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Folha Mais
07/10/2017

Fazendo arte

Quando a criatividade deixa de ser bagunça para se tornar expressão

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Fotos: Anderson Coelho
Fotos: Anderson Coelho - Francisco Pellicano, 10 (ao meio), cursa desenho digital, assim como Heloísa Novacki, 8 (abaixo): processo lento, com várias etapas
Francisco Pellicano, 10 (ao meio), cursa desenho digital, assim como Heloísa Novacki, 8 (abaixo): processo lento, com várias etapas


Francisco, 10, chegou acompanhado na escola de artes. "Ele sempre desenhou, sempre gostou de desenhar", começa a mãe, Valéria Pellicano, 51. Educadora, reconhece o poder transformador da arte. "Arte para mim é o que dá o caminho para expressar a dramática da vida", defende.
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O filho, um pouco tímido, ouve a mãe falar enquanto a aula não começa. "Existe uma conexão, a arte faz a criança se expressar, é diversão, terapia e pedagogia", acrescenta. Pellicano conhece o que a arte pode fazer, criou olhar sensível após verificar as mudanças que acompanhou na escola em que trabalhava.
Por conta disso, possui visão crítica sobre o assunto.

"A arte ainda não é compreendida como arte, ainda se tem essa visão como mera distração. Uma criança que desenha, mas não escreve, é tida como um problema", argumenta. No entanto, acredita que a arte habilita a pessoa a sair do padrão, promovendo mudanças sociais e educacionais.

Enquanto a mãe conversa na sala de espera, o filho é chamado para se juntar a outras crianças no curso de desenho digital. Entre eles, Heloísa Novacki, 8. "Eu aprendi a melhorar meu desenho e a pintar. Eu gosto de desenhar borboletas", ela conta e mostra seu boneco de neve devidamente colorido com flores.

Francisco fala pouco, mostra o desenho com timidez, mas trabalha com atenção. Enquanto isso, a turma brinca, falando que em alguns dias as aulas são mais movimentadas, com mais gente conversando - no dia da visita da reportagem da FOLHA todos estavam mais quietos. "Mas não me importo se conversam ou se ficam quietos, não me atrapalham", afirma Novacki, pintando seu desenho.



"Aqui nós trabalhamos com o processo lento, eles chegam querendo fazer tudo correndo, mas explicamos que existem várias etapas", conta a professora e sócia-proprietária do Instituto Caran D’Ache, Juliana Barbini. "Aqui se busca ajudar no desenvolvimento da criança, não é o objetivo formar artistas, mas cidadãos", comenta Rogério Ceneviva, sócio de Barbini.



Criatividade, foco, disciplina são habilidades exigidas citadas pelos idealizadores da escola, que promove cursos de artes visuais para crianças. O intuito é colocar o público infantil em situações de desafios, buscar soluções e encontrá-las. "Isso contribui para a autoestima da criança", afirma Ceneviva.

Ao mesmo tempo, para que as habilidades sejam trabalhadas, é preciso de incentivo dos pais. É esse ponto que Valéria Pellicano aponta. "A arte é tão simples, não precisa de papel, tinta, pincel... Precisa de expressão, brincadeira, observação, visitas... Em Londrina há tantos espaços. Na escola, precisamos valorizar trabalhos artísticos, não olhar só a nota", afirma.

Pellicano vê a arte como caminho. Para ela, algumas pessoas se expressam e se encontram em forma de arte. "Tem gente que tem algumas dificuldades, quem não tem? Para determinados perfis, a arte é o caminho, é por onde se começa para se encontrar", defende.

Com isso, deixa a imaginação dos filhos fluir. Mãe de três: Sol Rei, 30, Lua Linda, 20, e o aluno da escola, o Francisco, a educadora matriculou o caçula por interesse de ambos. Ela possui experiência de sobra para compartilhar, e com tanto valor que dá aos trabalhos criativos, faz questão de guardar todos. "Eu tenho uma caixa inteira de desenhos dos meus filhos. São nossas memórias", afirma.

Arte e sensibilidade
Segundo Helena Loureiro, professora do Departamento de Música da UEL, a arte contribui com a formação da sensibilidade estética e o letramento artístico é muito semelhante ao que acontece com a linguagem. "A gente aprende na vivência, nas práticas sociais. As crianças deveriam estar em contato com as manifestações artísticas para ir assimilando e se desenvolvendo", defende a professora.

