VOLTAR PARA HOME
Continue tendo acesso ao conteúdo da Folha
   ou   
para ter acesso ao melhor conteúdo do Paraná
VOLTAR PARA HOME
Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante
Domingo, 28 de Maio de 2017
Folha 2
16/03/2017

Logan

'Logan' faz a mais clara aposta no sombrio, no desglamourizado, no 'sujo' para extrair desta linha sua razão de ser

QR Code
Enviar por Email
Compartilhar
Twettar
Linkedin
Fonte
Comunicar erro
Ler depois

Fotos: Reprodução
Fotos: Reprodução - Filme é um western quase de manual, no qual Logan é visto como um pistoleiro solitário que assume funções protetoras
Filme é um western quase de manual, no qual Logan é visto como um pistoleiro solitário que assume funções protetoras


Podemos iniciar esta conversa questionando o sentido que há em escrever uma crítica sobre "Logan". Sim, porque a série de franquias interconectadas de super-heróis que a Marvel desenvolveu nos últimos anos funciona segundo sua própria lógica interna, somada a mecanismos de promoção mundial muito mais fortes que o poder que possam ter juízos de valor midiáticos. A criação de um mundo fictício amplo, como bem demonstram as muitas sagas anteriores (StarWars, StarTreck, Harry Potter, Senhor dos Anéis, etc, etc), é sinal evidente de que a fidelidade do fã está garantida. E fortalecida. A partir deste ponto de vista, a figura do crítico, na verdade, não tem muito a dizer. Para o fã, o que de fato importa é a forma com que cada nova produção cria conexões e amplia questões tratadas anteriormente em prequelas. Interesses muito distantes do que pode destacar a crítica especializada. Ao seguidor da Marvel, afinal, somente outro seguidor da Marvel pode oferecer uma aproximação melhor à história. Assim, para aqueles que tem conhecimento e posição inflexivelmente firmados a respeito de Marvel e de seus super-heróis – Logan/Wolverine em especial, neste momento – o que se vai ler a seguir importa pouco ou nada.
Mas sem pisar em ovos, e mirando objetivamente naquilo que se viu, é justo afirmar que "Logan" é o filme de super-herói que faz a mais clara aposta no sombrio, no turbulento, no desglamourizado, no "sujo" – para extrair desta linha a sua razão de ser. E esta afirmação, para deixar claro às patrulhas ideológicas em alerta máximo (ou alguém é tão ingênuo a ponto de negar ou subestimar a premissa de que ideologia não convive com entretenimento?), é um elogio que faço ao filme. O retrato de Logan, aliás James Lowell, seu nome verdadeiro: envelhecido, máscara de rosto retorcido pela dor causada pelo adamatium, alcoolista, potencialmente autodestrutivo, cuidador de um professor Xavier inválido e mentalmente deteriorado. A intenção, como o diretor James Mangold não demora a explicitar citando "Shane/Os Brutos Também Amam" (George Stevens, 1953), é acolher os códigos do western. Para garantir a sobrevida de alguns poucos mutantes num mundo que dizimou os mutantes.
Um western quase de manual. Logan como o pistoleiro solitário e errante que assume funções protetoras de início não desejadas a partir da garota Laura, co-protagonista. A dialética entre o deslocamento de Logan rumo a um lugar calmo e de paz, impossível para ele. O tom desmistificador, tratando de assimilar a vertente mais crepuscular e pessimista do gênero. E, finalmente, uma espécie de terra prometida como último fragmento de esperança. Acrescente-se a tudo isto a aposta pelo desmanche da ordem física que molda todas as sequências de ação, uma ação um tanto mais dosificada e muito mais violenta que o habitual.
O tom buscado pela direção parece bem claro. Mas ainda assim, "Logan" não é um filme que se liberte facilmente dos limites do status Marvel. A conspiração paranoica das experiências científicas como fonte do conflito, a necessidade de estímulo quase contínuo da ação, o caricaturesco do inimigo de plantão. E uma incômoda necessidade do excesso de uma violência muito além de gráfica, e curiosamente com efeito anestésico. E outro incômodo que de fato molesta: a inclusão de cenas sanguinolentas com crianças, e que se tornam críveis e efetivas ao fazer com que o espectador as assuma como espetáculo ficcional. Se se pensa depois da saída do cinema, esta eficácia é algo de muito perturbador. Merecida a classificação R (Restricted) recebida nos Estados Unidos.
Um velho doente, um homem sem esperança e uma menina perdida são os protagonistas deste road movie que parte da fronteira do México rumo ao Canadá visando encontrar a salvação para apenas um deles. A viagem é puramente emocional, mas definidora. É uma trama que já se viu várias vezes no cinema, é certo (o homem que cai de seu pedestal de cinismo para se aproximar afetivamente da garota que poderia ser sua filha), mas dentro do gênero é toda uma novidade, porque ela detém os mesmos poderes que ele. A tal ponto o diretor Mangold respeita as regras do western e tem bem claro qual é o tema de seu filme que dedica quase meia hora a uma sequência em que o trio em fuga encontra uma família de fazendeiros ameaçada. Um recheio assim com ares bíblicos que bem poderia fazer parte de um filme dos anos 1950, não fosse a intromissão dos vilões e sua selvageria.
A garotinha Dafne Keen, que interpreta a pequena Laura, réplica infantil de Wolverine, é rosto de rara expressividade. E perde quando o mutismo e a mímica letal dão lugar à fala. De resto, um enxugamento de 15, 20 minutos só faria melhorar esta história, que é bem construída.
Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Continue lendo
12
Continue Lendo
2-1-41-1245-20170316
2-1-41-1383-20170316
2-1-41-1321-20170316
2-1-41-1271-20170316
2-1-41-1267-20170316
2-1-41-1243-20170316
2-1-41-1258-20170316
2-1-41-1242-20170316
2-1-41-1269-20170316
2-1-41-1244-20170316
2-1-41-1260-20170316
Assine a Folha de Londrina
EDITORIAS
PolíticaGeralMundoCidadesEconomiaEsporteFolha 2OpiniãoFolha MaisEleições 2016Índice de Notícias
SEÇÕES
ChargeColunistasIndicadoresTempoHoróscopoEdição DigitalGaleria de FotosClassificadosCadernos EspeciaisPromoçõesLoterias
SEMANAIS
Folha GenteCarro & CiaImobiliária & CiaSaúdeEmpregos & ConcursosFolha CidadaniaNorte PioneiroMercado DigitalFolha RuralReportagemCozinha & Sabor
CLASSIFICADOS
VrumLugar CertoFolha ClassificadosDiversos
SERVIÇOS
ComercialArquivoCapa do ImpressoExpedienteClube do AssinanteFale ConoscoAviso LegalPolítica de PrivacidadeTrabalhe ConoscoQuem SomosGuia GastronômicoAssine Já!
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Folha de Londrina - Todos os direitos reservados