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Segunda-feira, 24 de Julho de 2017
Folha 2
11/05/2014

CÉLIA MUSILLI

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Marco Jacobsen

O "nada" a favor do humano

Em 2002 aconteceu o primeiro Dia do Nada em Londrina. Era mês de maio, a data escolhida foi a primeira segunda-feira depois do Dia do Trabalho. A ironia era proposital e um pequeno número de pessoas foi a uma praça central começando um ciclo que se estenderia até hoje, a ideia era fazer manifestações públicas e criativas se contrapondo à automatização do trabalho. A iniciativa partiu do artista plástico Rubens Pillegi, que foi colunista da FOLHA e escrevia sobre artes visuais conectando os leitores às tendências mais transgressivas da arte, evocando, por exemplo, o pintor e ativista político alemão Joseph Beyus, entre outros nomes conhecidos, como Arthur Barrio, autor de instalações caóticas, e a desconhecida Jardelina, performática de Bela Vista do Paraíso que se fotografava com figurinos extravagantes e foi parar nas páginas da revista Marie Claire despertando enorme interesse.

Eu era então editora de cultura e muitas vezes fui questionada sobre o por que de manter no jornal um colunista como o Rubens. Mais de uma vez tive que explicar que a arte acadêmica tinha seu valor, mas precisávamos, já atrasados, nos ligar ao contemporâneo, com as vertentes mais ousadas, às vezes incompreendidas, que abarcam não só a arte "normal", mas também a produção de portadores de problemas mentais como Jardelina. Sempre encarei a arte como um exercício de liberdade, um dos únicos que não preveem fronteiras e, neste sentido, a coluna Alfabeto Visual alfabetizava o gosto, desviando-o dos padrões.
Este ano retomei contato com o Rubens, mora em Goiânia, é professor, pesquisador e continua celebrando o Dia do Nada, um protesto contra o trabalho obrigatório, a automatização dos processos produtivos, a mais valia. E, ao contrário do que muita gente pensa, não é um movimento contra o trabalho, mas apenas uma proposta de produção criativa, prazerosa.
Na última segunda-feira, dia 5, em várias cidades do Brasil pequenos grupos de pessoas, ou uma única pessoa, comemoraram mais uma vez o Dia do Nada a partir de um encontro marcado nas redes sociais. A ideia era fazer atos criativos que interferissem no cotidiano urbano, invertendo a ótica em relação a espaços e comportamentos massificados, que escravizam as pessoas sem que elas percebam.
Em Campinas, escolhi a praça da alimentação do Shopping Prado para fazer bolinhas de sabão, brincadeira de infância, ato inofensivo e lúdico. Mal comecei um segurança veio falar comigo, incomodado. Estranhou a atitude num shopping, onde todos compram, bebem e comem. Expliquei do que se tratava, ele me disse: "Quando for assim, a senhora deve falar antes com a administração." Imaginem, falar com a administração para fazer bolhas de sabão. Então, compreendi que o Dia do Nada é tudo aquilo que já dissemos, mas percebi também que o "nadismo" mexe com estruturas postas, ainda que seja através das manifestações mais inocentes, como forma de intervenção urbana.
Pouco antes, no mesmo shopping, eu havia ficado quase uma hora numa fila de Correio para postar um livro, enquanto vendedores postavam 30, 20 caixas antes de mim. Nada contra os vendedores, mas vi que as pessoas na fila têm uma atitude completamente bovina, ninguém reclama, todos suportam a espera de um serviço cheio de falhas. Então, o Dia do Nada é isso, um lembrete de que tudo está automatizado e que somos máquinas operantes, qualquer atitude diferente causa estranhamento, causa ruído. Nada mais urbano que um shopping, nada mais automatizado do que trabalhar para comprar e esperar em filas. Nada mais lúdico que uma bolha de sabão cortando o cenário da pasmaceira aprovada pela administração.
Ah! se "perdêssemos" tempo todos os dias fazendo bolhinhas de sabão para lembrar que é preciso exercitar a liberdade, dentro do parâmetro de respeito ao próximo, mas sem as amarras da massificação que anula a criatividade inerente à espécie cada vez mais triste. Decerto, teríamos menos linchamentos e mais arte a nos conectar com a vida.
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