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Domingo, 28 de Maio de 2017
Folha 2
15/04/2017

Uma crônica para o Ouro Verde

Na reestreia, depois do incêndio, ainda não sabemos qual será a programação que vai nos tirar do pesadelo para devolver o sonho

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No princípio era a arte, pelas mãos de Vilanova Artigas, arquiteto dos sonhos em concreto. Em 1952, o Ouro Verde foi inaugurado para ser cinema, um templo de cortinas de veludo e 1500 lugares. Na primeira sessão, antes mesmo do filme começar, o público experimentou a emoção de desembarcar no futuro. Na plateia, entre os convidados, chefões dos estúdios cinematográficos indicavam que Hollywood era aqui, como não?

A partir disso, durante anos, todos veriam em technicolor o rosto de Vivien Leigh, antes de atravessarem "A Ponte do Rio Kwai" assobiando baixinho ou batendo os pés para acompanhar a trilha sonora. No escurinho do cinema, começaram namoros que terminaram em casamento. Os casais se beijavam ao ouvir "O Toureador e a Andaluza", música que antecedia cada exibição. Doris Day, Rock Hudson e Brigite Bardot eram ídolos de uma geração que começava timidamente uma revolução de costumes.

Em 1978, o cinema foi comprado pela Universidade Estadual de Londrina e ali nasceu um teatro. Há lembranças do dançarino japonês Kazuo Ohno, que trouxe o butoh para o FILO, em 1992. Antes, em 1989, Astor Piazzolla se apresentou no teatro numa noite chuvosa, na qual as trovoadas antecederam os acordes de "Adiós Nonino". O público aplaudiu quando os músicos chegaram depois de mais de uma hora de atraso e, ainda com a roupa de viagem – depois de esperar no avião para o qual não havia condições de pouso - subiram ao palco para uma noite que foi uma cena líquida: metade chuva, metade lágrimas. Eu estava entre os que se emocionaram na plateia.

Ilustração: Marco Jacobsen
Ilustração: Marco Jacobsen


Em 2012, toda essa memória sofreu com um incêndio dolorido, as paredes do velho Cine Teatro cederam. O palco foi queimado, junto com ele as cortinas que remetiam aos casarões de Atlanta em "E o vento levou"...Queimaram-se as poltronas, transformadas num cemitério de cruzes com o que sobrou de sua estrutura, queimou a rampa de acesso à galeria, caminho sinuoso de Artigas no seu sonho de linhas curvilíneas. Chamas ameaçando a história, fumaça tragando a memória.

Ficaram em pé as paredes externas e o letreiro luminoso onde se lê Ouro Verde, um marco da anunciação de Londrina como capital do café e das artes, seu grande amor. As décadas de cinema, música e teatro voaram com as cinzas sem nenhum aplauso. Tristeza profunda e cinco anos de silêncio.

2017 marca a reinauguração do velho que se transformou no novo, o milagre da engenharia, a resistência da arquitetura. Um trabalho amoroso que reconstrói a antiga planta de Artigas, o Ouro Verde regado como a árvore-mãe, canteiro de obras, canteiro das artes.

Às vésperas de sua reinauguração, prevista para junho, uma bailarina voa da galeria ao palco, as luzes se acendem: menos poltronas, mais técnica, menos risco, mais segurança. Ainda não sabemos qual será a programação da reestreia que irá nos tirar do pesadelo para devolver o sonho. Espera-se um coro de anjos, um pas de deux de amantes entre o público e seu teatro. Uma interpretação histórica, um retorno triunfante sobre "a dança do fogo", a volta por cima sobre a poeira e as cinzas. O amor reluzente como o ouro. A alquimia dos deuses. A arte.

(Uma síntese desta crônica está no vídeo que acompanha esta edição sobre o Teatro Ouro Verde, através do recurso "realidade aumentada")

celia.musilli @ gmail.com
celia.musilli @ gmail.com
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