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Avenida Paraná
Escritor e jornalista. Mora desde 1989 em Londrina. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias. Assina a coluna diária Avenida Paraná, na Folha de Londrina. Autor dos livros de crônicas "Diário de Moby Dick" (em parceria com o pai, Paulo Lourenço), "Repórter das Coisas" e "Aos Meus Sete Leitores". Casado com a jornalista Rosângela Vale, pai do Pedro, paulistano de certidão, pé-vermelho de coração. Conservador em política, liberal em economia, católico em religião. Em suma, um cronista em busca dos seus sete leitores.
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01/11/2017
QUESTÃO DE FÉ

A árvore no meio do caminho

Antes do Dia dos Santos, antes do Dia dos Mortos, eis que uma árvore cai na rua de Madre Leônia


Paulo Briguet
Paulo Briguet


Novembro começa com o Dia dos Santos e o Dia dos Mortos, mas para mim começou antes, com a enorme árvore arrancada pelo vento de sua raiz e caída no meio da rua de minha santa.

Assim Madre Leônia escreveu saudando novembro de 1975, ano da geada negra:

"Aceita, ó meu Senhor,
a oferta deste penúltimo mês do Ano Santo:
pela Igreja,
por minha renovação
e pelas almas do purgatório.

Do berço ao túmulo, breve é o passo...
Tudo termina, tudo é transitório.
Deus somente me basta!"

As palavras de Leônia poderiam constituir uma legenda para a foto da árvore caída no comecinho da avenida que leva seu nome. Todos os dias eu passo por esse lugar, às vezes com meu filho. Felizmente, a queda abrupta da árvore não parece ter atingido ninguém, além dos fios de eletricidade.

Tinha uma árvore no meio do caminho. Em novembro de 2000, eu me dirigia de táxi a uma reunião política no alto da Avenida Higienópolis, quando uma outra árvore caiu, por muito pouco não atingindo a minha cabeça. Lembro-me da cena até hoje: na esquina da Rua Piauí, a árvore caiu como se tivesse recebido um golpe de machado. Olhei para o taxista, que estava lívido. Agradeci a ele pela freada que nos salvou.

Certamente Deus estava querendo dizer alguma coisa com a queda daquela árvore há 17 anos. Ele sempre se manifesta pelas árvores: basta lembrarmos a Árvore da Vida, a Sarça Ardente e a Árvore que Sangra — também chamada Cruz.
Hoje eu sei que deveria ter dado meia-volta e esquecido para sempre aquela reunião política em 2000. Houvesse feito isso, teria deixado de perder muito tempo na vida com assuntos irrelevantes, que nada significam na perspectiva da eternidade. Mas, naquela época, eu ainda era um tolo. Talvez continue sendo — mas pelo menos hoje sou um tolo que sabe que é tolo.

A árvore no meio da rua é claramente um sinal. Peço a Deus que me dê sabedoria para interpretá-lo. Há 105 anos, o poeta espanhol António Machado também encontrou uma árvore morta no meio do caminho. Era um olmo fendido por um raio. Então ele escreveu palavras eternas:

"Olmo do Douro, antes de ser derrubado
pelo lenhador com o seu machado,
(...) nos meus papéis notar quisera
a graça de tua rama verdecida.
Meu coração espera
também, rumo à luz e rumo à vida,
outro milagre mais da Primavera".

Don António fez esse poema em Sória, o povoado que ele tanto amava, pouco antes da morte de sua primeira esposa, Leonor, em 1º de agosto de 1912. Profundamente desgostoso com a perda, o poeta deixou Sória para sempre, para não ter mais que conviver com a lembrança da amada.

Hoje é Dia dos Santos, amanhã é Dia dos Mortos. Que nós também possamos caminhar no milagre da Primavera. Tudo termina, tudo é transitório. Deus somente nos basta.
por Paulo Briguet
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