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Folha 2

A dedução, no fio do bigode

Em 'Assassinato no Expresso Oriente', o espectador degusta a capacidade de dedução e prognósticos do excêntrico protagonista para resolver o caso de um furto

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Reprodução - Kenneth Branagh encarna o personagem ao melhor estilo descrito por Agatha Christie: com pedantismo, vasta intelectualidade e invejável manejo da lógica
Kenneth Branagh encarna o personagem ao melhor estilo descrito por Agatha Christie: com pedantismo, vasta intelectualidade e invejável manejo da lógica


Em 2013, a Associação Internacional de Escritores Policiais elegeu a novela "O Assassinato de Roger Ackroyd" como o melhor desta literatura de gênero. Sua autora: a prolífica (79 romances e livros de contos de mistério) escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976). Seu personagem: Hercule Poirot, nascido na ficção policial em 1920. Este bizarro detetive belga está presente em 33 novelas e 50 contos saídos da imaginação de Agatha. Entre eles, "O Assassinato no Expresso do Oriente", escrito em 1934, precisamente quando ela viajava neste trem quando a neve a obrigou a uma longa parada.
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Em 1974, exatamente 40 anos depois da publicação da célebre novela, o grande Sidney Lumet dirigiu um exuberante elenco transbordante de carisma (Albert Finney/Poirot, Lauren Bacall, Martin Balsam, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Vanessa Redgrave, Sean Connery, Sir John Gielgud, Anthony Perkins, Richard Widmark, Jean Pierre Cassel, Wendy Hiller, Rachel Roberts e Michael York) para contar a história de crime e mistério, na primeira e elogiada versão. Mais de quatro décadas transcorridas e agora é Kenneth Branagh quem aparece tanto atrás (como diretor) como diante das câmeras (como o perspicaz detetive de peculiares bigodes), acompanhado por outro ensemble de estrelas – mais modesto, sem dúvida – que inclui Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe, Johnny Depp, Derek Jacobi, Judi Dench, Penélope Cruz, Josh Gad, Leslie Odom Jr., Daisy Ridley, Marwan Kenzari, Olivia Colman, Lucy Boynton, Manuel Garcia Rulfo, Sergei Polunin e Tom Bateman.
O melhor do filme tem a ver com o humor absurdo que aparece logo no prólogo ambientado no Muro das Lamentações, em Jerusalém. Ali o espectador vai degustar a notável capacidade de dedução e prognósticos do excêntrico protagonista para resolver o caso de um furto com três religiosos como suspeitos. Poirot, prestes a sair de férias, tem seus serviços novamente requeridos. A bordo do luxuoso Expresso do Oriente, não apenas vai conviver com personagens complexos como logo terá pela frente o assassinato antecipado pelo spoiler contido no próprio título da trama.
O irlandês Branagh, que já dirigiu títulos tão diferentes como os shakespeareanos "Henrique V", "Hamlet" e "Muito Barulho por Nada", mas também "Thor" e "Cinderela", aposta aqui no estilo clássico de narrativa para moldar uma trama em que cada um dos passageiros tem algum motivo para ser o autor material ou o instigador do crime. Há, nas quase duas horas do relato, um amplo exercício visual, uma minuciosa reconstituição de época e muitas panorâmicas do trem serpenteando entre montanhas nevadas. O problema é que todo esse argumento – sólido e muito correto, certamente – carece de audácia, de autoconfiança e de atrevimento. E o que poderia ter sido a gloriosa recuperação de um gênero (literário e cinematográfico) já bastante esquecido
termina sendo somente um produto construído com profissionalismo, mas sem muitos achados de interpretação (há um festival de sotaques exagerados) ou de narrativa.
Outra questão a incomodar. Enquanto Poirot está sempre a fascinar, o restante dos personagens fica devendo. Como é um filme coral, cada elemento deveria manter o público interessado. Mas isto não ocorre. Os personagens são unidimensionais e frustram quando deveriam melhor se apresentar. É claro que temos aqueles que parecem muito, muito suspeitos, mas são tão mal alinhavados que o espectador não se deixa enganar. Ao longo do segundo ato, onde justamente se encontra o nó da trama, Branagh e seu roteirista Michael Green ("Logan", "Alien Covenant", "Blade Runner 2049") nos apresentam demasiadas informações em poucos minutos. E é impossível conservá-las todas. Isto de repente transforma a trama em complicado quebra-cabeças sobre algo que, de saída, deveria nos ter mantido interessados.
No entanto, é no último terço – a caminho da resolução do crime – que o filme mais uma vez provoca no público um interesse genuíno. E é justamente quando estamos de volta ao comando de Poirot. Branagh encarna o personagem ao melhor estilo descrito por Agatha Christie. Estão bem visíveis o pedantismo, a vasta intelectualidade e o egocentrismo, bem como o invejável manejo da lógica, especialmente o silogismo
(raciocínio dedutivo de duas premissas e uma conclusão que é um resultado lógico das duas premissas – bons, muito bons aqueles tempos em que se aprendia Lógica, quando nada para saborear Agatha Christie...). Poirot é um detetive acadêmico, por assim dizer, e Branagh lida com isso com prazer todo especial. Este é o ponto alto e fator de coesão do filme. Ele é o tipo de policial que não resolve conflitos com a ferocidade das perseguições ou com o exercício da violência desnecessária.
A notar, ainda, a ambigua visão sobre o bem, o mal e a justiça moral, sempre um magíifico tema para debate.
Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Especial para Folha2
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