VOLTAR PARA HOME
Continue tendo acesso ao conteúdo da Folha
   ou   
para ter acesso ao melhor conteúdo do Paraná
VOLTAR PARA HOME
Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante
Sábado, 24 de Junho de 2017
MARCO ROSSI
Marco A. Rossi é sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde também é professor, e chega para ampliar o time de opinião do jornal com análises dos acontecimentos e suas consequências para Londrina e região.
Fale com MARCO ROSSI
15/06/2017

A CIDADE FUTURA

Quem faz ronda em escolas para detectar doutrinação ‘esquerdista’ quer tão somente impor suas ‘idiotices"


A escola da unidade na diversidade
O cartunista Ziraldo, o pai do Menino Maluquinho, costuma afirmar que ler é mais importante que estudar. Sem saber ler, seria impossível estudar. Aprendendo a gostar de ler, estudar é apenas uma consequência.
O aprendizado, assim como a leitura, depende de uma série de fatores para ocorrer e deslanchar. Há quem aprenda observando e comparando o que está nos livros com o que é dito por professores e se constata ao redor, na prática cotidiana. E não são poucos os que aprendem dando asas à imaginação, recorrendo ao realismo fantástico das ideias. Ao colocar lado a lado a leveza do pensamento e o peso da realidade, esses indivíduos criativos elaboram respostas curiosas aos desafios do mundo. Em todos os casos, contudo, evidenciam-se estilos de ler a vida e aprender com os outros.
O sujeito que decide se tornar professor e compartilhar leituras para o aprendizado é, antes de tudo, alguém que optou por estudar a vida inteira para ter o que dizer, fazer e escrever. Em essência, todo professor é um baú de histórias preciosas – para aproveitar sua riqueza, é preciso decifrá-lo, descobrir como lê-lo.

Shutterstock
Shutterstock


Defender que leis definam o que e como algo pode ser dito por um professor é o mesmo que estabelecer regras para uma leitura "correta" do mundo. Mordaças não servem só para silenciar vozes; prestam-se, bem antes, a censuras contra o pensamento. Antes ainda, intencionam determinar o que é e o que não é válido como fonte de inspiração e orientação na vida.
A melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa, em qualquer tempo, é o encontro com a diversidade de leituras do mundo, as quais tenham nascido da autonomia e do estímulo à autocrítica. Forçar a diferença, monitorando-a, é retórica democrática encoberta por grossa capa fascista. Nada mais.
Propor vigilância e punição contra quem lê o mundo de modo livre, crítico e plural é disfarce para impor ideias que não conseguem convencer sem apelo ao preconceito e ao ódio. Quem faz ronda em escolas para detectar doutrinação "esquerdista" quer tão somente impor suas "idiotices".
A escola que incentiva a leitura – portanto, forma gente para a vida – mantém abertas suas portas e deve resistir a intrusos que, sob pretexto de privilegiar a diferença (de resto, falsa e ilusória), só têm por objetivo um mundo em que seja impossível a igualdade.

Marco A. Rossi é sociólogo e professor da UEL
22/06/2017

A CIDADE FUTURA - O poder da autocrítica

08/06/2017

A CIDADE FUTURA

Um arqueólogo no campus

01/06/2017

A CIDADE FUTURA

Triste mito de estimação

PUBLICAÇÕES ANTERIORES
Assine a Folha de Londrina
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Folha de Londrina - Todos os direitos reservados