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Sábado, 24 de Junho de 2017
PAULO BRIGUET
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.
Fale com Paulo Briguet
19/06/2017

Lágrimas de Portugal



Acordamos com a trágica notícia do incêndio em Portugal. Dias depois da catástrofe no prédio em Londres — que fizeram lembrar as imagens do Joelma e do Andrauss, nos anos 70 —, acompanhamos a dor e o sofrimento dos nossos irmãos lusitanos.

Então eu me lembrei da lamentação do Duque de Gândia, quando morreu a imperatriz Isabel de Portugal (1503-1539). Conhecida como uma das mulheres mais belas de seu tempo, tendo sido retratada pelo mestre Tiziano, Isabel morreu com apenas 36 anos, em trabalho de parto. A visão da rainha morta foi de tal sorte aterradora para o nobre português que ele abandonou todas as riquezas e se tornou monge. Hoje ele é conhecido como São Francisco de Borja. A dor do nobre que virou santo é retratada nos memoráveis versos da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004): "Nunca mais/ A tua face será pura, limpa e viva/ Nem o teu andar como onda fugitiva/ Se poderá nos passos do tempo tecer./ E nunca mais darei ao tempo a minha vida./ Nunca mais servirei senhor que possa morrer".

A dor dos portugueses me fez também pensar nas palavras de Camões, pai do nosso idioma, sobre a extrema vulnerabilidade do ser humano neste mundo: "No mar tanta tormenta, e tanto dano,/ Tantas vezes a morte apercebida!/Na terra tanta guerra, tanto engano,/ Tanta necessidade avorrecida!/ Onde pode acolher-se um fraco humano,/ Onde terá segura a curta vida,/ Que não se arme, e se indigne o Céu sereno/ Contra um bicho da terra tão pequeno?"

Enquanto ardiam as florestas portuguesas, aquelas mesmas que deram a madeira para a construção das caravelas, voltei a um dos altos momentos da literatura, o poema "Mar Português", do livro "Mensagem", obra magna de Fernando Pessoa (1888-1935). O poema começa falando sobre a vastidão do oceano que nos separa: "Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram,/ Quantos filhos em vão rezaram!"

Os versos mais famosos e repetidos de Fernando Pessoa talvez sejam os que venham logo a seguir, na segunda estrofe do poema:

"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena."


Mas nem todos se lembram da lição contida na estrofe seguinte:

"Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Estamos em oração, com pensamentos e olhos voltados para a nação amiga do além-mar. A dor dos portugueses — terra que há 100 anos viu o maior milagre do nosso tempo, em Fátima — tem algo a ensinar sobre nossa própria dor. Os sinos dobram por ti, Portugal.

Fale com o colunista: avenidaparana @ folhadelondrina.com.br
por Paulo Briguet
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