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Quinta-feira, 23 de Março de 2017
Folha 2
18/03/2017

A sedução da matemática

Sem saber fazer cálculos, admiro quem sabe decifrar o mundo através de teoremas e equações

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Quando assisti ao filme "Estrelas Além do Tempo", de Theodore Melfi, fiquei pensando no quanto admiro quem sabe matemática, porque as contas sempre me dão um nó na cabeça. Vi aquelas mulheres da Nasa, em plena Guerra Fria, ajudando a por um foguete no espaço e fiquei impressionada. Achei Katherine Johnson (interpretada por Taraji P. Henson) a mais brilhante delas, embora Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), que são as outras personagens do filme, não fiquem atrás.

Elas foram matemáticas que contribuíram enormemente para a corrida espacial norte-americana, mas por serem mulheres e negras eram mantidas como coadjuvantes num ambiente de homens mesmo quando eram, de fato, o cérebro de muitas operações.
Para quem não sabe, o filme foi baseado em fatos reais e as três viveram muitos anos, mas só agora foram redescobertas graças ao diretor que investiu nas chamadas 'hidden figures', literalmente 'figuras ocultas'.

Mais do que comentar o filme, que recomendo, quero falar dos números, essa linguagem mágica que determina o movimento do universo. Não compreendo o Teorema de Pitágoras, a Conjectura de Goldbach ou a Equação de Euler citada no filme. Matemática para mim sempre foi um naufrágio, algo incompreensível como imaginar como morrem e nascem as estrelas, fora da explicação básica da acumulação e explosão de energia que os físicos entendem graças aos cálculos.

Ilustração: Marco Jacobsen
Ilustração: Marco Jacobsen


O universo é todo matemático, nem por isso se configura em linhas retas. O quadrado, por exemplo, é uma forma concebida pelo homem, na natureza ele não existe, porque a natureza é feita de formas redondas e circulares. Quando descobri isso, por causa de um conto que analisei literariamente – 'O Quadrado de Joana', de Maura Lopes Cançado – foi uma enorme surpresa. Fiquei vários dias investigando quadrados até chegar ao Quadrado Mágico, representado por uma tabela de números em progressão aritmética em que a soma de cada coluna, de cada linha e das duas diagonais são iguais. No fim das contas, prevaleceu na minha análise um sentido mais livre para a obsessão da personagem literária por quadradinhos – concluí que representavam um ponto de fuga da realidade – mas o contato breve com números me deu a certeza de que por não saber lidar com eles perco a visão integral das maravilhas do universo. Enfim, não se pode ter tudo. Ou se escreve bem ou se calcula bem, embora algumas pessoas geniais possam utilizar o cérebro para as duas coisas, enquanto os comuns partem para as ciências humanas – no meu caso, a linguagem – ou para as exatas.

Ainda assim guardo com os números essa relação de mistério. Eles são tão instigantes que acredito em seu aspecto sagrado, uma engenharia oculta que Deus pôs para funcionar em seu laboratório de criação sem que os leigos suponham qual o cálculo da flor, do mar ou das estrelas, enquanto os especialistas vão decifrando ao longo dos séculos o mecanismo daquilo que a tradição explica como o "mundo feito em sete dias." E que mundo.

Por isso não duvido quando vejo referências aos Números de Grabovoi. Um sistema criado por um médium russo que afirma ter a solução para muitos problemas através da mentalização e aplicação dos números. Em meus testes, constatei que isso funciona sim. Até por isso, os místicos têm uma relação forte com a matemática a ponto de criarem a Numerologia, muitas pessoas utilizam o método para escolher desde nomes de filhos a nomes de empresas. Eu – pelo sim, pelo não – procuro me cercar dessas garantias o que não significa que eu tenha adentrado a matemática como gostaria. Longe disso, sou apenas uma entusiasta dos números e torço e tramo para que as pessoas resolvam realmente seus problemas práticos e íntimos, de natureza física ou psicológica, somando 3 mais 4, 6 mais 1 e assim por diante, até chegar numa soma que signifique positividade para seus projetos.

De minha parte, queria mesmo ser como Katherine Johnson, do filme "Estrelas Além do Tempo", para saber colocar um foguete no espaço, de modo que ele não seja destruído quando voltar para a atmosfera terrestre. Essa parte do filme, quando ela calcula o ponto exato usando matemática antiga - que os cientistas homens consideravam até mesmo arcaica - é uma das sequências mais instigantes sobre a junção que as mulheres fazem da intuição com o conhecimento, do insight com a ciência.

Confio muito nos insights e estalos que temos no dia a dia, a solução para um problema pode estar numa fração de segundo embora a gente nem sempre seja capaz de calcular quando isso acontece e por que acontece. Esse mistério é o que os matemáticos decifram. Da lei da gravidade, ao espaço/tempo de Eisntein tudo dependeu de um acaso que passou a cálculo. É neste ponto que a percepção de uma coisa, a princípio misteriosa, configura-se como conhecimento. Até por isso, continuo tentando contar e conhecer estrelas.
Célia Musilli
celia.musilli @ gmail.com
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