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Domingo, 25 de Junho de 2017
Folha Mais
08/04/2017

Fantasia saudável

Mais do que trazer os ovos de chocolate, a tradição do Coelho da Páscoa estimula a imaginação e o desenvolvimento da criança

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Coelhinho da Páscoa existe? Este é um dos questionamentos do top five de perguntas difíceis que as crianças fazem aos pais. Ranking liderado pelo "Como eu nasci?" Nessas horas, alguns preferem passar a bola: "pergunta para o papai ou para a mamãe". Família, fique tranquila. A mentirinha do coelhinho e do Papai Noel, a criançada descobre sozinha. Ao contrário, a da tal cegonha precisa de orientação. Para os que ainda estão na dúvida se vale a pena incentivar a fantasia em torno dessas tradições, saibam que sim. Por quê? Leia a matéria e descobrirá.

Recorremos à família de Cristiane Fontan Martin, que mantém a tradição do Coelhinho da Páscoa. Ouvimos ainda a psicóloga Lívia Fortes e a pedagoga Raquel Corrêa Lemos, que nos ajudarão a entender que o Coelho de Páscoa é mais que um personagem de uma festa religiosa, explorado ao máximo pelo comércio.

"Eu acredito que é importante manter a tradição entre as crianças, não só o Coelho da Páscoa como o Papai Noel, que passam por um viés religioso, cristão, mas que fazem referências culturais, direcionam a postura social da criança, como também fazem menção aos ritos de passagem. A Páscoa e o Natal equivalem aos ritos de passagem, a exemplo do nascimento, troca de dentes, formatura, casamento", afirma Lívia.

A psicóloga ilustra a ideia, acrescentando que são como estacas para o alpinista, que ajudarão a criança a ter direção e sentido.

"Do contrário, a pessoa fica sem delimitação temporal. Dizemos que algumas pessoas não têm limites. A pergunta é: ‘foram dados alguns limites?’"

Mais do que os ovinhos, o coelhinho e outros personagens como o Papai Noel, fadas e até as bruxas, vêm do mundo da imaginação, carregados de presentes para as crianças. Lívia explica que o lúdico e a fantasia propõem alternativas à vida.

"O coelhinho, por exemplo, está falando de vida, e o lúdico e a fantasia, neste contexto, trazem esperança de que vai alcançar algo novo e que terá uma solução. Além da esperança cristã, o lúdico aponta para uma solução. Acredito que as famílias ao incentivarem a fantasia pontuam esses aspectos", avalia a psicóloga.

Freud e a psicologia explicam muita coisa, mas outras ciências, como a neurociência, ajudam a esclarecer os efeitos do mundo da fantasia nas crianças.

Lívia afirma que essa vivência estimula áreas da criatividade no cérebro da criança, ajudando a pensar alternativas.

E quando é hora de deixar a fantasia de lado?
"Por conveniência de querer ganhar presentes ou o ovo de Páscoa, mesmo já estando mais grandinhos, acredito que os pais devem deixar os filhos viverem a fantasia. Vai chegar uma hora que vão dizer ‘tá a gente sabe que não é verdade’, mas e daí? Fazer o ninho do coelhinho, procurar os ovinhos são um trabalho em família gostoso. Vivenciar a fantasia é extravasar uma loucurinha autorizada", orienta a psicóloga.

Lembranças para a vida toda

Gina Mardones
Gina Mardones - Otávio, de 8 anos, e João Vitor, de 4, preparam ninhos com a ajuda da mãe Cristiane Fontan Martin e da avó Vera Arca Giraldi: tradição que não se apaga
Otávio, de 8 anos, e João Vitor, de 4, preparam ninhos com a ajuda da mãe Cristiane Fontan Martin e da avó Vera Arca Giraldi: tradição que não se apaga


O resto da vida. É o tempo que dura a visita do Coelhinho da Páscoa. Para compreender melhor a afirmação, conheça a história da família de Cristiane Fontan Martin, de 42 anos. A engenheira agrônoma se emociona ao lembrar da época de criança e quer que os dois filhos curtam também essa fase, que não volta mais, porém, deixa as suas pegadas para sempre.

"A gente tem muita tecnologia, como iPhone, iPad, em que a fantasia mistura com a realidade de uma maneira rebuscada. A criança que imagina o Coelhinho da Páscoa vai levar para a vida toda. Lembro da minha mãe e da minha avó, que levantavam cedo para fazer as patinhas do coelhinho. Uma boa lembrança, que quero que os meus filhos tenham. Quando a gente lembra, parece que essas pessoas que amamos estão perto da gente", conta emocionada Cristiane.

Os filhos Otávio, de 8 anos, e João Vitor, de 4, sabem bem aproveitar estes momentos, embora não compreendam ainda o que significarão no futuro.

"O Coelhinho da Páscoa vem na minha casa. Eu sei porque ele deixa as pegadas dele", afirma com convicção João Vitor.

A avó paterna dos meninos, a assistente social aposentada Vera Arca Giraldi, de 71, que mora em Avaré (SP) e está visitando os netinhos, conta que até os três filhos irem para a faculdade, escondia os ovos de Páscoa pela casa. Hoje são os netos que se divertem com a tradição.

"Moro em um sítio e distribuo ovinhos em vários lugares e, quem encher a cestinha primeiro, ganha um ovo grande. Os meus filhos e as noras acabam entrando na brincadeira", conclui dona Vera.



Lúdico ajuda a organizar emoções

Outra dúvida que mexe com a cabeça e a fantasia das crianças é como pode um coelho botar ovos de chocolate. Um mistério sem solução, o que menos importa para a garotada. O importante é que o mundo da imaginação ajuda a organizar as emoções dos pequenos.

A área emocional de todos nós é como uma gaveta, que pode estar bagunçada ou dar gosto de tão arrumadinha.

"No caso das crianças, pensar em personagens lúdicos, como o Coelhinho da Páscoa e o Papai Noel, faz parte da fantasia infantil e ajuda a organizar a parte emocional, percepção do mundo. É o princípio para o pensamento lógico", destaca a pedagoga Raquel Corrêa Lemos, professora do Curso de Pedagogia da Unopar e que por três anos coordenou a brinquedoteca da instituição e outros oito anos a da Unifil.

A pedagoga explica que o universo imaginário é um passo importante para a criança aprender a lidar com outras relações, como as sociais, representando a realidade, sem que corram riscos, a exemplo do que acontece no mundo real.

"Outra coisa que é importante é que as tradições, como as da Páscoa, são momentos em que a família tem oportunidade de trocar experiências, manter e recuperar um pouco as tradições dos nossos pais e antepassados", ressalta Raquel. (F.L.)
Francismar Lemes
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