballet de Londrina, eles têm amigos diferentes e também atividades de lazer diferentes. Eles contam que não há disputa entre eles, assim como nenhuma ligação acima do comum entre irmãos. Entretanto, confessam que teriam desistido da oportunidade de estudar na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, se não tivessem sido aprovados juntos na seletiva. Eles passaram dois anos estudando na cidade catarinense.

Na escola regular, grande parte do período eles estudaram na mesma sala e foi por iniciativa dos professores que passaram para salas diferentes, o que acabou rendendo uma situação engraçada. "Tinha uma professora que não sabia que éramos gêmeos. Ela dava aula na sala de um e depois na sala do outro. Ela achava que eu matava aula de outra professora e ia assistir de novo a aula dela na outra sala", conta Higor.

História comum entre gêmeos, os irmãos confessam já terem usado a semelhança física para brincar com os amigos se passando um pelo outro, mas garantem nunca terem usado do artifício em situações formais, como provas escolares. Na rua também já se habituaram a serem confundidos quando estão sozinhos. "A pessoa passa, cumprimenta, eu nem falo nada", diz Hugo rindo.

Individualização é fundamental

Shutterstock
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É difícil resistir aos gêmeos, principalmente aos idênticos – ou monozigóticos, como os identifica a ciência. Não bastasse parecerem o espelho um do outro, muitas vezes os pais os vestem de maneira igual, aumentando a nossa curiosidade de saber se realmente são iguais, se há algum sinal que os diferencie e se as suas personalidades também são idênticas.

Com vasta experiência profissional e também pessoal – já que é mãe de gêmeas idênticas, a psicóloga e professora da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis diz que os irmão gêmeos são mais companheiros sim, mas nem sempre a relação entre eles é tranquila.

"Em alguns pares existe competição e disputa entre eles e em algumas circunstâncias um deles pode se desenvolver mais do que o outro. Mas na maior parte das vezes há uma ligação muito íntima entre gêmeos, até mais do que com os outros irmãos e até com os pais", explica.

Ela diz que o fato de terem compartilhado a vida intrauterina favorece a união, mas há também muitas especulações. "Leigamente falando há relatos de coincidências, como o de um sentir o que o outro sente mas não há indícios científicos sobre isso", conta.

A psicóloga destaca que ainda há um vasto campo de pesquisa e justamente por isso há um projeto da USP (Universidade de São Paulo) sobre um cadastro nacional de gêmeos – o Painel USP de Gêmeos, que visa cadastrar gêmeos que queiram participar dessas pesquisas.

Em Londrina, há três anos ela buscou por gêmeos adultos para uma pesquisa sobre a individualização. Reis conta que notou-se que alguns irmãos conseguem ter uma vida relativamente diferente da de seu co-gêmeo e, inclusive, alguns buscam isso. "Alguns têm a mesma profissão ou trabalham nos mesmos lugares, alguns moram no mesmo terreno. Também observamos que muitos dos gêmeos, na adolescência, faziam questão de ter roupas diferentes, mas notamos durante as entrevistas que o vestuário era parecido, como jeans e camisa xadrez. Isso faz pensar que a ligação é tanta que as formas como desenvolveram seus gostos sejam comuns e nos leva a pensar até que ponto querem se ver como indivíduos diferentes ou não?", questiona.

A recomendação para os pais é que busquem ao máximo possível diferenciá-los, não chamando pelo mesmo nome ou apelido, o que pode causar problemas de autoidentificação. Os pais devem observar também para nunca punir um irmão no lugar do outro, o que pode gerar transtornos. "Outra questão, relacionada à educação, é que se não forem incentivados a vivenciarem a individualidade, o que acontece se um deles vier a faltar?"

Para pais de crianças muito parecidas entre si, a recomendação da psicóloga é que busque uma forma externa de identificá-los, usando brincos, pulseiras ou roupas de cores diferentes. "Imagine a mãe cansada ao cuidar dos bebês. Pode acabar deixando um com fome ou até medicar duas vezes a mesma criança. Diferenciá-los vai facilitar para os pais e incentivar as pessoas a respeitarem a individualidade das crianças."

Reis afirma que se as crianças insistirem em se vestir de forma igual não há problema, desde que isso parta delas. Os pais podem eventualmente fazer isso, mas não usar como regra. Na escola a dica é na medida do possível colocar os irmãos em salas diferentes, caso contrário pedir que o professor os coloque em grupos separados. "É preciso respeitá-los caso queiram ficar juntos, mas separar posteriormente. É comum que um acabe se sobressaindo mais e ou outro vai viver na sombra. Os professores podem fazer comparações também e causar dificuldades", alerta.
Érika Gonçalves
Reportagem Local
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