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Patricia Maria
Jornalista na Folha de Londrina. Histórias Mínimas é um Projeto de Leitura que tem como objetivo estimular a escrita criativa nos leitores, envie seu texto para historiasminimas @folhadelondrina.com.br
Os contos e crônicas devem conter nome e informações de contato.
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20/04/2017
HISTÓRIAS MÍNIMAS

Pavor é a ênfase do medo

A coluna desta semana está carregada de mistério à H.P.Lovecraft. E, uma novidade que vocês vão notar mais adiante, vem ver!




"O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo." Wikipedia

Como falei anteriormente, a coluna desta semana está carregada de mistério à H.P.Lovecraft. E, uma novidade que vocês vão notar mais adiante.

Preparem-se!

Abraços,

Patrícia Maria

A COISA NO BOSQUE

Há lugares especiais no mundo.

Não como um lugar em que você esteve e gostou muito e se lembrará dele por toda sua vida. Nada disso.

Me refiro aos lugares cuja energia exerce certo magnetismo em nós, em animais, em objetos, e acaba por influenciar a ordem natural das coisas nas suas proximidades, enfim. Algo emana desses pequenos territórios fantásticos.

Não há, em nossa cidade, nada que se compare ao Bosque Central e suas imediações. Seria um território sagrado? Um desconhecido cemitério ancestral indígena? Uma falha no campo magnético terrestre? Haveria ali, em suas camadas mais inacessíveis, o fóssil titânico de um gigante pré-histórico? Se podemos atribuir qualquer característica a esses lugares, por ínfima que seja, é meramente a sensação de incerteza que os cerca, de solidão, de inquietude. Seria como Angkor Wat, ou a nascente do Nilo Branco? Seria como o as Bermudas, ou o Pântano de Manchac? Lugares aparentemente capazes de alimentar e despertar os medos mais irracionais soterrados nas profundezas de nosso inconsciente. Quem poderia saber?

Bem, alguns podem pensar: "Exagero!", "absurdo!", "Não faz o menor sentido."
Tudo bem, pode até ser, mas quando passo por ali, não importa a hora do dia, uma estranha sensação de medo percorre meu corpo de cima a baixo. A maneira peculiar como as árvores são capazes de abafar os sons de toda vida urbana ao seu redor, a estranha atração que a área exerce nos pombos, nos gambás, em outros animais, e na vida noturna da cidade, diga-se também, pois toda sorte de gente frequenta o lugar.

Não à toa, a própria catedral situa-se exatamente ao lado do Bosque, assim como uma antiga escola inicialmente criada "só para meninas", praças estratégicas, Biblioteca Municipal, teatro, um grande centro regional de correio. Um ambiente de natureza cercado por construções antigas em quase toda sua extensão, cortado por passagens para pedestres que em outros tempos serviam como rua e até terminal urbano. Tem, em sua essência, esse aspecto de passagem, de travessia.

É como se ali fosse uma zona erógena do mundo, uma de incontáveis, capaz de excitar e incitar as coisas a acontecerem. Como um lugar a injetar na vida cotidiana, a todo momento, a energia que move o mundo, os vapores que fazem a máquina da natureza girar, os medos ancestrais que impulsionam o progresso dessa ínfima espécie que ousou descer das árvores e caminhar ereta. É como um lugar onde forças inomináveis e inimagináveis pudessem transitar, cruzando uma passagem entre mundos, entre luz e trevas, entre o ontem e o hoje, entre o aqui e o além. Não é segredo que acredito em quaisquer dessas possibilidades, e em outras bem menos ortodoxas. E, para aqueles que insistem em bradar "exagero!", "absurdo!", "Não faz o menor sentido.", transcrevo aqui o relato feito por uma figura de um certo renome na cidade, a estudante e blogueira de moda feminina Fabrícia Fabianah, sobre uma travessia pelo Bosque, certa noite de outono.

"Queridos leitores do blog, hoje vou dar uma pausa nas nossas postagens de dicas de moda para falar sobre um horror com que me defrontei há alguns meses. Por favor, peço que não me julguem. Apenas leiam este alerta com a mente aberta e tentem entendê-lo, pois precisei reunir forças de não sei onde para contar aqui o que aconteceu. Estou em choque, não consigo mais sair de casa, nem durante o dia, nem para ir até a esquina! Quanto mais eu penso que preciso voltar à minha rotina, mais o horror me consome e eu entro num estado de desespero e ansiedade que assusta meus familiares.

(...) CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA

Devido a extensão e complexidade da história de terror e medo que se segue, o texto do escritor Luciano Silva será publicado em capítulos.


O CONTO DE HORROR DA RUA MAXIMINA

Maximina Pereira de Souza, é um nome grande, peculiar no mínimo. Um nome duas vezes composto. Nome difícil de decorar, de fato, só quem morava ali o sabia, nos antigos mapas da cidade seu nome era abreviado, pois se não fosse assim, extrapolaria o espaço de sua representação gráfica, era praticamente a rua mais ao sul da cidade, difícil falar dela em cadastros, ter que soletrar para a atendente toda santa vez, "M, de mar, A de água, X de xadrez...".

