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Histórias Mínimas
Jornalista na Folha de Londrina. Histórias Mínimas é um Projeto de Leitura que tem como objetivo estimular a escrita criativa nos leitores, envie seu texto para historiasminimas @folhadelondrina.com.br
Os contos e crônicas devem conter nome e informações de contato.
Fale com Patricia Maria
12/07/2017

OS PASSAGEIROS


Como retomar o passeio literário com os nossos leitores assim, disfarçando um hiato que somente a rotina louca dos jornalistas explicaria, sem entrar em detalhes políticos, econômicos e sociais? Com duas citações: Nietzsche e Maria Rita.
***

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!" Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?" (A Gaia Ciência - aforismo 341 - F.Nietzsche)

***

"Mande notícias do mundo de lá / Diz quem fica / Me dê um abraço, venha me apertar/ Tô chegando / Coisa que gosto é poder partir /Sem ter planos / Melhor ainda é poder voltar/ Quando quero / Todos os dias é um vai e vem / A vida se repete na estação/ Tem gente que chega pra ficar/ Tem gente que vai pra nunca mais/ Tem gente que vem e quer voltar/ Tem gente que vai e quer ficar/ Tem gente que veio só olhar/ Tem gente a sorrir e a chorar / E assim chegar e partir / São só dois lados Da mesma viagem /O trem que chega / É o mesmo trem da partida / A hora do encontro / É também despedida / A plataforma dessa estação/ É a vida ..." (Encontros e Despedidas - Milton Nascimento, Fernando Brant - intérprete: Maria Rita)

Vamos aos textos,
Patrícia Maria.


A CARTA

Patrícia Maria,
Certa vez ouvi alguém dizer: "Quer saber coisas que você não sabe de si mesmo? Coloca o nome no Google!" Pois bem. Ontem digitei meu nome no tal e apareceu um link: "Histórias Mínimas" - Os Últimos Românticos, e dentro minha crônica "Fragmento de Uma Carta de Amor" - "Putz, quem está plagiando meu texto?" pensei. Que nada... percebi uma deliciosa reflexão sobre os mais variados assuntos do cotidiano, no caso, d'os últimos românticos', desses loucos, como eu, que ainda escrevem sobre o amor! No final da leitura tava lá o crédito com o 'nominho' desse caboclo aqui! Obrigado, pela citação! Continue com seu projeto de leitura e escrita, estamos carentes disso... Se a quantidade de leitores, segundo estudos, está diminuindo é mais que necessário que apareçam pessoas desafiadoras como você! Vou ficar torcendo pelo seu sucesso!

JOÃO CÂNDIDO DA SILVA NETO é eletricitário da Copel em Santo Antônio da Platina

- João, obrigada. Obrigada por manter viva a chama da criatividade literária dentro de você. Meu sucesso é você ter se achado no Google por algo que você criou. Tarefa cumprida. Que outros possam ter a mesma alegria. Abraços!


Ilustração Fernão
Ilustração Fernão


AMOR PASSAGEIRO "Não posso saber se tudo o que vejo é realidade."

Sempre que volto de algum compromisso, gosto de parar para descansar em um banco da praça que fica a algumas quadras da minha casa, paro ali para refletir sobre os acontecimentos da minha vida e das coisas que acontecem a minha volta.

Observo um grupo de jovens que conversam animadamente sobre a copa e os gols do primeiro jogo e então entram em acordo para fazer um mega bolão. Um rapaz de cabelos grisalhos, alto, que aparenta ser muito inteligente, me parece não entender muito sobre como calcular o resultado de uma partida de futebol. Já a moça de vestido preto, cabelos longos e muito bonita, demonstrava bom entendimento, mais que o rapaz que a olhava com desconfiança, como quem não acredita muito no que acaba de ouvir.

Há também no grupo, um casal de namorados, a garota me parece muito humilde. Olhos claros, pele morena e cabelos curtos. O rapaz, um jovem que aparenta mais idade que ela, é alto, moreno, tem cabelos bem aparados rente a nuca, bem vestido, demonstra uma certa fidalguia.

Sob a sombra de uma enorme paineira, ouço o alarido dos pardais que anunciam o final do dia. O mormaço preguiçoso do sol me convida esticar meus momentos de puro prazer de estar ali a observar. Simplesmente contemplar.

