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A Cidade Futura
Marco A. Rossi é sociólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina. Gosta de caminhar no Zerão e no Campus da UEL, ouvindo Pearl Jam e deixando as ideias voarem. É autor de livros de poesias e de crônicas. Seu passatempo predileto é exercitar a imaginação sociológica, essa difícil arte/tarefa de reunir biografias particulares e histórias comuns, em busca de alguns dos inúmeros sentidos do mundo. É apaixonado pelo Fluminense Football Club e frequenta habitualmente as margens esquerdas da vida.
Fale com Marco A. Rossi
12/10/2017

O todo é maior que as partes

As tempestades da história requerem que os humanos sejam capazes de defender o que têm de melhor, mais valoroso e universal


Em tempos de crise, quando o que havia já se foi e o que deveria substituir o ausente está longe de chegar, as paixões se acirram e os conflitos entre supostos extremos se tornam mais hostis. Esse tipo de polarização é, em si, irracional, uma vez que tempos difíceis exigem inteligência, serenidade e postura propositiva. As tempestades da história requerem que os humanos sejam capazes de defender o que têm de melhor, mais valoroso e universal.

Carregados pela incerteza, indivíduos e grupos que prometem representá-los apelam à insensatez e promovem diferentes espetáculos do absurdo. Ora retornam no tempo e ressuscitam a Guerra Fria, jurando que comunistas estão em toda parte, destruindo almas e nações, ora acreditam dar um passo à frente quando defendem dicotomias como intervenção militar e Estado mínimo, liberdade de expressão e "Escola sem Partido", liberalismo e protestos em frente a museus em nome da moral, da família e dos bons costumes. O repertório do desequilíbrio é vasto e parece não ter limite.

Num movimento que faz questão de apagar as nítidas fronteiras que separam, por exemplo, a experiência do nazifascismo daquela conduzida pelos revolucionários bolcheviques, na Rússia, em 1917, tornando-as siamesas, a exigência de honestidade intelectual no trato dos acontecimentos históricos não faz sentido algum. Em nome desta ou daquela "visão de mundo", tudo é permitido, até mesmo falsear cenários, corromper personagens, fragmentar ideias e ações. No limite, é permitido subverter a realidade para que se justifiquem tendências autoritárias e ressentimentos sem tamanho. O circuito de afetos na sociedade contemporânea é negativo, posto que princípios universais (como a liberdade, a igualdade e a fraternidade, para citar só os inquestionáveis) são ofuscados pelos desejos particularistas daqueles que anseiam por protagonismo à custa, inclusive, de outro grande valor civilizatório: a verdade.

Diante de espaços públicos ocupados por sujeitos indispostos ao debate – uma democracia, portanto, privatizada –, acusações e perseguições pessoais substituem o confronto de ideias e a busca por consensos. Reinam as aptidões individuais e descoladas do mundo comum. A imagem de pessoas falando de si mesmas, divinizando suas relações mais íntimas, é o espelho de uma sociabilidade à beira da falência.

Walter Benjamin (1892-1940), em sua obra de memórias "Infância berlinense", descreve em detalhes suas primeiras décadas de vida. Embora seja rigoroso e afetuoso com amigos e familiares, seu intuito no texto é recuperar e explicitar a atmosfera daquele conturbado e rico início de século XX. Benjamin, como gênio que foi, tecia crônicas de um tempo em que sua própria presença era apenas um pretexto para refletir sobre situações e sujeitos mais universais – ele mesmo, portanto, era somente um dos elementos do mundo, sem nenhuma pretensão de encarnar, sozinho, a complexa experiência humana.

Nestes tempos de posturas intransigentes (metafísicas, muitas vezes), a lição de Walter Benjamin é preciosa: relacionar o eu e o mundo, destacando os temas de interesse mais geral, atemporais e valorosos, que enriquecem as biografias individuais e as ultrapassam, alcançando o gênero humano.

Marco A. Rossi é sociólogo e professor da UEL – cidadefutura @ folhadelondrina.com.br
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