VOLTAR PARA HOME
Continue tendo acesso ao conteúdo da Folha
   ou   
Cadastre-se pelo Facebook
para ter acesso ao melhor conteúdo do Paraná
VOLTAR PARA HOME
Olá
Assine já para continuar a ler a Folha de Londrina.
Para identificá-lo como assinante, precisamos do seu email e CPF.
VOLTAR PARA HOME
Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante Já sou assinante
Histórias Mínimas
Jornalista na Folha de Londrina. Histórias Mínimas é um Projeto de Leitura que tem como objetivo estimular a escrita criativa nos leitores, envie seu texto para historiasminimas @folhadelondrina.com.br
Os contos e crônicas devem conter nome e informações de contato.
Fale com Patricia Maria
27/07/2017
HISTÓRIAS MÍNIMAS

PRIMEIRA PESSOA

A vida se vive em primeira pessoa, não de forma onisciente, em 3D e, conforme passam os anos, perde definição de imagem


Sábado. Levei a cachorra Charlie para levar uma surra de corrida dos passarinhos no campo de futebol perto da nossa casa. Cheio de crianças e borrachudos, ela deu de evitá-los. Encontrou um pequeno cachorro chamado Patty e correu em sua direção. A Patty correu dela como se sua vida dependesse de toda a velocidade e foi rumo à rua. Eu, a guardiã, Dona Iracema e seu pequeno neto João. Gritamos. "Patty, volta patty! Na rua não!" Eu entrei em desespero e corri atrás da cachorra que corria da Charlie que corria atrás da cachorra. A hora que ela alcançou a rua meu coração (dis) parou.

Continuo essa história amanhã. Vamos ler os contos dos leitores.

Patricia Maria.

DESACERTO

Bárbara uma professora especial

Eu estava em dúvida sobre o Regime Militar no Brasil e muito ansioso. Faltava pouco tempo para o vestibular e o sonho da faculdade parecia distante. A Professora como sempre muito atenciosa, resolveu ajudar. Sentou-se comigo em um banco sobre uma árvore e discorreu sobre tema. Fiquei muito interessado, poucos explicam bem como ela.

Uma das estudantes passou por nós e fez uma brincadeira:
- Hum... vocês juntinhos!!!

Por ser moça jovem, quase com a mesma idade que eu, a professora ficou constrangida e continuou falando para disfarçar a situação.

Quando terminou a explicação me consolou:

- Daniel, ansiedade é natural, todo nós um dia já passamos por isso. Quando eu fiz o vestibular para cursar História, eu fiquei tão ansiosa que esqueci o cartão de identificação. Mas, graças a Deus!, eu tive consegui pegar o cartão a tempo.

Eu ri. Fiquei tranquilo e me despedi da professora Barbara com o que deveria ser apenas um abraço mas, para aumentar o constrangimento anterior, um escorregão e quase beijo sua boca. Eu fiquei sem graça certamente ela também. Fui para casa pensativo por causa desse episódio.

Dois dias depois eu estava me sentindo diferente, comecei a perceber que senti um amor por Bárbara, platônico eu sabia, ela me encantou de uma forma que não consegui esquecê-la. Seu jeito de falar me deixou diferente, como alguém pode me encantar dessa maneira?

Fiquei pensando aquela tarde, é minha professora, não posso gostar da minha professora, isso é errado.

Tentei conversar com Mateus, mas ele estava preocupado com vestibular como eu deveria também estar e sequer deu atenção às minhas palavras. Com isso aumentou mais minha angustia sem poder falar para alguém o que eu estava sentindo e não podia sentir.

BRUNO LEÃO é estudante em Londrina. (O texto é trecho do conto 'Dupla Paixão e os Desacertos' sobre as aventuras de dois amigos na concorrência por uma vaga na faculdade)

***

Bruno, quando eu fiz cursinho para o vestibular, o professor de história era o alvo do amor de 9 a cada 10 garotas e garotos. Entendo o que você diz com "Seu jeito de falar me deixou diferente, como alguém pode me encantar dessa maneira?" Porque ele era assim também eloquente e apaixonado, a história da humanidade na ponta da língua. Quem nunca se apaixonou pelo professor que atire a primeira pedra em Daniel.