Mas volto meu olhar ao grupo e percebo que os namorados trocam olhares tristes, tentam disfarçar para os outros. Adivinho então que é o fim do relacionamento. Estão calados, pensativos, parecem que têm dúvidas quanto ao futuro. Com certeza temem o que possa acontecer, ou talvez temem serem surpreendidos pelo arrependimento. Ele, sem paciência, se despede com um sorriso triste e vai. Ela, com o mesmo sorriso, porém os olhos embotados de lágrimas que tentava engolir a todo custo, respira fundo, como quem tem a certeza de que tudo acabou.

Apenas deixo de escrever como é grande a tristeza que mora neles, porque essa não é mensurável. Ou será que a tristeza acabou antes mesmo de cada um dobrar a primeira esquina e as lágrimas deixaram de ter importância. Vão ficar no passado, na lembrança? Quando o casal vai embora, a praça fica silenciosa e sozinha. Ouço apenas os ruídos dos pássaros e sinto uma leve brisa perpassar pelo meu rosto, depois roçar as plantas. Não posso saber se tudo o que vejo é realidade.

THALITA GABRIELE DE PAULO era aluna do 9º ano do Colégio Castelo Branco em Primeiro de Maio quando mandou esta crônica para a FOLHA2.

- Thalita. se encontre no Google e me escreva! Abraços.


ANDARILHO "Alguma coisa me falta que não consigo parar em lugar nenhum, fico vagando sem rumo"

Às vezes saio pelas ruas, estradas, vilas, lugarejos, cidades, estados e até outros países, já conheço muito de seus caminhos e conhecerei outros também nesta ida. Nestas caminhadas saí sem destino, é uma viagem para nunca mais voltar e ao mesmo tempo volto não sei por quê. Alguma coisa me falta que não consigo parar em lugar nenhum, fico vagando sem rumo.

Andando por estradas de terra, estradas asfaltadas, pontes sobre rios, vejo muita gente, alguns já conhecidos, outros que ainda não foram por mim avistados. Coisa estranha me parece que eu já conhecia aquelas pessoas de algum lugar e que alguns já haviam morrido e estavam ali, mas seguindo em frente além das pessoas vistas pelo meu caminho conheci muitas casas e castelos antigos, alguns já deteriorados pelo tempo, mas mesmo assim, havia pessoas morando dentro deles, coisa bem antiga mesmo.

As pessoas ficavam me olhando, alguns com a face fechada, outros sorrindo apontando para mim, talvez debochando da minha situação, crianças correndo em minha direção, até jogando pedras para me acertar e atiçando seus cachorros para me morder, e eu com minhas roupas velhas sujas, chinelo de couro remendado, uma bolsa suja nas costas com o mínimo que eu poderia carregar.

Nestas caminhadas eu comia o que me dessem, bebia água das nascentes, às vezes tomava banho nos rios e dormia em qualquer lugar que me acolhesse ou também em qualquer canto possível de descansar de um dia inteiro de caminhada.

No amanhecer saía novamente, não podia parar ali, algo me dizia que eu deveria sempre caminhar, caminhar sem destino ou procurando algo - sei lá o quê, olhando o horizonte sol, chuva, calor e até muito frio. Estranho como a temperatura mudava de um lugar para outro até um tanto perto como se saísse do sol e entrasse numa sala com ar condicionado ao mesmo tempo, e seguia em frente sem parar.

Depois de dias, semanas, meses e até anos caminhando sem destino para ficar eu resolvia voltar, voltava pelo mesmo caminho passando por todas as etapas da minha ida. Aquelas roupas velhas, chinelo e sacola, ficaram pelo meio do caminho, estava descalço e apenas com a roupa do corpo que encontrei no chão de uma estrada.

Esta vida de andarilho eu tive algumas vezes nos meus sonhos, não sei por que ao acordar de manhã, sinto um cansaço muito grande e com dores nas plantas dos pés, parece que caminhei a noite toda.

ANTÔNIO JOSÉ RODRIGUES é aposentado em Londrina


Patrícia Maria Alves - historiasminimas @ folhadelondrina.com.br
27/07/2017
HISTÓRIAS MÍNIMAS

PRIMEIRA PESSOA

A vida se vive em primeira pessoa, não de forma onisciente, em 3D e, conforme passam os anos, perde definição de imagem

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