A rua foi construída após um pacote de medidas habitacionais populistas, eram literalmente casas de dois cômodos, uma gigante sala/cozinha/quarto e o banheiro, meu pai a comprou em suaves prestações que levaram trinta anos para serem devidamente pagas, nossa casa, era amarela, a última da rua, fazia frente as chácaras e ao "ribeirão cafezal", um rio que por vez e outra expelia um cheiro não muito agradável de esgoto, ou seja nossa casa era a última casa da urbanidade. O único desgosto de meu pai era o fato do sol da tarde brilhar na sala, e literalmente estragar suas horas de descanso, para resolver o problema, quando eu tinha meus cinco anos, ele plantou uma árvore, apostando que no futuro ela tamparia o sol da tarde. Meu pai nunca chegou a desfrutar da sombra, anos mais tarde, enquanto a árvore ainda não passava do muro do terreno, nos mudamos para a última casa da região norte da cidade, e novamente com um nome estranho, difícil de decorar, mas isso são outras histórias.

Sempre quando o velho passa na rua ele diz "Devia ter erguido o muro!", a árvore na atualidade ainda não faz sombra suficiente para esconder o sol, mas segundo o atual proprietário talvez na próxima copa do mundo já seja possível desfrutar dela. A rua Maximina, criada numa época de baby boom, tinha um verdadeiro batalhão de crianças, eram no mínimo trinta crianças no segundo quarteirão, ou seja, dia e noite a rua era uma algazarra, jogos infindos, dos mais competitivos como "bola queimada", "bets" até os mais clássicos como "Mãe da rua da cor/disco", ou "estrela nova cela". Os mais combatidos pelos pais eram as "burquinhas" ou bolinha de gude, a molecada furava o asfalto para poder simular as caçapas, e o verão com suas chuvas aumentava os buracos, de maneira que era impossível um carro transitar pela rua, pneus duravam meses, e não muito raro pais eram vistos trocando pneus após passarem por um buraco que anteriormente era uma caçapa de burquinha. A rua era um inferno para qualquer um que quisesse paz, bolas caiam em quintais a todo momento, janelas quebradas por "pedras perdidas" de nossos lança gatos ou estilingues, fora a fiação pública que portava mais linhas de pipa do que fios elétricos em si. Haviam os vizinhos estressados, era a bola cair na vizinha tal, que já poderíamos recolher nossos cavalinhos da chuva, mas os que mais nos davam receio, eram os vizinhos da "rua de baixo", havia uma chácara ao final da última rua, totalmente fechada, nunca ninguém entrava ou saía, mas todo mundo jurava que um menino havia entrado, mas ninguém viu quem era, e quando foi, mas que havia sumido, e ninguém viu, ou deu falta, o local era apelidado de "casa da bruxa".

O fato é, que em um verão um bueiro, daqueles circulares que ficam no meio do asfalto, explodiu, sua tampa tinha desaparecido, apesar de próxima da casa da "bruxa", a curiosidade dos rebentos era maior que o próprio medo, resultado, todos queriam descer até o submundo do bueiro, totalmente incentivados com o sucesso de "tartarugas ninjas" daquela época, as primeiras expedições exploratórias ao bueiro, resultaram em voltas fracassadas devido ao cheiro de esgoto ou em alguns arranhões, o fato é, logo os adultos encontraram o fosso, chamaram os órgãos competentes que tamparam o bueiro e nossa alegria junto. O governo não gastou muito para tapar o buraco, por isso o tapou de qualquer jeito, e com auxílio de um graveto e de muita coragem, Luís, conhecido como "Guguinho"(devido sua semelhança com o jogador de tênis de nome Guga), entrou novamente no bueiro.

Guguinho nunca mais foi visto, os anos mudaram, a árvore de meu pai não crescia, e a lenda da bruxa pairava no ar, as burquinhas pararam de tirar lascas do asfalto, e com a adolescência chegando, a maioria das brincadeiras estavam em desuso, a rua desfrutava de uma paz momentânea. Até que o bueiro explodiu novamente, cinco anos após sua última explosão, nessa época os jornais policiais sensacionalista iniciavam a cobrir apenas os desastres nas "favelas", portanto foram cobrir os moradores indignados com as explosões do bueiro. A empresa responsável foi até o local cobrir novamente aquele defeito, um funcionário desceu para avaliar as condições da rede de esgoto, e encontrou Guguinho, de cócoras, ainda segurando o graveto que o auxiliou na entrada para a morte. Guguinho era do quarteirão de cima, a família não sabia que o rebento brincava na rua de baixo, quando houve a notícia de seu desaparecimento, os policiais perguntaram às crianças do quarteirão de cima, nós do quarteirão de baixo, interpretamos aquele desaparecimento repentino com normalidade, as coisas ficavam, partiam, tudo era volátil no mundo, Guguinho deve ter se mudado, coisa que acontecia com frequência, portanto continuamos a brincar, e quantas inúmeras vezes, a bola quicou sobre o túmulo de Guguinho?

ELIAS AUGUSTO VILAS BOAS é Policial Militar e historiador em Londrina.

Caraca Elias, alguém, algum dia, soube o que houve com o Guguinho depois que ele entrou no bueiro, tipo do que morreu Guguinho? Pobrezinho!!

historiasminimas @ folhadelondrina.com.br
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