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Avenida Paraná
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.
Fale com Paulo Briguet
10/11/2017

Só uma palavra me devora

A infeliz frase de William Waack e a feliz virtude do perdão


Existem basicamente duas maneiras de assassinar uma reputação.

A primeira é o amálgama: lança-se uma acusação contra a pessoa e, quando ela ainda está respondendo, lança-se uma nova acusação, e uma terceira, e uma quarta, e assim por diante, até que o acusado seja impossibilitado de se defender. Stálin era mestre nisso.

A segunda é o exato oposto. O acusador toma uma falha real da pessoa — um comentário insensato, uma frase infeliz, às vezes uma simples palavra ruim — e a divulga repetidamente por todos os meios imagináveis. O Facebook é mestre nisso.

No primeiro caso, há o assassinato de reputação centrífugo. No segundo caso, o assassinato de reputação centrípeto.

O jornalista William Waack foi vítima desta segunda forma de assassinato.

Há um ano — ressalto: há um ano — ele fez um comentário idiota antes de entrar no ar no Jornal da Globo. Não reproduzirei aqui a frase de Waack. Todos já a conhecem. É, sem dúvida alguma, uma frase infeliz, até mesmo repugnante. Se meu filho dissesse uma frase dessas, seria castigado. Se um amigo me dissesse uma frase dessas, eu provavelmente romperia a amizade.

Jesus diz no Evangelho de São Mateus: "Não julgueis para não serdes julgados". É talvez uma das frases mais equivocadamente interpretadas de toda a Bíblia. Obviamente, é impossível a qualquer ser humano viver sem fazer julgamentos de valor. Estamos julgando pessoas e situações a todo instante.

Acontece que, com esse paradoxo, Jesus não quer impedir a justiça dos homens, mas qualificá-la.

Julgar, em si, é necessário. O que não podemos é julgar com a ilusão de que não seremos julgados também. Não é aceitável apontar a falta do outro sem um prévio exame das próprias faltas, tampouco julgar alguém que cometeu um erro na presunção de que jamais cometeríamos um erro igual.

Logo em seguida, o próprio Jesus esclarece: "Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão".

Ao observar o modo como William Waack está sendo julgado, é inevitável sentir um frio na espinha. Vem à mente a frase do Upanishad: "Tat twan asi", que em sânscrito significa VOCÊ É ISTO.

Qualquer um de nós — com a exceção dos santos — já proferiu em particular alguma frase odiosa ou repugnante. Por isso, é lícito dizer que, em certa medida, somos todos William Waack.

E qual seria, pois, a solução para o caso? É uma solução ao mesmo tempo simples, desconcertante e universal. Foi apontada pelo próprio Cristo. Chama-se perdão.

Para que o perdão aconteça, é necessário apenas pedi-lo. Waack, um jornalista que tem entre seus méritos ter escrito o importantíssimo livro "Camaradas" — que pôs fim à hagiografia em torno de Olga Benário e Luís Carlos Prestes —, merece o perdão — pelo simples fato de que todos nós o merecemos. Não fui eu que disse: foi Deus.

É hora de recordar a prece do centurião, uma das mais belas de todos os tempos:

— Dizei uma palavra e serei salvo.

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