A possibilidade de acesso à arte promove o fortalecimento da sensibilidade, muito importante para o indivíduo. "O olhar de alguém que é educado artisticamente é mais sensível para determinados aspectos. A leitura de mundo por meio desse desenvolvimento da sensibilidade vai proporcionar isso", informa.

Grande responsável pelo ensino de artes, a escola passa por momento de crise. Com a nova reforma do Ensino Médio, Loureiro afirma que há o risco de retrocesso. "A arte passou a não ser mais obrigatória, a base curricular ainda não foi definida e existe muita dúvida de como vai ficar o ensino de arte. Como a escola é - ou deveria ser - um grande canal de democratização do conhecimento, se não há garantia de que ela possa estar presente na escola, ficamos de mãos atadas, tornando a formação artística cada vez mais elitista", argumenta.

Em relação a essa democratização, a professora possui projeto de produção e criação musical, que começou nos anos 2000, unindo estudantes da graduação em Música com a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I. O Música Criança promove processo de musicalização uma vez por semana em escolas parceiras, por meio do estágio curricular do curso de Música. "É notável o desenvolvimento musical dessas crianças", afirma. Ao mesmo tempo, o projeto tem a vertente de produção musical para o público infantil, atendendo escolas públicas e particulares, com espetáculos que contemplam canções autorais.

"É um trabalho de formiguinha, tem que alcançar não só as crianças, mas a gente precisa conscientizar pais e professores sobre o que é educação estética. Não é porque é para crianças que tem que ser simples, fácil, temos que oferecer algo que seja elaborado, com critério estético. Algo que ela não tem acesso e não vai encontrar com facilidade em TV ou rádio", explica a professora.

Assim, a professora não mede esforços para que o mundo lúdico permaneça na infância sem perder para as músicas de massa. "Nós precisamos preservar e estimar o universo fantasioso e o imaginário. A criança não tem amadurecimento psicológico para determinados conteúdos extramusicais contidos em letras de canções que escuta, tampouco critérios estéticos já formados para escolher a música. Ela está em formação, daí a importância de lhe apresentarmos um universo musical rico e diversificado, lúdica e esteticamente", finaliza. (L.T.)

Método musical considera o ambiente
Ensinar arte é para poucos. Brenno Lopes, 27, é professor de música e ensina piano, violino e musicalização para bebês. Apaixonado pelo que faz, fala com carinho sobre os métodos encontrados para que o processo de aprendizado aconteça de forma mais natural.

Dessa forma, utiliza o método encontrado por Shinichi Suzuki, no qual destaca a importância da vivência, experiência auditiva, na mais tenra idade. "A intenção é aproximar o aprendizado da criança com o aprendizado da língua materna. Ninguém vai à escola para aprender a falar, o método Suzuki acredita que o mesmo ocorre com a musicalização", explica.

Depois de adultos, acredita-se que aprender um instrumento seja algo de alta dificuldade, mas não se associa à fala, que também pode ser tão complexo quanto tocar um instrumento. Dessa forma, quanto mais cedo a criança tiver contato com a musicalização, mais ela ganhará experiência para desenvolver habilidades.

"A criação do ambiente é a chave de aprendizado e é uma tarefa dos pais. A língua materna não se dá de forma nata, nós aprendemos com a experiência, o mesmo ocorre com a música e isso só pode ser adquirido com a exposição do ambiente", informa Lopes.

Assim, conforme a criança se desenvolve, passa para outras mais jovens, gerando um ciclo sustentável de aprendizagem. "Antes, acreditava-se que as pessoas nasciam com o dom para a música. Com esse estudo, Suzuki mostrou que a música é uma habilidade, portanto, todos podem aprender", informa.

Acreditando na potência, Lopes aplica o método com seus alunos, mas afirma que o estímulo da família é necessário. Para isso, acredita no poder da educação musical desde muito pequeno. "A criança só vai gostar daquilo que ela teve contato. Se ela nunca ouviu, como vai gostar?", questiona. (L.T.)
Lais Taine
Reportagem Local
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