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Avenida Paraná
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.
Fale com Paulo Briguet
30/06/2017

As batatinhas de minha mãe


Shutterstock
Shutterstock

Sempre que passo diante de uma loja daquela famosa rede de lanchonetes — cujo nome não declinarei aqui para não fazer propaganda, nem contra nem a favor —, sinto uma dor de saudade que vai até o fundo da alma.

Meu pai não era fã dessa rede de lanchonetes. Até onde sei, ele jamais comeu o sanduíche que ali se vende. Paulo era um nacionalista das antigas, daquele que não tomava Coca-Cola (acho que esse nome eu posso dizer...) nem assistia a filmes comerciais americanos (embora fosse um cinéfilo e grande admirador de Woody Allen, Coppola, Scorsese e outros).

No entanto, após a sua caminhada diária, meu pai sempre entrava na referida lanchonete e timidamente dirigia-se ao balcão para fazer um pedido. Um único pedido. Ele nunca fez pediu outra coisa além do saquinho de batatas fritas. Após alguns minutos, ele tirava o dinheiro contado do bolso da bermuda (como era sempre o mesmo pedido, era sempre o mesmo valor), agradecia e ia para casa, levando o saquinho de batatas fritas de todo dia.

Acontece que as batatinhas não eram para ele. Eram para minha mãe, a sua amada Aracy, companheira de vida por 40 anos. Só mesmo Aracy poderia fazê-lo vencer os escrúpulos nacionalistas e adentrar uma loja daquela franquia norte-americana.

Minha mãe adorava aquelas batatinhas. É claro que "adorar", aqui, é apenas uma força de expressão, uma hipérbole; Aracy sabia muito bem que só se adora a Deus. Mas vocês sete entenderam: ela gostava MUITO das batatinhas do M... Olha aí eu quase fazendo propaganda indevida!

Eram gostosas, eram fresquinhas, eram crocantes as batatinhas. Não sei se era uma característica das batatinhas apenas na cidade onde meus pais moravam, ou se se trata de uma qualidade universal da não mencionada franquia. Só sei que minha mãe gostava delas, e que elas eram um dos símbolos daquele amor e daquele querer bem e daquele pequeno paraíso que meus pais criaram entre si durante uma vida inteira, a ponto de se tornar difícil, para mim, determinar onde começava meu pai e terminava minha mãe, e vice-versa, e assim por diante, até os séculos dos séculos.
Hoje, quando passo diante daquela lanchonete, meu impulso é entrar e pedir à moça do balcão: "Por favor, uma porção de batatinhas!" Mas eu me calo, e contenho as lágrimas, porque não fica bem um homem adulto chorar sem motivo na frente das pessoas. Minha esperança é um dia pedir as batatinhas, ir para casa e encontrar Paulo e Aracy, juntos, a me esperar na sala:

— Você demorou, filho!

E então nós conversaríamos sobre tantas coisas, falaríamos sobre a vida, e o trabalho, e a dor, e a alegria, e a esperança, e a fé, e o amor. Lá fora, brilharia uma lua imensa, rodeada por estrelas de cores indefiníveis. E as batatinhas seriam esquecidas para sempre, porque Deus não precisará mais delas.

Fale com o colunista: avenidaparana @ folhadelondrina.com.br
por Paulo Briguet
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