VOLTAR PARA HOME
Continue tendo acesso ao conteúdo da Folha
   ou   
para ter acesso ao melhor conteúdo do Paraná
VOLTAR PARA HOME
Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante
Terça-feira, 30 de Maio de 2017
Cidades
28/11/2008

Um caso emblemático de violência

QR Code
Enviar por Email
Compartilhar
Twettar
Linkedin
Fonte
Comunicar erro
Ler depois

Curitiba - Mãe mata os cinco filhos, com idades entre 6 meses e 7 anos, afogados na banheira de casa. Em seguida chama a polícia e o marido para calmamente relatar o ocorrido. O caso aconteceu em 2001, nos EUA. Pode-se imaginar a comoção nacional em torno do crime e também as manchetes da imprensa. O quanto Andrea Yates teve sua vida exposta e a mente "escrutinada" pela mídia. E até que ponto ela foi antecipadamente julgada pela opinião pública. Estas são questões que devem ser levadas em conta, junto com a discussão em torno de violência e doenças mentais.
Sheila Wendler se especializou em casos de "maternal filicide", quando a própria mãe tira a vida dos filhos. Ela os enxerga sob a ótica médica. Parece frieza aos olhos do leigo, mas profissionais como Sheila são necessários para a sociedade. Com seus estudos, a psiquiatra ajuda a entender como funciona a mente criminosa, quais doenças ou situações causam tamanha aberração (a sociedade não aceita que mães tirem a vida dos filhos), e quais os possíveis tratamentos e penas impostas a esses crimes.
Sheila acompanhou profissionalmente o julgamento de Andrea Yates. Era uma mulher que vivia sob forte estresse, tendo que cuidar de cinco meninos 24 horas por dia, enquanto o marido trabalhava. O casal adotou o "home schooling" -as crianças eram educadas em casa pela própria mãe, procedimento permitido pela lei nos EUA. Sem atividade escolar, mãe e filhos ficaram longe da vida social. Olhos externos não perceberam a situação de Andrea e o quanto seu estado mental foi se deteriorando. Sofrendo de psicose, Andrea vivia sob o delírio de que os meninos eram controlados pelo "demônio". Um dia, Andrea decidiu acabar com os demônios que invadiam sua casa. Deixou os meninos na sala e encheu a banheira de água. Um a um -e começando pelo bebê- ela os afogou na banheira.
O psiquiatra Dirceu Zorzetto Filho, de Curitiba, explica que há diferença entre o que Andréa Yates sentia -o delírio, ou "dellusion"- e a alucinação. "No primeiro caso, a pessoa cria uma idéia a partir do que vê, e acredita nessa idéia. Já a alucinação se caracteriza quando o doente enxerga coisas que não existem, e igualmente acredita nessas visões. Andrea, por exemplo, não via o demônio. Em seu estado mental delirante, acreditava que o demônio é quem fazia os filhos se comportarem mal", observa.

Detalhe

Essa pequena diferença parece um detalhe médico. Afinal, o que interessa nesse caso é que uma mãe matou os cinco filhos friamente. Mas não é apenas um detalhe, e pode fazer toda a diferença durante o julgamento e estabelecimento da pena. Andrea não se enxergava como mãe assassina, acreditava estar protegendo os filhos de um mal maior -o demônio- ao lhes tirar a vida. A criminosa delirante se comportou como mãe protetora, sob a ótica da doença mental que a dominava. Como punir um caso desses?
Sheila Wendler conta que Andrea teve dois julgamentos. No primeiro, posteriormente anulado por detalhes técnicos, foi considerada culpada pelo júri e condenada à prisão como criminosa comum. No segundo julgamento, do qual a psiquiatra participou, Andrea foi julgada "not-guilty" -equivalente ao "inocente" no sistema brasileiro, que é diferente do norte-americano. A mãe assassina, vista então como doente mental grave, foi penalizada a confinamento em um hospital psiquiátrico para criminosos sem previsão de saída ou cura.

Linchamento moral

A possibilidade de julgamentos antecipados e linchamento moral dos acusados é bastante alta, hoje, no Brasil. Quando as vítimas são crianças, a emoção entra em cena e o sangue de todos esquenta. Em casos como o das meninas Isabella Nardoni, Lavínia Rabeche e Rachel Genofre, cada cidadão tem opinião formada. Soluções sugeridas pública ou privadamente vão da pena de morte à vingança da "justiça feita pelas próprias mãos", passando por penalidades como castração química de pedófilos e prisão perpétua para psicopatas. "O clamor público não se baseia na lei", alerta o advogado Eduardo Sanz. A realidade da violência contra crianças, aponta Sheila, não corresponde necessariamente ao "clamor" da opinião pública. Há uma série de circunstâncias envolvidas e não existe solução, nem pena, igual para todos. "Cada história de crime contra crianças, cada caso de mães ou pais que matam filhos, cada pedófilo ou psicopata, deve ser analisado individualmente, por especialistas", diz. (B.M.)
Continue lendo
36
Continue Lendo
2-1-30-21243-20081128
2-1-30-20618-20081128
2-1-30-20619-20081128
2-1-30-20621-20081128
2-1-30-20622-20081128
2-1-30-20623-20081128
2-1-30-20648-20081128
2-1-30-20656-20081128
2-1-30-20670-20081128
2-1-30-20671-20081128
2-1-30-20672-20081128
2-1-30-20673-20081128
2-1-30-20676-20081128
2-1-30-20677-20081128
2-1-30-20696-20081128
2-1-30-20697-20081128
2-1-30-20698-20081128
2-1-30-20702-20081128
2-1-37-20705-20081128
2-1-37-20706-20081128
2-1-30-21331-20081128
2-1-30-21401-20081128
2-1-30-20627-20081128
2-1-30-20628-20081128
2-1-30-20629-20081128
2-1-30-20630-20081128
2-1-30-20631-20081128
2-1-30-20632-20081128
2-1-30-20633-20081128
2-1-30-20634-20081128
2-1-30-20642-20081128
2-1-30-20643-20081128
2-1-30-20679-20081128
2-1-30-21241-20081128
2-1-30-21242-20081128
2-1-30-21295-20081128
Assine a Folha de Londrina
EDITORIAS
PolíticaGeralMundoCidadesEconomiaEsporteFolha 2OpiniãoFolha MaisEleições 2016Índice de Notícias
SEÇÕES
ChargeColunistasIndicadoresTempoHoróscopoEdição DigitalGaleria de FotosClassificadosCadernos EspeciaisPromoçõesLoterias
SEMANAIS
Folha GenteCarro & CiaImobiliária & CiaSaúdeEmpregos & ConcursosFolha CidadaniaNorte PioneiroMercado DigitalFolha RuralReportagemCozinha & Sabor
CLASSIFICADOS
VrumLugar CertoFolha ClassificadosDiversos
SERVIÇOS
ComercialArquivoCapa do ImpressoExpedienteClube do AssinanteFale ConoscoAviso LegalPolítica de PrivacidadeTrabalhe ConoscoQuem SomosGuia GastronômicoAssine Já!
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Folha de Londrina - Todos os direitos reservados