VOLTAR PARA HOME
Continue tendo acesso ao conteúdo da Folha
   ou   
Cadastre-se pelo Facebook
para ter acesso ao melhor conteúdo do Paraná
VOLTAR PARA HOME
Olá
Assine já para continuar a ler a Folha de Londrina.
Para identificá-lo como assinante, precisamos do seu email e CPF.
VOLTAR PARA HOME
Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante
Folha 2
13/10/2017
ARTES CÊNICAS

A força do teatro

'Luis Antonio - Gabriela ', apresentado no 15º Festival de Dança de Londrina, traz a força de uma denúncia carregada de sensibilidade

QR Code
Enviar por Email
Compartilhar
Twettar
Linkedin
Fonte
Comunicar erro
Ler depois

"Luis Antonio – Gabriela", espetáculo da Cia Mugunzá de Teatro, de São Paulo, dirigido por Nelson Baskerville, foi apresentado na quinta-feira (12), no Teatro Ouro Verde, dentro da programação do 15 º Festival de Dança de Londrina. Ao fim do espetáculo, o público aplaudiu o elenco em pé por vários minutos e sem vontade de parar, numa demonstração do quanto uma montagem que aborda de forma absolutamente humana a questão do gênero pode afetar pessoas sensíveis ao tema que não pode mais passar despercebido. Trata-se de uma necessidade de nosso tempo no sentido de reduzir as discriminações contra gays e travestis que chegam à violência criminosa.
PUBLICIDADE

O travesti Gabriela, nascido Luis Antonio numa família classe média nos anos 1950, representa a trajetória de milhares de pessoas que pagam o mesmo preço por sua identidade de gênero. Da vida familiar à vida noturna em boates de Bilbao (Espanha) – rota que se intensificou com a debandada de homossexuais que pegaram o caminho da Europa, em busca de oportunidades de vida e trabalho mais livres, nos anos 80 - sua história é um tapa sensível nas bandeiras moralistas que insistem em desqualificar pessoas por seu gênero, tornando-as vulneráveis a vários tipos de agressão, incluindo as tentativas de torná-las invisíveis.

Realista e poético ao mesmo tempo, o espetáculo se vale de uma montagem que utiliza várias linguagens: música ao vivo (executada pelos próprios atores), dança, vídeo e teatro regadas à crítica e humor que se equilibram tornando tudo mais fluido, apesar do tema sério, sofrido e pungente.
Ao levar para o palco sua história familiar, Barksville faz um acerto de contas com a própria consciência por não ter compreendido a vida do irmão mais velho que transgrediu as regras ao se tornar um travesti, rompendo os limites da moralidade. Ao fim do espetáculo, o diretor faz um pedido de desculpas, através de um letreiro luminoso que se adapta perfeitamente à estética escolhida para a montagem, afirmando que "não soube lidar com aquela situação". E quem saberia? Estaríamos prontos para enfrentar algo parecido em família que não resvale no preconceito ou omissão num mundo em que a censura é ciclicamente revigorada em sua força de ataque contra as diferenças e os diferentes?

Luis Antonio, que passa a ser Gabriela, morreu de Aids em 2006. No palco, após sua morte, há espaço para um show no paraíso, no qual a pergunta que não quer calar bate nos ouvidos da plateia como um mantra a mostrar que os sentimentos estão muito além do moralismo: "No céu não existe homem nem mulher, mas apenas almas". Com este desfecho, o público sai do teatro levando para casa uma reflexão que encerra uma questão existencial e espiritual que nos devolve a compreensão do que somos na essência, e isso é o que importa.

"Luis Antonio - Gabriela" teve uma única sessão no Festival de Dança de Londrina, funcionando como uma janela teatral que trouxe para a cidade o que há de melhor no palcos brasileiros. Considerado o Melhor Espetáculo pelo prêmio APCA de 2011, a montagem mostra vigor e atualidade, em total sintonia com os momentos de tensão que a ameaça de censura deflagra a cada vez que reaparece com uma brutalidade que nunca foi extinta, nos espreitando nos momentos em que estamos distraídos entre o fechar e abrir das cortinas da contemporaneidade carregada de impasses.
Célia Musilli
Reportagem Local
PUBLICIDADE
CONTINUE LENDO

Liberdade de expressão em Frankfurt

Ken Follett lança obra sobre o tema na feira de livros mais famosa do mundo

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Assine a Folha de Londrina
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Folha de Londrina - Todos os direitos reservados
HOSPEDADO POR
Hospedado por Mandic