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Folha Gente
12/08/2017
FANÁTICO POR CORRIDA

Predestinado

Filho e neto de mecânicos, tricampeão de Fórmula Truck carrega a paixão por velocidade no sangue

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Gustavo Carneiro
Gustavo Carneiro - Da infância ao tricampeonato, Leandro Totti, 40, fez da vida sua principal pista de treinamento. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada
Da infância ao tricampeonato, Leandro Totti, 40, fez da vida sua principal pista de treinamento. Veja vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada


Foi na oficina mecânica do avô que o tricampeão de Fórmula Truck, Leandro Totti, 40, teve seu primeiro contato com carros de corrida. Com influência do pai, também mecânico, se desenvolveu no automobilismo, liderou equipes para então dominar as pistas. Mais que talento, Totti carrega a paixão por velocidade no sangue.
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O gene já era percebido na infância, a diversão não era brincar com os carrinhos, mas desmontá-los. Junto com o avô, Balila Totti, fez muitas obras de arte, como o carrinho de rolimã com rodas de skate. "Era para poder correr melhor", ri.

Aos 7 anos, ganhou seu primeiro Kart construído pelo pai. "Ele me levava para andar no estacionamento do ginásio de esportes de Ibiporã. A vizinhança ficava doida, a criançada adorava", conta.

Por um período, Totti se aventurou em outro esporte, o futebol de salão. Mas largou aos 15 para estudar e trabalhar em autopeças. Enquanto isso, o pai construía um Fusca Speed. O filho pediu demissão por medo de não ter tempo de treinar com o carro, o que planejava desde o início da montagem do veículo. Aos 18 trabalhava com o pai e treinava com o veículo.

Então encontrou o Gardenal, Ernesto Pívaro Neto, que se interessou pelo Fusca. "Ele foi muito importante para mim, sem ele eu não seria o piloto que sou hoje. Ele era fanático por corrida", conta. Foi com Gardenal que a paixão pelas pistas se tornou profissão. Abriram oficina específica para carros de corrida em 1998 e iniciaram nas competições.

Gardenal investia e pilotava, Totti veio com o conhecimento. Os dois entraram com ferocidade. "Me dediquei muito como preparador", relata. A equipe ganhou o Campeonato Metropolitano no mesmo ano e no próximo conquistou o Campeonato Paranaense. "Aí choveu cliente na oficina, peguei mais carros para fazer. Então surgiu João Maistro, meu segundo cliente", explicando que agora os dois trabalham juntos em posições inversas.

Com tantos carros, a equipe cresceu e Totti ficou responsável por testar os veículos até se destacar também como piloto. Depois de a equipe passar a competir na categoria multimarcas, Gardenal propôs que fosse montada equipe para a Truck, segmento que já conhecia, mas que Totti não tinha a menor noção. "Eu falei que não tinha conhecimento algum, eu não sabia mexer. Mas aceitei e fui aprendendo", relata.

Os campeonatos com o caminhão e multimarcas estavam funcionando simultaneamente, até que o amigo se envolveu em acidente. "Ele ficou 17 dias em coma, foi um susto", diz. Quando Gardenal saiu do hospital, a família foi contra a volta dele às pistas. "Ele falou que não tinha como se afastar da equipe, mas me colocava como piloto. Eu fiquei como piloto e preparador da equipe de Truck por sete anos", recorda. O grupo vendeu a estrutura em 2008 e Totti foi defender outras equipes.

O primeiro título veio em 2012 e depois desse outros dois. Atualmente a F-Truck está suspensa e Totti disputa agora as etapas da Copa Truck. "É atrativo igual. Querendo ou não, corrida de caminhão é um evento no Brasil. Acredito que em 2018 a Copa Truck seja ainda maior", afirma.

Revendo sua trajetória, o piloto lamenta que no Brasil o automobilismo dependa muito de dinheiro. "Se você tem talento e não tem dinheiro, não consegue ir para frente. No futebol não existe isso, se você sabe jogar, é visto, independente da sua condição financeira", argumenta.

Agora tem outro desafio, a filha de 17 anos está buscando o sucesso nas pistas como o pai. "Eu incentivo, tudo que aconteceu comigo, estou fazendo com ela", conta. Apesar de ter sofrido acidente, em 2004, não se preocupa. "Quando eu capotei o caminhão eu fiquei mais preocupado com a minha mãe assistindo aquilo do que comigo. Eu só queria sair da cabine e mostrar que estava tudo bem", relembra.

Apesar do susto, a família leva bem a profissão. "Minha mãe é a maior crítica, fala de tudo, pergunta o porquê de eu não ter feito isso ou aquilo até que um dia eu a convidei a dar uma volta no caminhão. Eu acelerei tanto, deu até dó depois, mas é para ela ver como que é", ri.

Totti se sente realizado na profissão, mas reconhece que a vida de piloto não é fácil. "É cansativo, tem muitos compromissos e não tem domingo", enfatiza. No entanto, faz porque tem paixão, nasceu na oficina, como se estivesse predestinado. "Eu era fã número um do Piquet, eu estudei. Quando você gosta, você corre atrás", incentiva.
Lais Taine
Reportagem Local
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Thiago Nassif

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