Encerra no Brasil um dos melhores arcos de Superman nos últimos anos. ''Grandes Astros: Superman'', a edição número 12, traz o desfecho do mito do Homem de Aço reinventado pelo escritor Grant Morrison e o desenhista Frank Quitely. A série, escrita para aventuras fora da cronologia do universo DC Comics, serviu para que artistas talentosos emprestassem uma visão mais radical e autoral sobre personagens icônicos. A publicação nacional é da Panini Comics.
Nesta derradeira edição, Lex consegue os poderes de Superman, que, esgotado após um confronto com a criatura Solaris, precisa deter seu inimigo exercitando o cérebro ao invés dos músculos, em uma interessante inversão de papéis. O que se vê é pancadaria e deliciosos diálogos entre os arquiinimigos nas ruas de Metrópolis.
Morrison demonstra sua já conhecida habilidade em costurar referências de toda a mitologia do herói, pitadas de cultura pop, complexidade e motivações mais verossímeis em histórias autocontidas. Dessa forma, o roteirista escocês consegue, como poucos, agradar os leitores mais novos e os veteranos.
A série, vencedora do prêmio Eisner, explorou o romance com Lois Lane, o passado em Smallville, a divertida participação de Jimmy Olsen e Bizarro, aparições inusitadas de Flash e Lanterna Verde, além de um curioso relacionamento com seus pares de Krypton.
Grande responsável pelo sucesso, o ilustrador Quitely também caprichou. O estilo ''Moebius'', de traços finos e detalhados, acrescentou mais personalidade ao Homem de Aço. O talento do desenhista também é essencial para que os leitores tenham uma dimensão dos poderes do super-herói. Sua noção tridimensional do desenho e a narrativa com ''ação silenciosa'' - sem o uso de onomatopéias - permitem um divertido exercício criativo.
De forma simples e original, a dupla mostra a razão pela qual podem existir centenas de Supermen, mas nenhum deles como Clark Kent: um ser com poderes alienígenas e coração terrestre, capaz de ultrapassar seu próprio mito a partir de grande senso de justiça e sacrifícios dignos de um herói incorruptível.
Níquel Náusea
Difícil lembrar de alguém que lance com tanta regularidade uma coletânea de tiras no Brasil como Fernando Gonsales. E o autor conta com mais uma edição nas prateleiras neste início de 2009, a oitava pela Devir Livraria, ''Níquel Náusea: Em boca fechada não entra mosca''.
São 200 tiras de personagens já consagrados: Rato Ruter, Gatinha, Fliti, entre outros, oferecem deliciosas metáforas e engraçadas situações de duplo sentido.
É notável o aumento da participação dos seres humanos nas tiras. Depois de ''Com mil demônios'', ''A perereca da vizinha'', ''Tédio no chiqueiro'' e ''Minha mulher é uma galinha'', ''Em boca fechada não entra mosca'' aposta em mais do mesmo e acerta na mosca, com o perdão do trocadilho, em mais uma boa leva de humor atemporal.
Serviço
- ''Grandes Astros: Superman 12'' tem formato americano (17 x 26 cm), com 28 páginas coloridas, a R$ 3,90
- ''Níquel Náusea - Em boca fechada não entra mosca'' sai no formato 21 x 28 cm e 48 páginas coloridas, a R$ 24