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Sábado, 25 de Março de 2017
Folha 2
25/03/2017

O humor do Jeca no cinema

Mazzaropi encarnou o caipira com uma voltagem irreverente de crítica e sem o mau gosto do 'sertanejo' de agora

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Eu era criança quando conheci o Jeca Tatu. Primeiro através dos livros de Monteiro Lobato, depois no cinema já que meus pais, como todos os de sua geração, gostavam dos filmes de Mazzaropi. Esta semana, tendo em vista que ele faria 105 anos no próximo dia 2 abril, li notícias relativas às homenagens que vão acontecer em Taubaté (SP), onde há um museu com seu acervo e uma grande movimentação turística em torno de seu nome.
Do Jeca do cinema guardo o olhar melancólico, o jeitão caipira de andar descalço ou, no máximo, com botinas desajeitadas. As calças curtas e o chapéu de palha compunham o resto do figurino, além de fazer parte do "tipo" o bigode e o cigarrão de palha, ostentado num tempo em que fumar no cinema não era politicamente incorreto.
O personagem interpretado por Mazzaropi fazia críticas aos coronéis donos de terras: ele era o trabalhador rural que se insurgia contra o abuso dos patrões. A crítica era feita de forma bem-humorada, de um modo que atraia o público que gostava de se divertir com a perspicácia caipira.

Ilustração: Marco Jacobsen
Ilustração: Marco Jacobsen


Em tempos ingênuos tudo isso fazia mais sentido, mas Mazzaropi atravessou gerações e seus filmes - que ainda hoje podem ser vistos especialmente na TV Brasil - atraem um público cativo, na verdade, sua exibição no canal de TV só perde para atrações como o Campeonato Brasileiro, segundo dados de 2016 divulgados pela emissora.
Mazzaropi começou no circo, daí a verve cômica que sempre o acompanhou, passou pelo rádio e, inevitavelmente, foi parar no cinema, tendo em vista a movimentação artística nos anos 40/50 em grandes companhias como a Vera Cruz que produziu filmes no Brasil entre 1949 e 1954 em São Bernardo do Campo (SP), fundada pelo produtor italiano Franco Zampari e o industrial Francisco Matarazzo. Mas não deixa de ser um traço de ousadia de Mazzaropi ter criado seu próprio estúdio: a produtora Amácio Mazzaropi (PAM Filmes), em 1958.
As películas tinham nomes engraçados como "A Banda das Velhas Virgens" no qual ele é um caipira que tem o sugestivo nome de Gostoso; "Meu Japão Brasileiro", aproveitando a influência da comunidade nipônica nas lavouras nacionais e o imperdível "Jecão, um Fofoqueiro do Céu", no qual Jecão Espinheiro se envolve com problemas de dinheiro e tira a sorte grande, ao todo, sua cinebiografia tem 30 filmes. Irreverente e engraçado, Mazzaropi soube como ninguém explorar um personagem bem brasileiro: o caboclo, mas sempre atravessando os enredos com um tom crítico que necessariamente não fazia parte da cultura naquele período de de vedetes no teatro de revista e grande influência da indústria americana sobre nossos artistas.
O Jeca fica na memória como a encarnação do brasileiro simples, porém, muito esperto ao denunciar a exploração através de uma simpatia legítima em vez do mau humor que carateriza a arte engajada.
Nos filmes ele fazia de tudo, inclusive cantava, e sua voz ressoou com melancolia na canção "Tristeza do Jeca", dos inesquecíveis Tonico e Tinoco, numa representação poética da cultura rural ainda não contaminada pelo mau gosto da atualidade quando duplas sertanejas repetem temas ostensivos dando preferência a carrões e bebedeiras nas letras que passam longe da singeleza do campo no Brasil dos rodeios e da indústria cultural de encomenda, sem crítica e sem raízes. Dá até vontade de sair gritando: "acorda peão!"

celia.musilli @ gmail.com
Célia Musilli
celia.musilli @ gmail.com
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