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Cidades

Projetistas do Ouro Verde visitam fase final das obras

Engenheiros e arquitetos que se reuniram no teatro quando os escombros ainda estavam sendo removidos, retornaram ao local agora totalmente reformado

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Ricardo Chicarelli
Ricardo Chicarelli - As obras de reconstrução do espaço, destruído por um incêndio, começaram em janeiro de 2014: previsão de inauguração em junho
As obras de reconstrução do espaço, destruído por um incêndio, começaram em janeiro de 2014: previsão de inauguração em junho


Após o incêndio que destruiu o Teatro Ouro Verde, em 12 de fevereiro de 2012, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/Norte) reuniu engenheiros e arquitetos para elaborar os projetos técnicos, arquitetônicos e complementares para reconstrução do espaço. Trabalho que demorou cerca de seis meses e envolveu dez escritórios de engenharia e arquitetura e mais de 40 profissionais. No início dos estudos para elaboração dos projetos, os profissionais reuniram-se no teatro após a liberação do espaço pelo Corpo de Bombeiros, quando os escombros ainda estavam sendo removidos. "Era uma sensação de finitude. Uma coisa muito triste para a gente que frequentava e tem o Ouro Verde como referência de cultura da cidade. Todos ficaram comovidos e isso deu força para a gente trabalhar ainda mais", relembrou a vice-presidente do Sinduscon, Célia Catussi.
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Nesta quinta-feira (6), os responsáveis pelos projetos retornaram ao teatro, agora totalmente reformado e com as obras próximas de serem concluídas. "É emocionante você conseguir ver de novo o Ouro Verde", descreveu Célia. A maior dificuldade, apontou ela, foi conciliar as exigências do Corpo de Bombeiros com as do patrimônio histórico. Inaugurado em 24 de dezembro de 1952, o prédio projetado pelo arquiteto Vilanova Artigas foi tombado pelo patrimônio histórico estadual em 1999. "Como o teatro é tombado, nós não tínhamos autonomia, então tivemos que buscar várias alternativas, mas conseguimos cumprir todas as exigências."

No início da década de 1950, o Teatro Ouro Verde acomodava 1.350 espectadores. A capacidade foi sendo reduzida ao longo dos anos, após algumas reformas, e nos próximos meses, quando for reinaugurado, terá 726 poltronas e mais 12 lugares destinados a cadeirantes, além de rampas e elevadores de acesso às pessoas com necessidades especiais e um moderno sistema de som, iluminação e ar-condicionado.

As dimensões do palco foram ampliadas e foram empregados materiais mais adequados para garantir a segurança dos frequentadores. "Como é uma obra tombada, muita coisa teve que ser preservada. Fizemos adequações para atender a legislação e a necessidade atual do teatro. O problema maior foi reconstruir o existente", descreveu a arquiteta responsável pela reconstrução do projeto, Eliza Koyama. "É uma obra muito prazerosa. A não ser que seja um especialista nessa área, a gente faz um projeto desse uma vez na vida."

PREVENÇÃO DE INCÊNDIO
Responsável pelo projeto de prevenção e combate a incêndio, o engenheiro Valdir Carrion explicou que, além de melhorar o sistema de combate a incêndio, também foram atendidas as normas para reduzir o risco de início de incêndio e propagação do fogo. Aos materiais que revestem piso, parede e teto foi aplicado um produto que retarda as chamas e também diminui a produção de fumaça. "Incluímos no projeto tudo o que tem de mais moderno hoje. O Ouro Verde tem agora um sistema de detecção automática de incêndio por wi-fi. Em caso de incêndio, logo no princípio, com a produção de fumaça, um alarme é disparado em uma central, o que traz muita segurança aos usuários e ao prédio", comentou.

As obras de reconstrução começaram em janeiro de 2014 e nesses mais de três anos houve vários percalços, sendo o maior deles as dificuldades financeiras alegadas pelo governo do Estado que teriam causado atrasos nos repasses de recursos feitos à construtora responsável pela execução do projeto. Inicialmente a obra foi orçada em cerca de R$ 12,6 milhões, mas deve ser entregue a um custo total de aproximadamente R$ 17,5 milhões, segundo o engenheiro e diretor de Obras da Prefeitura do Campus da Universidade Estadual de Londrina, Rafael Fujita.

"A obra foi licitada em 2013. Ficou parada um tempo por dificuldade econômica do governo, teve incidência de reajustes, embora não tenham impactado tanto. O que impactou muito é que existiram uma gama muito grande de serviços extracontratuais que não foram previstos na licitação nem nos projetos por isso aumentou o valor inicial", explicou José Pedro da Rocha Neto, diretor da Regional Planejamento e Construções Civis, contratada para realizar a obra.

REINAUGURAÇÃO
A reconstrução está na fase final. Faltam ainda a parte da sonorização e a plataforma de carga. "Está em fase de execução e compra dos equipamentos, que são importados e pode ter problemas com a questão alfandegária", disse Fujita. A expectativa dele para a reinauguração, que até o início deste ano vinha sendo anunciada para o final de março de 2017, é para "o final de maio ou começo de junho". Mas Rocha Neto prefere não arriscar uma data, "porque não depende de mim. Como é material importado, vai chegar no porto e vai ter o desembarace. Vai depender da boa vontade da alfândega. Mas mesmo assim, a falta desses equipamentos não impacta a inauguração porque se não houver a sonorização, é só alugar o equipamento e inaugurar."
Simoni Saris
Reportagem Local
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