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Sábado, 24 de Junho de 2017
Folha Mais
17/06/2017

A bagunça não está no DNA da criança

Os filhos que são educados para terem organização aprendem a respeitar fronteiras

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Se fosse feita uma reforma da natureza, como propõe a personagem Emília, de Monteiro Lobato, o DNA da bagunça seria apagado de vez e, toda criança nasceria sabendo ser organizada. Contudo, mesmo sem a teoria reformista da boneca de pano é possível criar filhos organizados – desde que aprendam organização com os pais.

"A família é a célula vital de toda criança e a primeira relação que tem é com a mãe. Somente depois vai sendo apresentada ao mundo. Todo indivíduo precisa de organização. Quando a criança não tem organização terá dificuldade de lidar com frustração, não tendo noção de respeito e limites", avalia a psicóloga Aline Pimentel Silva Rodrigues.

Recorrendo novamente à história de Lobato, a reforma da natureza nada mais seria do que a maneira que a boneca encontrou para exercer a sua liberdade de maneira desordenada. O que conseguiu foi provocar uma bagunça geral.

Ao contrário da personagem, que não tem limites, os filhos que são educados para terem organização aprendem a respeitar fronteiras.

"É importante os pais ensinarem que a criança não é um anexo, mas faz parte da família e tem deveres. A organização é um ato e, como tal, terá as suas consequências. É uma forma de prepará-los para o mundo", aponta Aline.

Mas, quando os pais devem começar a ensinar os filhos a serem organizados?

A psicóloga orienta que aos 3 e 4 anos as crianças já conseguem brincar e precisam aprender que os brinquedos são delas e, por isso, devem cuidar.

"Lógico que não farão do jeito que os pais determinam porque ainda não possuem essa capacidade. Vão assimilando, quando os pais dizem que podem brincar com o que quiserem, mas, ao terminarem a brincadeira precisam guardar os brinquedos", ressalta.

Aline acrescenta que aos 6 anos os pequenos já são capazes de tarefas maiores.



"É uma idade que as crianças já têm mais autonomia e os pais podem orientá-las a tirar o tênis, a roupa que não está suja e guardar nos lugares certos. Porém, existe criança que não consegue dar conta de imediato e a família deve ir fazendo uma leitura do que é capaz", ensina a psicóloga.

Se absolvemos o DNA da responsabilidade pela bagunça, não significa que a criança bagunceira não carregará para a fase adulta a falta de organização, com impactos na vida.

"Ensinar organização às crianças ajuda a terem estrutura para que possam gerir e administrar conflitos do dia a dia e a desenvolverem estratégias. Quando a criança não tem organização, no futuro terá dificuldade. Podem ser adultos instáveis nas relações, que começam as coisas e não terminam, sem autonomia e inseguros", conclui.

Aprendizado que tornou-se hábito
Saulo Ohara
Saulo Ohara - Os pedagogos Murilo e Julise Freire com a filha Rebeca, 10: método que funciona. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada
Os pedagogos Murilo e Julise Freire com a filha Rebeca, 10: método que funciona. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada

Se filho de peixe, peixinho é, os herdeiros de pais organizados têm boas chances de serem organizados também. Pelo menos é o que esperam pais como a pedagoga Julise Franciele de Carvalho Freire, 32, que ensina a filha Rebeca, 10, a ser organizada.

Nem sempre Julise foi tão organizada como é hoje. Porém, quando percebeu que um pouco de organização tornaria a vida mais fácil, fez da prática quase uma regra.

"Sou uma pessoa organizada, que faço planejamento das minhas atividades do dia e da semana, com uma rotina de horários de acordo com as demandas que tenho. Porém, nem sempre fui assim, mas foi um aprendizado que tornou-se um hábito. Tive que mudar algumas coisas, principalmente com a chegada da Rebeca. Comecei a colocar em prática na minha vida o que aprendi em uma disciplina do curso de graduação. Quando a minha pequena tinha 2 anos, iniciei o método com ela também", conta a pedagoga.

Julise lembra que até então, a filha dormia mais tarde, o que compromete a rotina de qualquer criança.

"Coloquei um quadro com o planejamento de horários, como dormir às 20h30. Hoje, a Rebeca sabe as atividades que tem que desempenhar sozinha e não espera que a gente avise", afirma.

A rotina criada pelos pais inclui horários de estudos, reforço nos dias de avaliação, inclusive durante o trajeto de casa para a escola, entre outras obrigações.

"A organização não nasceu com a Rebeca, é algo que ensinamos. Com essa rotina, ela pode acordar e dormir mais tarde nas sextas-feiras, assistir a um filme, por exemplo, mas, no sábado, apesar de dormir um pouco mais, ensinamos que tem que organizar o quarto, os brinquedos, a escrivaninha de estudos e os sapatos. Se tiver provas na semana, aproveita para dar mais uma estudada", acrescenta Julise, lembrando que o mesmo sentido de organização que procura incentivar na filha foi importante para que conseguisse se graduar e fazer pós-graduação paralelamente aos cuidados com a família.

Para que tudo dê certo, a pedagoga conta com a participação do marido, o pedagogo Murilo Cristino Freire, 35, que, por exemplo, rotineiramente é quem se ocupa de preparar o café da manhã e as outras refeições, enquanto Julise dá conta da arrumação da casa e ajuda a filha a se preparar para as atividades do dia.

"O Murilo também é organizado e isso ajuda bastante. A realidade de hoje requer mais da gente", avalia Julise. A visão do casal está lá na frente, no futuro, inclusive profissional da filha Rebeca.

"Acredito que uma das dificuldades do mercado de trabalho não é somente encontrar pessoas com diploma, mas, entre as demandas da empresa, além de responsabilidade, é preciso que os profissionais saibam se organizar e planejar. No meu trabalho, por exemplo, existem demandas pontuais, que entram na minha rotina. Se eu não me organizar, corro o risco de me perder em meio às obrigações. Costumo registrar as minhas atividades e vou riscando o que cumpri como meta. Avalio o que preciso rever. É um hábito saudável de vivência", aponta Julise.

Ao avaliar a própria rotina, Rebeca dá sentido ao ditado que diz que filho de peixe, peixinho é. "Eu acho que quem me ajuda a ser organizada são minha mãe e meu pai. Acredito que seria difícil ser organizada, fazendo as coisas sozinha. Com a ajuda de alguma pessoa é melhor", ressalta a menina. (F.L.)
Francismar Lemes
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