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Avenida Paraná
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.
Fale com Paulo Briguet
26/10/2017

Manifesto em defesa da cultura londrinense

Texto assinado por conselheiros municipais de Política Cultural


A cultura londrinense não é propriedade de um pequeno grupo militante. Ela nãopertence a uma ideologia, a um partido, a um governo, a uma corporação. O verdadeiro dono da nossa cultura é a população. O interesse da comunidade — e não deste ou daquele segmento — deve ser a referência para a política cultural em Londrina. Funciona assim desde 1934, quando pioneiros de diversas origens culturais se uniram para construir a cidade que tanto amamos.

Nas últimas décadas, nosso país viveu o pesadelo ocasionado por um projeto de poder autoritário e corrupto. A crise atual é resultante de um monstruoso e inédito assalto ao Estado. Parte da quadrilha que destruiu o país continua no poder; outra parte vale-se de todos os meios para reconquistá-lo. Enquanto isso, a maioria da população paga pela crise com sacrifícios gigantescos: que o digam as famílias dos 15 milhões de desempregados, 60 milhões de inadimplentes e 70 mil assassinados por ano, para não falar da multidão de analfabetos funcionais, sem nenhum acesso à cultura de qualidade.

Artistas ou não, pagamos todos — pagamos para viver, para trabalhar, para criar nossos filhos, para vencer os inúmeros obstáculos do dia a dia. De certa maneira, somos todos artistas da sobrevivência. Portanto, é profundamente ilegítimo (para não dizer revoltante) que um segmento da sociedade se julgue acima dos outros ou se empenhe arrogantemente para manter benefícios que permanecem inacessíveis à grande maioria da população.

De igual modo, pertencer a um segmento social ou profissional não confere a ninguém o direito de desrespeitar as leis que regem a nação brasileira. Somos iguais perante a lei. Não podemos deixar que, como na granja de Orwell, alguns sejam "mais iguais que os outros".

Neste ano, após uma advertência da Receita Federal, a Secretaria Municipal de Cultura deixou de repassar R$ 1,7 milhão para projetos culturais independentes do Promic. Na primeira reunião do ConselhoMunicipal de Cultura deste ano, o assunto veio à tona. Parte dos conselheiros defende que esse valor seja adicionado ao montante do Promic do ano que vem, elevando os gastos do programa de R$ 4,5 milhões para R$ 6,2 milhões.

Nem todos os conselheiros e artistas londrinenses compartilham dessa opinião. Para nós, abaixo assinados, é necessário fazer um exercício de realismo e contemplar a verdadeira situação do nosso município. Diante do quadro orçamentário da Prefeitura — com déficit previsto de R$ 47 milhões —, espera-se que os produtores culturais tenham um gesto de grandeza e optem por outras fontes de financiamento (iniciativa privada, crowdfounding, etc.) eabram mão de R$ 1,7 milhão face à situação financeira que atravessamos, não apenas em Londrina, mas em todo o país.

Salientamos que a questão do Promic foiapenas discutida no Conselho de Cultura, sem que houvesse qualquer tipo de deliberação — uma vez que nada menos que 11 conselheiros (quase todos de linha conservadora) não foram empossados em seus cargos, embora tenham sido eleitos em votações públicas. A posse de todos os conselheiros é fundamental para que não tenhamos um Conselho de Cultura com pensamento e partido único.

Não é preciso ir longe para entender que o corporativismo e o umbiguismo são nocivos à sobrevivência das instituições. Está aí o exemplo da Sercomtel, às voltas com uma dívida estratosférica, da qualboa parte se refere a passivos trabalhistas, numa empresa conhecida por pagar bons salários e jamais atrasar um pagamento. Em bom português, isso tem nome:egoísmo. Quando praticado por vários membros de uma categoria, chama-secorporativismo. Em 1922, Mussolini baseou-se nessa prática para organizar o primeiro governo fascista da história. Não estamos dizendo, de modo algum, que todo corporativista é fascista; limitamo-nos a apontar as origens históricas do procedimento.

Como o próprio nome diz, o Promic é um mecanismo oficial de incentivo à cultura. Por mais que tenha produzido bons frutos, ele não pode ser a única e solitária opção para os produtores culturais de Londrina. Há muitos exemplos de bons trabalhos culturais realizados em nossa cidade sem um centavo de dinheiro público. Garantir a aplicação de R$ 4,5 milhões em projetos culturais já seria um grande benefício para o segmento em 2018.

Ademais, parece-nos no mínimo contraditório exigir o adicional de R$ 1,7 milhão no orçamento de 2018 e ao mesmo tempo sair em defesa do lamentável espetáculo "O DNA de DAN", que no dia 14 de outubro foi apresentado às margens do Lago Igapó, em que um cidadão desnudo se exibiu numa bolha de plástico transparente. Isso ocorreu em pleno passeio público, numa área costumeiramente frequentada por famílias londrinenses, por onde passam por dia centenas de crianças. Não somos contra a nudez na arte (na verdadeira arte), mas há de se reconhecer que o local escolhido para o tal espetáculo cênico e interativo é, na mais branda hipótese, inadequado, afrontando o artigo 233 do Código Penal Brasileiro. O fato de que o ovo da serpente tenha sido financiado por dinheiro dos impostos só agrava a situação.

Depois desse lamentável episódio, Londrina está prestes a ser mostrada, em rede nacional, como mais um exemplo da onda de ataques supostamente "artísticos" contra a família, a infância e a fé popularem nosso país. O caso do peladão do Igapó pode ir parar na CPI de Maus-Tratos contra a Infância, no Congresso Nacional.

Perguntamos:

— Exigir o dinheiro do Promic e defender o peladão do Igapó são atitudes compatíveis?

— Não bastasse o povo fazer tantos sacrifícios, parte da classe artística se mostrará indiferente aos valores mais preciosos deste mesmo povo?

— O setor cultural vai permanecer fechado numa bolha de egoísmo e autocomplacência ou vai se abrir para as reais necessidades da comunidade?

Quando Londrina se formou, nos anos 30, os pioneiros — muitos deles sobreviventes de ditaduras totalitárias, tais como o fascismo e o comunismo — fizeram sacrifícios incomensuráveis. Está na hora de nós, artistas e produtores culturais, fazermos a nossa parte. Um pouco de sacrifício e renúncia seriam bem-vindos neste momento crítico. Olhemos para o exemplo dos pioneiros e tenhamos uma atitude de respeito por esta cidade de braços abertos, que a todos acolhe com a mesma generosidade, dentro do mais elevado espírito de amor ao próximo.

Chegou a hora de a arte fazer a sua parte.

 

Paulo Briguet
Conselheiro Municipal de Cultura

Ricardo Cezar Ceridorio Correa
Conselheiro Municipal de Cultura (eleito)

Luiza Dib Palma Pimenta Fukushima
Conselheira Municipal de Cultura (eleita)

Marise Garcia
Conselheira Municipal de Cultura (eleita)

Solange Gaya
Ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura

Lucílio de Held Jr.
Ex-Conselheiro Municipal de Cultura

Marcella Cardoso Kretsch
Conselheira Municipal de Cultura (eleita)

João Ricardo de Souza Nascimento
Conselheiro Municipal de Cultura (eleito)

Eliane de Oliveira Silva
Conselheira Municipal de Cultura (eleita)

Douglas Roberto Soares
Conselheiro Municipal de Cultura (eleito)
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