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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016
Economia
19/07/2013

Acil e Sincoval orientam lojista a reajustar salários em 7%

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Gustavo Carneiro
Entidades patronais sugerem aumento antecipado para os trabalhadores enquanto convenção coletiva segue emperrada

O Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval) e a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) divulgaram ontem um texto conjunto, no qual orientam lojistas a conceder antecipação do reajuste salarial de 7,16% para empregados. O valor, equivalente à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio de 2012 a abril deste ano, visa evitar perda no poder de compra dos comerciários enquanto a Convenção Coletiva de Trabalho não é assinada. O que, pelo que dizem representantes patronais e dos trabalhadores, deve ocorrer na Justiça.
No texto divulgado ontem, os presidentes da Acil, Flávio Balan, e do Sincoval, Yukio Ajita, afirmam que o objetivo é fazer esclarecimentos sobre a negociação da convenção, que está emperrada com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina (Sindecolon). Eles apresentam sete pontos nos quais contestam reclamações feitas pela entidade de trabalhadores e a acusam de gerar desinformação. O diretor secretário do Sindecolon, Célio Vila, contesta a versão.
Intitulado "Vida ou morte do comércio em Londrina", o documento descreve que não foi proposta a redução dos salários já pagos ou dos pisos estabelecidos na convenção anterior. "O sindicato patronal sugeriu a criação de pisos salariais diferenciados para novas empresas de menor porte. Tal medida significa aumentar a quantidade de trabalhadores com carteira assinada", citam os dois, na nota. Ambos também acusam o Sindecolon de desinformar a todos. "Maliciosamente, o sindicato dos comerciários procurou fazer confusão entre esses novos pisos salariais e uma suposta redução dos salários já existentes."
A referência é a reclamação feita pelo Sindecolon de que a proposta patronal seria "desrespeitosa", por prever salário de R$ 582, menor do que atual mínimo nacional de R$ 678, durante contrato de 90 dias de experiência para pacoteiro, faxineira, office boy, copeiro e vigia, por exemplo. Vila insiste na versão. "Estão querendo dividir, mas não pode pagar menos do que pagava, não pode ser menos do que o mínimo", diz.
Outro artigo do texto patronal aponta para um pedido de aumento do Sindecolon de 82,26% no piso salarial. No terceiro item das reivindicações da entidade de trabalhadores, a proposta é de reajuste de 15%, mas, no subitem 3.1, o valor para o mínimo da categoria é de R$ 1,5 mil. Hoje, o piso é de R$ 823 e chegaria a R$ 946, se aceito o percentual de 15%. "Pedir algo não tem problema, mas tem de ter uma contraproposta deles e eles vieram com essa de redução salarial. Hoje queremos o mesmo que o governo do Paraná deu ao mínimo regional, que é de 12,69%", conta Vila.
Balan e Ajita não estavam na cidade ontem. O advogado do Sincoval, Ed Nogueira de Azevedo Junior, usou a mesma justificativa, a de negociação, para falar sobre os valores em caso de piso diferente para empregados de pequenas empresas. "É apenas um valor inicial, para ser discutido", diz.
Nos itens restantes do texto, as entidades patronais pedem pela mudança nos horários de funcionamento de lojas de rua, para que possam competir com shoppings, que abrem até 22h e aos sábados, domingos e feriados. "Os empresários devem ter a liberdade de ampliar o horário de funcionamento das lojas, desde que respeitem a legislação trabalhista e as limites da jornada de trabalho diária e semanal", citam, no texto.
Vila diz que o trabalhador não ganha com isso. "A pessoa perde a tarde de sábado e o domingo e eles vão fracionar o horário (44 horas semanais) durante os sete dias ou fazer uma compensação em algum dia, o que é uma fria, porque ninguém faz direito", afirma.


Fábio Galiotto
Reportagem Local
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