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A Cidade Futura
Marco A. Rossi é sociólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina. Gosta de caminhar no Zerão e no Campus da UEL, ouvindo Pearl Jam e deixando as ideias voarem. É autor de livros de poesias e de crônicas. Seu passatempo predileto é exercitar a imaginação sociológica, essa difícil arte/tarefa de reunir biografias particulares e histórias comuns, em busca de alguns dos inúmeros sentidos do mundo. É apaixonado pelo Fluminense Football Club e frequenta habitualmente as margens esquerdas da vida.
Fale com Marco A. Rossi
09/11/2017
A CIDADE FUTURA

Os caminhos do silêncio

Obter mais objetos, contratar novos serviços, ter em mãos a última das quinquilharias, essas ilusões se converteram numa nova espécie de divindade.


Num pequeno livro publicado no ano 2000, intitulado "A Resistência", o argentino Ernesto Sabato (1911-2011) discorre sobre as invasões sensoriais de que são vítimas os sujeitos no mundo contemporâneo. Num momento de grandes expectativas em relação à chegada do novo milênio, Sabato se revela aturdido diante dos ruídos da existência. O mundo, diz o escritor nascido em Rojas, é barulhento demais e dificulta a calmaria necessária ao pensamento e às boas ações.
Há um existencialismo nas reflexões de Sabato, que reivindica mais liberdade interior para que surja uma liberdade exterior de fato humanizada. A vida desorientada nas grandes cidades afasta os seres humanos de si mesmos. Em toda parte, brotam comportamentos autômatos, gente fazendo coisa que não sabe a quem nem para que serve. Esse seria, segundo Sabato, o drama contra o qual todos deveriam resistir incansavelmente. Se não houver resistência, surgirão aglomerados urbanos em que indivíduos serão manipulados num vale-tudo de informações distorcidas e crescentes manifestações de mal-estar e ódio. Observando com atenção os dias atuais, percebe-se uma enorme vitalidade no medo do autor de "O Túnel".
As novas tecnologias e as exigências de uma conectividade permanente tornam a experiência humana uma bomba-relógio. A ansiedade parece mover as pessoas. Em casa, nos ambientes de estudo ou trabalho, nos momentos reservados às refeições, todos vivem com os nervos à flor da pele, angustiados pela percepção de prazos se esgotando, tarefas se acumulando, ameaças à felicidade se multiplicando. Nesse redemoinho de consciências devassadas, o consumo surge como redenção. Obter mais objetos, contratar novos serviços, ter em mãos a última das quinquilharias, essas ilusões se converteram numa nova espécie de divindade. Tornaram-se, pois, a marca da distinção entre os considerados "winners" (vencedores) e os condenados à humilhante condição de "losers" (perdedores).
O antropólogo francês David Le Breton, nascido em Le Mans, em 1953, aposta no silêncio e nas longas caminhadas como ingredientes da resistência aos processos de desumanização. O silêncio, diz o autor de "Antropologia dos Sentidos", implica um ato de conexão com espaços interiores pouco explorados numa realidade que atenta contra o autoconhecimento. Aliadas ao silêncio, as caminhadas permitiriam um olhar cuidadoso sobre o que está à volta, as mudanças na arquitetura, os cartazes da programação cultural, a beleza que reside (e resiste) naqueles que compartilham a mesma existência. Le Breton recomenda o hábito de flanar pela cidade, ou seja, andar sem rumo certo, sem compromisso com o tempo, como um antídoto contra a corrosão de mentes e corações (ainda) humanos.
Le Breton e Sabato, dois personagens distintos de universos diferentes e distantes, acreditam que a boa música, os livros indispensáveis e a valorização do diálogo elaboram subjetividades ricas e capazes de grandes partilhas. Para a conquista da liberdade é fundamental que nunca falte espaço para as dimensões existenciais de cada um, o verdadeiro ponto de partida para uma inteligente união de todos.

Marco A. Rossi é sociólogo e professor da UEL
cidadefutura @ folhadelondrina.com.br
Por Marco A. Rossi
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