***

Fernão
Fernão


CONVERSA DE BAR



Na roda de amigos, resolvi contar sobre nós dois

Foi no dia seis de dezembro de um ano qualquer. Ou sete?! Não me recordo agora. Fica para a lembrança de mais tarde. O fato é que o não dizer enroscou em minha garganta feito nó, e saiu. Exteriorizou-se ao mundo, irresponsável que só, como se o amor naquele momento fosse algo que eu gostaria de sentir – e não era.

Aos ouvidos dele, aquilo deve ter sido uma bomba. E eu preferia que ele não escutasse, mesmo, mas foi tarde demais. Não só ouviu como resolveu corresponder, daquele jeito meio torto.

Pensando bem, agora me lembrei que talvez não tenha acontecido bem assim. Será que foi ele quem exteriorizou os sentimentos e eu que preferia não ter escutado? Não me recordo. Fugiu da memória - que estranho!

O que lembro bem é daquele beijo, que não continha indícios desse precipício que a gente chamou de amor. Eu caí, ele ficou. Se salvou quem pôde e obviamente não seria eu. Tropecei de primeira naquele sorriso e naquela voz... Espera! Como era a voz mesmo?! Vou ter que ligar para lembrar. Mais tarde faço isso.

E hoje, dois anos daquele dia que tudo acabou, ainda me pego pensando que tudo poderia ter sido diferente. Um adeus mais ou menos, para um amor devastador... Acho que não é bem o que eu esperava. Um minuto! Eu disse dois anos?! Não, não. Quatro anos. Ou cinco?! Meu Deus, não faço ideia.

Para falar a verdade, não nos restou saída depois daquela briga. Nas tantas vezes que contei e recontei essa história, não me conformo com as palavras de desamor destiladas pela sala pelo então ‘amor da minha vida’. Bem parece ter sido eu que o mandei embora, depois de horas de discussão. Enfim, o que importa é alguém mandou o outro ir e seguimos; acabou.
E nessa ida, a dor foi grande.

O problema é que eu não me lembro, nesse momento, de nenhum comparativo para mensurar o quão triste foi aquela época. Sei que foi, mas com a inexatidão de quem já viveu um turbilhão de histórias depois daquele adeus.

Tentei de novo lembrar a voz dele, mas devo estar com a memória muito fraca mesmo. ‘Vou ligar’, é bem mais fácil assim - pensei.
...
Qual era o seu número mesmo?
...
Melhor mudar de assunto, parece que me esqueci.

NATHÁLIA DALBIANCO é cronista e fundadora da página Cronicário.

***

Nathália, Nietzsche quando escreve sobre esquecimento e memória no seu livro A genealogia da Moral, não coloca os como opostos e mas o contrário. De alguma forma nietzschiana ele acredita que esquecer é fundamental para lembrar. A mim, acredito que ele entende o esquecimento como cura. Separei um trecho para você ter seu próprio conceito. Beijos.


"(...)Fechar temporariamente as portas e as janelas da consciência; permanecer imperturbado pelo barulho e a luta do nosso submundo de órgãos serviçais a cooperar e divergir; um pouco de sossego, um pouco de tabula rasa da consciência, para que novamente haja lugar para o novo,
sobretudo para as funções e os funcionários mais nobres, para o reger, prever, predeterminar (pois nosso organismo é disposto hierarquicamente) - eis a utilidade do esquecimento, ativo, como disse, espécie de guardião da porta, de zelador da ordem psíquica, da paz, da etiqueta:
com o que logo se vê que não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento." (F. Nietzsche - A Genealogia da Moral)

Eu gosto de Nietzsche. Agora, uma chamadinha básica para a literatura. Escrevam para historiasminimas @ folhadelondrina.com.br gosto de ler até bula de remédio. Beijos.

PM

12/07/2017

OS PASSAGEIROS

PUBLICAÇÕES ANTERIORES
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Folha de Londrina - Todos os direitos reservados
HOSPEDADO POR
Hospedado por Mandic